{"id":23042,"date":"2011-05-04T10:00:00","date_gmt":"2011-05-04T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23042"},"modified":"2011-05-04T10:00:00","modified_gmt":"2011-05-04T10:00:00","slug":"general-joao-de-almeida-heroi-e-historiador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/general-joao-de-almeida-heroi-e-historiador\/","title":{"rendered":"General Jo\u00e3o de Almeida, her\u00f3i e historiador"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos <!--more--> \u201cHer\u00f3i dos Dembos\u201d, o general Jo\u00e3o de Almeida notabilizou-se como um investigador hist\u00f3rico e do patrim\u00f3nio monumental militar portugu\u00eas, autor de uma obra que \u00e9 refer\u00eancia nessa \u00e1rea: \u201cRoteiro dos Monumentos Militares Portugueses\u201d.    <\/p>\n<p>Jo\u00e3o de Almeida nasceu no lugar de Cairr\u00e3o, freguesia de Vila Garcia, no distrito da Guarda, no dia 5 de Outubro de 1873, e faleceu em Lisboa, no 5 de Maio de 1953. Casou-se com a aveirense Laura Mendes Leite, filha do oficial da armada Manuel Lu\u00eds Mendes Leite (filho adoptivo de parlamentar aveirense Mendes Leite), de quem herdou a Casa e a Capela do Seixal. Os filhos Alexandre Mendes Leite de Almeida (Aveiro, 30 de Abril de 1915 \/ Aveiro, 19 de Abril de 1984) e Jo\u00e3o Mendes Leite de Almeida (1926) tamb\u00e9m se evidenciaram como oficiais superiores, o primeiro atingindo o posto de general do Ex\u00e9rcito Portugu\u00eas (Cavalaria) e o segundo, de coronel, na For\u00e7a A\u00e9rea Portuguesa.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o de Almeida frequentou a Escola do Ex\u00e9rcito, da qual saiu com o posto de alferes, em 1896. Em 1901, j\u00e1 como tenente, tirou o bacharelato em Matem\u00e1tica e em Filosofia na Universidade de Coimbra. No ano de 1903, concluiu o curso de Estado Maior. <\/p>\n<p>Em 1906, partiu para Angola. No ano seguinte, distinguiu-se nas campanhas do Cuamato. Os sucessos alcan\u00e7ados na campanha contra os Dembos, no norte de Angola (1907), fizeram que passasse a ser popularmente conhecido como \u201cher\u00f3i dos Dembos\u201d, por ter pacificado esse povo em Angola durante as Campanhas de \u00c1frica, tendo contribu\u00eddo tamb\u00e9m para a pacifica\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de Hu\u00edla, cidade onde desempenhou as fun\u00e7\u00f5es de governador interino, refor\u00e7ando a ac\u00e7\u00e3o administrativa da prov\u00edncia.<\/p>\n<p>Por motivos de doen\u00e7a grave, regressou a Lisboa no ano de 1908. No ano seguinte, j\u00e1 curado, volta para Angola, assumindo o cargo de governador de Hu\u00edla, tendo conseguido fixar a fronteira sul de todo o territ\u00f3rio angolano, numa ac\u00e7\u00e3o militar e de administra\u00e7\u00e3o verdadeiramente not\u00e1vel. Em simult\u00e2neo, realizou levantamentos geogr\u00e1ficos regionais. <\/p>\n<p>Por ser fiel \u00e0 Monarquia, em 1912, dois anos ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, foi demitido do ex\u00e9rcito, exilando-se em Paris, onde se licenciou em Engenharia Civil, na Ecole du Genie Civil. No entanto, em 1918, voltou a ser readmitido. No ano de 1919, ent\u00e3o com o posto de Coronel e Comandante militar da regi\u00e3o de Aveiro, Jo\u00e3o de Almeida envolveu-se na Monarquia do Norte ao lado de Paiva Couceiro. Ap\u00f3s o fracasso dessa tentativa de reimplantar a Monarquia, teve ordem de pris\u00e3o mas o comiss\u00e1rio encarregado da sua deten\u00e7\u00e3o, Salvador do Nascimento, permitiu a sua fuga pois ele pr\u00f3prio tinha sido preso pol\u00edtico durante a ditadura de Jo\u00e3o Franco por conspirar contra a monarquia.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1920, Jo\u00e3o de Almeida foi um dos oficiais ligados \u00e0s revoltas que conduziram \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do Estado Novo, tendo o seu nome sido proposto, pela ala militar do regime, agrupada na Liga 28 de Maio, para substituir Ant\u00f3nio de Oliveira Salazar. No ano de 1933, foi promovido, por escolha, a general.