{"id":23035,"date":"2011-06-08T10:31:00","date_gmt":"2011-06-08T10:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23035"},"modified":"2011-06-08T10:31:00","modified_gmt":"2011-06-08T10:31:00","slug":"quantos-paes-tendes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quantos-paes-tendes-2\/","title":{"rendered":"Quantos p\u00e3es tendes?"},"content":{"rendered":"<p>Diz-se, com ironia, que a \u00fanica li\u00e7\u00e3o que aprendemos da hist\u00f3ria \u00e9 que nunca aprendemos as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. Muitas vezes olhamos para ela como uma esp\u00e9cie de penumbra, com antepassados mesmo recentes de tipo hom\u00fanculo, distantes das luzes que generosamente nos iluminam. Se recapitularmos os dois \u00faltimos s\u00e9culos do nosso pa\u00eds \u00e0 procura de realidades como crise, fal\u00eancia, bancarrota, notamos que sempre que isso aconteceu isto \u00e9, sempre que se chegou a uma situa\u00e7\u00e3o social limite, sem recuo, logo surgiram solu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas de emerg\u00eancia conhecidas como revolu\u00e7\u00f5es, golpes, ditaduras mais ou menos sangrentos. E, aqui e agora, no dia em que os cofres ficarem vazios, os sal\u00e1rios, reformas, subs\u00eddios, economias reduzidos a zero, as mesas sem p\u00e3o \u2013 poder\u00e1 chegar um qualquer salvador, verdadeiro ou falso, seja qual for a sua cor, partido ou qualidade que cair\u00e1 nos bra\u00e7os do povo. Com carta branca para enterrar muitos dos nossos sonhos.<\/p>\n<p>Pode isto n\u00e3o passar do cap\u00edtulo menor duma qualquer novela. Mas j\u00e1 aconteceu e ningu\u00e9m garante que se n\u00e3o possa repetir. Quer isto dizer que possivelmente muitos de n\u00f3s ainda n\u00e3o nos apercebemos onde pode desembocar esta crise. E que, possivelmente, quem estar\u00e1 em maior perigo s\u00e3o as crian\u00e7as e os jovens que v\u00e3o crescer num pa\u00eds espoliado que viveu ilus\u00f5es e ideais leg\u00edtimos de um lugar digno no xadrez mundial do desenvolvimento. Para bem ou para mal nada se passa isoladamente. Pequeno pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 uma pequena aldeia que se sustenta isolado do resto do mundo. Estamos ligados a um planeta, um mercado material e cultural que nos alimenta e sorve, nos envolve, desenvolve e sufoca, premeia e castiga. H\u00e1 depend\u00eancias do fundamental para a nossa subsist\u00eancia, h\u00e1 compromissos que se n\u00e3o forem cumpridos nos retiram da mesa o sustento das nossas vidas. Deixando sempre a salvo os que melhor se governam. Veja-se a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Neste contexto temos de olhar o presente e o futuro coletivamente. Procurando o essencial primeiro e s\u00f3 depois o acess\u00f3rio. E compreender quais as nossas prioridades, preocupa\u00e7\u00f5es, empenhos, apostas, entrega de energias. Aqui entram os nossos princ\u00edpios, valores, compromissos. A capacidade de trabalho, entrega, ren\u00fancia, partilha, consci\u00eancia, sentido dos outros, perce\u00e7\u00e3o clara de que um pa\u00eds, uma p\u00e1tria, n\u00e3o \u00e9 um ser abstrato ou um ret\u00e2ngulo sem gente. Somos n\u00f3s e a terra, o p\u00e3o, a cultura, o esp\u00edrito, a esperan\u00e7a, conviv\u00eancia, a alegria do presente do futuro. Tudo isto \u00e9 p\u00e3o essencial na nossa mesa. Mais que os adere\u00e7os, pequenas e grandes futilidades, investimentos no sup\u00e9rfluo sem sentido nem nobreza. Neste contexto se enquadra o conceito de justi\u00e7a, equidade, solidariedade, caridade. A doutrina social da Igreja n\u00e3o \u00e9 um comp\u00eandio te\u00f3rico moralizador sobre os bens. \u00c9 a tradu\u00e7\u00e3o rigorosa do Evangelho para a justi\u00e7a social. Que diz respeito a todos e a todos compromete na procura e distribui\u00e7\u00e3o p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p>A grande pergunta provocat\u00f3ria que nos \u00e9 feita hoje \u00e9 esta: Quantos p\u00e3es tendes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz-se, com ironia, que a \u00fanica li\u00e7\u00e3o que aprendemos da hist\u00f3ria \u00e9 que nunca aprendemos as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. Muitas vezes olhamos para ela como uma esp\u00e9cie de penumbra, com antepassados mesmo recentes de tipo hom\u00fanculo, distantes das luzes que generosamente nos iluminam. 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