{"id":23083,"date":"2011-05-11T10:21:00","date_gmt":"2011-05-11T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23083"},"modified":"2011-05-11T10:21:00","modified_gmt":"2011-05-11T10:21:00","slug":"pedro-abrunhosa-da-uma-aula-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pedro-abrunhosa-da-uma-aula-diferente\/","title":{"rendered":"Pedro Abrunhosa d\u00e1 uma aula diferente"},"content":{"rendered":"<p>Ouvir figuras mais ou menos medi\u00e1ticas, em programas de tv ou de r\u00e1dio, ou ler o que escrevem na imprensa, em blogues ou em redes sociais, tem algum impacto. Mas receb\u00ea-las na escola e ouvi-las, ao vivo, ali, a um ou dois metros, assume um (im)pacto muito maior, porque o (con)tacto se torna efectivo. Parece estabelecer-se um pacto, gra\u00e7as ao tacto, porque n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os ouvidos que ouvem, mas \u00e9 sobretudo o olhar que se cruza e fixa, a fotografia que se tira e a empatia que surge.<\/p>\n<p>Foi assim com a ida de Pedro Abrunhosa \u00e0 Escola Secund\u00e1ria Dr. M\u00e1rio Sacramento, numa biblioteca que foi pequena para tantos interessados em ver e ouvir o m\u00fasico falar de \u2013 imagine-se e para surpresa de muitos &#8211; livros e a import\u00e2ncia da leitura. No dia seguinte, a Ana comentou: \u201cPensava que o Pedro Abrunhosa era uma pessoa muito ocupada e n\u00e3o tinha tempo para ler!\u201d E a Sandra acrescentou: \u201cN\u00e3o sabia que o m\u00fasico era um homem t\u00e3o culto!\u201d Pedro Abrunhosa culpou os livros por ser quem \u00e9, pois desde muito cedo descobriu o prazer da leitura e da aventura, com as personagens de Mark Twain (As Aventuras de Tom Sawyer e de Huckleberry Finn), Em\u00edlio Salgari (Sandokan) Jorge Amado e Victor Hugo, por exemplo. Podia viver as vidas de vil\u00f5es, de her\u00f3is e de tantas personagens sem ter de sair da sua pele. Aos 13 anos, quis ser aventureiro como os seus her\u00f3is e viajou pela Europa, sozinho, com um bilhete de InterRail. Trabalhou para se sustentar, pois esgotou-se-lhe o dinheiro rapidamente. Hoje, seria impens\u00e1vel um adolescente de 13 anos viajar sozinho, \u00e0 descoberta da Europa, comentaram j\u00e1 v\u00e1rios alunos. Essa sua atitude intr\u00e9pida e o facto de o ter feito impulsionado pelas leituras foi considerada uma das experi\u00eancias mais interessantes pelos alunos que o ouviram. Quando referiu o \u201cConde de Monte Cristo\u201d e o \u201cMemorial do Convento\u201d, alguns alunos trocaram olhares c\u00famplices com os seus professores por estarem a estudar a obra de Saramago, ou porque j\u00e1 leram a de Alexandre Dumas para apresentar na aula.  <\/p>\n<p>Algo que surpreendeu o p\u00fablico foi o tempo dedicado ao trabalho. O Bruno at\u00e9 considerou impratic\u00e1vel trabalhar 16 horas por dia. O que \u00e9 certo \u00e9 que o m\u00fasico, al\u00e9m de fazer refer\u00eancia aos tempos de Conservat\u00f3rio, em que ficava a estudar enquanto os amigos faziam noitadas, explicou que o seu processo de cria\u00e7\u00e3o de letras e m\u00fasicas envolve muito esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o, experimentando v\u00e1rios instrumentos at\u00e9 decidir qual o mais adequado. Respondendo ao Jo\u00e3o, explicou que, tal como o impressionista franc\u00eas Manet, n\u00e3o acredita na inspira\u00e7\u00e3o, mas sim no trabalho e no empenho. \u201cApliquem-se!