{"id":23044,"date":"2011-05-11T10:33:00","date_gmt":"2011-05-11T10:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23044"},"modified":"2011-05-11T10:33:00","modified_gmt":"2011-05-11T10:33:00","slug":"egoismo-na-defesa-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/egoismo-na-defesa-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Ego\u00edsmo, na defesa dos pobres"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> V\u00e1rias pessoas e for\u00e7as pol\u00edtico-sociais v\u00eam defendendo que os rendimentos mais baixos, auferidos atrav\u00e9s de sal\u00e1rios, pens\u00f5es e outras presta\u00e7\u00f5es sociais, n\u00e3o podem baixar, nem ser congelados, mesmo na crise actual. Esta defesa \u00e9 feita com base nos princ\u00edpios da justi\u00e7a e da solidariedade, consagrados universalmente e, de modo particular, na doutrina social da Igreja. Acontece, por\u00e9m, que tais defensores raramente explicitam quais as fortunas e rendimentos que devem ser sacrificados; ou limitam-se a considerar quase s\u00f3 as maiores fortunas e os rendimentos mais altos. Deste modo, alimentam a ideia de que todas as outras fortunas e rendimentos fiquem salvaguardados.<\/p>\n<p>Tal posi\u00e7\u00e3o esquece tr\u00eas realidades bastante \u00f3bvias: primeira, muito provavelmente as maiores  fortunas e os rendimentos mais altos n\u00e3o chegariam  para o equil\u00edbrio da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-financeira do pa\u00eds; segunda, os respectivos detentores podem transferir para fora do pa\u00eds, e j\u00e1 come\u00e7aram a transferir, uma parte significativa dos seus bens; terceira, esses bens resultaram em geral da competitividade econ\u00f3mico-social, que envolve a maioria dos portugueses. Acresce que a aspira\u00e7\u00e3o a possuir as maiores fortunas e os mais altos rendimentos n\u00e3o \u00e9 exclusiva de quem os possui. At\u00e9 se pode afirmar que muita gente n\u00e3o atingiu esse patamar porque n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p>Na verdade, o processo gerador de desigualdades acha-se difundido por toda a sociedade; traduz-se numa hierarquiza\u00e7\u00e3o de desigualdades que v\u00e3o desde os n\u00edveis mais baixos at\u00e9 aos mais altos. Por isso, o imperativo de justi\u00e7a e solidariedade efectivas convida todos os detentores de riqueza e rendimentos acima da m\u00e9dia a: serem mais contidos nas suas aspira\u00e7\u00f5es; a examinarem-se acerca da justi\u00e7a dos n\u00edveis que alcan\u00e7aram; e a participarem activamente a favor de uma sociedade e economia sem desigualdades inaceit\u00e1veis. Caso n\u00e3o actuem deste modo, perde credibilidade a sua luta aparente a favor dos rendimentos mais baixos; com efeito, defendendo verbalmente esse imperativo, mas n\u00e3o se disponibilizando para fazerem algum sacrif\u00edcio, acabam por defender os seus pr\u00f3prios interesses, a coberto da defesa das pessoas mais pobres. Pugnam pelos seus interesses, sob a capa da defesa \u00abcorajosa\u00bb dessas pessoas. A luta contra as desigualdades n\u00e3o pode limitar-se \u00e0 luta contra quem ganha mais do que n\u00f3s; pelo contr\u00e1rio, deve come\u00e7ar na auto-conten\u00e7\u00e3o e na autocr\u00edtica de n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-23044","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23044\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}