{"id":22986,"date":"2011-05-25T09:08:00","date_gmt":"2011-05-25T09:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22986"},"modified":"2011-05-25T09:08:00","modified_gmt":"2011-05-25T09:08:00","slug":"o-grande-desafio-da-solidariedade-e-deixarmos-um-mundo-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-grande-desafio-da-solidariedade-e-deixarmos-um-mundo-melhor\/","title":{"rendered":"&#8220;O grande desafio da solidariedade \u00e9 deixarmos um mundo melhor&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Bag\u00e3o F\u00e9lix defendeu que a humaniza\u00e7\u00e3o deve ir mais longe do que a norma jur\u00eddica e a tecnologia. \u201cSermos pessoas humanas\u201d \u00e9 o que \u201cnos distingue dos outros seres\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO grande desafio da solidariedade \u00e9 deixarmos um mundo melhor \u00e0s crian\u00e7as\u201d, afirmou Bag\u00e3o F\u00e9lix na confer\u00eancia que proferiu no Centro Cultural da Gafanha da Nazar\u00e9 sobre \u201cos novos alcances e desafios da solidariedade\u201d, no \u00e2mbito das Confer\u00eancias de Maio, promovidas pela Par\u00f3quia da Gafanha da Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>Para Bag\u00e3o F\u00e9lix, n\u00e3o basta sermos \u201cindiv\u00edduos\u201d ou \u201ccidad\u00e3os\u201d, mas \u201ctemos de subir, e subir significa sermos pessoas humanas\u201d, porque \u00e9 isso que \u201cnos distingue dos outros seres\u201d. E ser \u201cpessoa humana\u201d significa ser \u201cpessoas n\u00e3o s\u00f3 com direitos e deveres legitimados pela lei, mas pessoas com cora\u00e7\u00e3o, com afecto, com percep\u00e7\u00e3o, com sensibilidade, com vontade, com alma, com esp\u00edrito\u201d. E \u00e9 aqui que, segundo ele, \u201creside o princ\u00edpio da solidariedade\u201d.<\/p>\n<p>Bag\u00e3o F\u00e9lix considera que a solidariedade baseada na norma jur\u00eddica e no direito \u00e9 importante, mas torna-se \u201cmec\u00e2nica\u201d e, por conseguinte, n\u00e3o chega porque necessita de \u201calma\u201d, definindo a solidariedade como \u201ca express\u00e3o c\u00edvica do bem comum, solidificada pela cultura do pr\u00f3ximo e pelo princ\u00edpio fundamental da Doutrina Social da Igreja, que \u00e9 a centralidade da dignidade da pessoa\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de todo o progresso social e tecnol\u00f3gico ocorrido a partir de meados do s\u00e9culo XX, Bag\u00e3o F\u00e9lix alertou para o crescente \u201cdeserto espiritual que conduz ao isolamento, que \u00e9 um dos grandes problemas actuais\u201d, dizendo que \u201choje temos poderosas tecnologias, mas, \u00e0s vezes, desvalorizamos as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas\u201d. Referiu como exemplo os modernos meios de comunica\u00e7\u00e3o que, afirma, s\u00e3o \u201ctecnologias que nos tornam mais pr\u00f3ximos e, ao mesmo tempo, nos afastam\u201d. Citando o Papa Bento XVI, disse que \u201ca globaliza\u00e7\u00e3o fez-nos mais pr\u00f3ximos, mais perto uns dos outros, mas n\u00e3o nos tornou necessariamente mais irm\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>No dizer de Bag\u00e3o F\u00e9lix, a tecnologia \u201cn\u00e3o nos conseguiu trazer a garantia da justi\u00e7a social\u201d, porque \u201ccontinuamos a conviver com a mis\u00e9ria, mesmo em zonas onde ela j\u00e1 n\u00e3o devia existir, com a explora\u00e7\u00e3o, com a relativiza\u00e7\u00e3o da vida, com a secundariza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, com o isolamento, com a viol\u00eancia, com as enormes possibilidades tecnol\u00f3gicas do mal\u201d.<\/p>\n<p>Como economista, docente universit\u00e1rio e antigo governante com tutela na \u00e1rea econ\u00f3mica e social, Bag\u00e3o F\u00e9lix recordou que poderia encontrar as mais diversas explica\u00e7\u00f5es \u201cacad\u00e9micas\u201d para a actual crise, preferindo, no entanto, afirmar que \u201ca raz\u00e3o fundamental desta crise \u00e9 comportamental, \u00e9 a eros\u00e3o da fronteira entre o bem e o mal\u201d, apontando factos como o deixar para as gera\u00e7\u00f5es futuras o pagamento das facturas, o fim da poupan\u00e7a nas fam\u00edlias, a qual, em sua opini\u00e3o, \u201c\u00e9 uma forma de solidariedade para com os filhos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA solidariedade em Portugal est\u00e1 muito sustentada no apoio financeiro que o Estado d\u00e1\u201d, reconheceu Bag\u00e3o F\u00e9lix, para quem \u201cisso condiciona e transforma o Estado num tutor, \u00e0s vezes implac\u00e1vel, burocr\u00e1tico, pesado, sem alma, de express\u00e3o assistencialista\u201d, questionando, de seguida, \u201co que seria do nosso pa\u00eds se, de repente, as institui\u00e7\u00f5es de solidariedade ligadas \u00e0 Igreja desaparecessem\u201d. \u201cEra o caos\u201d, rematou.<\/p>\n<p>O antigo governante chamou a aten\u00e7\u00e3o para o facto de o Estado n\u00e3o ter dinheiro, uma vez que \u201co dinheiro que o Estado tem \u00e9 dos contribuintes que o entregam ao Estado\u201d, para este exercitar o bem comum.<\/p>\n<p>A terminar, Bag\u00e3o F\u00e9lix recordou que \u201cpara n\u00f3s, os crist\u00e3os\u201d, a \u201ccaridade \u00e9 o estado superior da solidariedade\u201d. <\/p>\n<p>As confer\u00eancias prosseguem na pr\u00f3xima quinta-feira, 26, \u00e0s 21 horas. J\u00falio Pedrosa fala sobre \u201ceduca\u00e7\u00e3o para a felicidade\u201d.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bag\u00e3o F\u00e9lix defendeu que a humaniza\u00e7\u00e3o deve ir mais longe do que a norma jur\u00eddica e a tecnologia. \u201cSermos pessoas humanas\u201d \u00e9 o que \u201cnos distingue dos outros seres\u201d. \u201cO grande desafio da solidariedade \u00e9 deixarmos um mundo melhor \u00e0s crian\u00e7as\u201d, afirmou Bag\u00e3o F\u00e9lix na confer\u00eancia que proferiu no Centro Cultural da Gafanha da Nazar\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-22986","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22986\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}