\u201d foi uma das frases que insistentemente lan\u00e7ou aos alunos que ali o ouviam. O importante n\u00e3o \u00e9 ser \u2018famoso\u2019, conceito ali\u00e1s muito criticado pelo m\u00fasico, pois valoriza o facto de ser reconhecido pelo trabalho que faz e n\u00e3o por participar em programas de televis\u00e3o \u00e0 procura de talentos, ou por dar entrevistas a revistas que s\u00f3 se interessam pelas vidas privadas. <\/p>\n<p>Incentivou os alunos a escreverem, nos blogues, no Facebook, a deixarem de lado os telem\u00f3veis para dedicarem tempo \u00e0 leitura (cinco p\u00e1ginas por dia \u00e9 a receita para nos \u2018viciar\u2019 num bom livro), a ir ao cinema ver bons filmes (e n\u00e3o apenas os sucessos de bilheteira), a pesquisar sobre Van Gogh e Amadeu de Sousa-Cardoso, por exemplo, a deixar que a arte d\u00ea magia \u00e0 vida, neste mundo em que h\u00e1 tantos problemas e preocupa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Tantas mensagens transmitidas num ambiente divertido, mas s\u00e9rio, ser\u00e3o certamente digeridas e partilhadas em grupos de amigos, discutidas com professores, pais e outros adultos. No dia 3 de Maio, os alunos n\u00e3o foram ouvir o m\u00fasico para faltarem \u00e0s aulas. Foram a uma aula diferente, porque n\u00e3o chegam os conte\u00fados dos programas oficiais. Importante ser\u00e1, como disse Pedro Abrunhosa, \u201cenriquecer a vida interior\u201d, porque \u201csomos todos id\u00eanticos na ess\u00eancia: precisamos de alimento por dentro para sobreviver \u00e0 vida que \u00e9 dura. Uma das coisas que ajuda a ultrapassar os problemas \u00e9 ler\u201d. <\/p>\n<p>Teresa Correia<\/p>\n<p>O m\u00fasico que n\u00e3o gosta de ser controlado<\/p>\n<p>No fim da conversa, aos cerca de 100 alunos que o ouviram, com ele cantaram, que se riram das suas piadas, que lhes fizeram v\u00e1rias perguntas sobre o seu sucesso e as prefer\u00eancias liter\u00e1rias, deixou uma mensagem muito s\u00e9ria: n\u00e3o consumir drogas. Cada um deve ser capaz de controlar a pr\u00f3pria vida. Pedro Abrunhosa deu o seu exemplo e afirmou que n\u00e3o gosta de ser controlado, ele \u00e9 que se controla a si mesmo. Se quiser \u2018curtir\u2019 ser\u00e1 com as subst\u00e2ncias que o organismo produz, a adrenalina vem dos espect\u00e1culos e n\u00e3o da ingest\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas. Ver estudantes alcoolizados em festivais e queimas das fitas \u00e9 algo que o incomoda. Para si n\u00e3o escolheu esse caminho. Conforme lembrou no in\u00edcio da sess\u00e3o, o caminho por que cada um opta ter\u00e1 consequ\u00eancias, no imediato ou num futuro mais ou menos pr\u00f3ximo. Se se fizerem escolhas com responsabilidade, poder-se-\u00e3o seguir diferentes caminhos. A escola sugere v\u00e1rias direc\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o basta o que a\u00ed se prop\u00f5e, tem de se complementar com outras viv\u00eancias respons\u00e1veis. Investir na vida agora \u00e9 uma forma de colher frutos mais tarde. A factura a pagar pode ser mais ou menos onerosa, depende da escolha que se fizer. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouvir figuras mais ou menos medi\u00e1ticas, em programas de tv ou de r\u00e1dio, ou ler o que escrevem na imprensa, em blogues ou em redes sociais, tem algum impacto. Mas receb\u00ea-las na escola e ouvi-las, ao vivo, ali, a um ou dois metros, assume um (im)pacto muito maior, porque o (con)tacto se torna efectivo. 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