<\/p>\n<p>Ainda que ligado \u00e0 ala mais conservadora do Estado Novo, Jo\u00e3o de Almeida sempre mostrou muita sensibilidade social, tendo sido um ac\u00e9rrimo defensor de uma maior interven\u00e7\u00e3o do Estado na \u00e1rea da Sa\u00fade, nomeadamente atrav\u00e9s da implementa\u00e7\u00e3o de medidas preventivas de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o de Almeida recebeu diversas condecora\u00e7\u00f5es, entre as quais, a de Grande Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, de que era Comendador desde 1908, depois das opera\u00e7\u00f5es dos Dembos, a medalha Rainha D. Am\u00e9lia com a legenda \u201cDembos\u201d, a medalha de ouro de Servi\u00e7os Distintos no Ultramar e a Legi\u00e3o de Honra. <\/p>\n<p>O distanciamento pol\u00edtico com o regime do Estado Novo deu azo a Jo\u00e3o de Almeida para se dedicar \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e \u00e0 escrita.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>PJ recupera esp\u00f3lio do general Jo\u00e3o de Almeida <\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, a Pol\u00edcia Judici\u00e1ria (PJ) deteve, em Lisboa, um suspeito de vender esp\u00f3lio do general Jo\u00e3o de Almeida, nomeadamente uma pasta com documentos e artigos alegadamente furtados de uma resid\u00eancia na zona de \u00c1gueda.<\/p>\n<p>O esp\u00f3lio era constitu\u00eddo por diversa documenta\u00e7\u00e3o referente \u00e0 vida e obra do militar, designadamente manuscritos, fotografias, correspond\u00eancia, quadros (a carv\u00e3o, tinta da china e aguarela) e publica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, tudo com importante valor cient\u00edfico, art\u00edstico e hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Investigador de renome nacional<\/p>\n<p>O \u201cRoteiro dos Monumentos Militares Portugueses\u201d, publica\u00e7\u00e3o subsidiada pelo Instituto de Alta Cultura, ainda que numa edi\u00e7\u00e3o de autor (Lisboa-1945-1947), em tr\u00eas volumes, \u00e9 a obra mais conhecida de Jo\u00e3o de Almeida, a qual, apesar da sua enorme relev\u00e2ncia, h\u00e1 muito que se encontra esgotada. Esta obra \u00e9 citada em monografias das mais diversas terras do pa\u00eds e em trabalhos sobre hist\u00f3ria, arqueologia e patrim\u00f3nio monumental em Portugal.<\/p>\n<p>O volume I \u00e9 dedicado aos Distritos da Guarda, de Castelo Branco e de Viseu. O volume II tem por alvo os Distritos de Aveiro, de Coimbra, de Leiria e de Santar\u00e9m, enquanto o volume III centra-se nos Distritos de Portalegre, de \u00c9vora, de Beja e de Faro. <\/p>\n<p>Os volumes IV e V, que estavam em prepara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o chegaram a ser publicados. Deveriam cobrir os restantes distritos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO Fundo Atlante da Ra\u00e7a Portuguesa e a sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d \u00e9 outra obra de refer\u00eancia de Jo\u00e3o de Almeida, esta na \u00e1rea da hist\u00f3ria e da antropologia.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o realizados no continente, a grande liga\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o de Almeida a Angola e a Cabo Verde levaram-no a efectuar diversos estudos naqueles dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o de Almeida tamb\u00e9m deixou vasta bibliografia sobre a regi\u00e3o da Guarda.<\/p>\n<p>General Jo\u00e3o de Almeida \u00e9 top\u00f3nimo de rua em in\u00fameras localidades do pa\u00eds (incluindo Lisboa) e at\u00e9 em Angola (Luanda), sendo tamb\u00e9m patrono de escolas. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Esquecidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-23042","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23042\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}