{"id":23107,"date":"2011-07-20T14:45:00","date_gmt":"2011-07-20T14:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23107"},"modified":"2011-07-20T14:45:00","modified_gmt":"2011-07-20T14:45:00","slug":"perceber-da-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/perceber-da-agricultura\/","title":{"rendered":"Perceber da agricultura"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Quem n\u00e3o lembra a hist\u00f3ria do velho pai que, na hora da morte, decidiu confiar um segredo aos filhos calaceiros? Que tinha enterrado um tesoiro no campo, mas n\u00e3o se lembrava onde. Os filhos, est\u00e1 claro, mal enterraram o pai, deixaram-se da calacice e escavaram o campo todinho. Mas tesouro? Nem v\u00ea-lo. Deitaram-se descor\u00e7oados. Mas de manh\u00e3, nem podiam crer: o campo transformara-se num riqu\u00edssimo prado!<\/p>\n<p>O velho pai \u00abpercebia mesmo da agricultura\u00bb, e n\u00e3o s\u00f3 das couves e batatas (em tempos passados, quem gostasse de dar senten\u00e7as sem experi\u00eancia arriscava-se a ouvir: \u00abDesaparece, que n\u00e3o percebes nada da agricultura!\u00bb). <\/p>\n<p>N\u00e3o consta que Jesus tivesse pr\u00e1tica agr\u00edcola (embora lhe conhecesse as voltas), mas uma coisa \u00e9 certa: no que disse e no que fez, \u00abpercebia da agricultura\u00bb. Ningu\u00e9m lhe negava a sabedoria, nem os inimigos. As suas par\u00e1bolas, pr\u00f3prias de uma civiliza\u00e7\u00e3o rural, sublinham como vale a pena estar atento ao que \u00e9 mais valioso e coordenar o trabalho para garantir uma vida cheia. Precisam-se decis\u00f5es ponderadas e firmes. Por alguma raz\u00e3o, o tesouro s\u00f3 \u00e9 encontrado por negociantes argutos. <\/p>\n<p>J\u00e1 a par\u00e1bola da rede que apanha peixes bons e maus alinha com a do trigo e do joio do domingo passado: n\u00e3o podemos desanimar de ir lan\u00e7ando redes a vida inteira, sabendo que nem tudo \u00e9 bom, e que s\u00f3 com trabalho suplementar \u00e9 que adquirimos o discernimento do que vale a pena reter ou deitar fora. O evangelista, preocupado com o bom entendimento entre o cristianismo emergente e o juda\u00edsmo, finaliza com o elogio do \u00abescriba instru\u00eddo sobre o reino de Deus\u00bb: a novidade ou a antiguidade n\u00e3o s\u00e3o boas ou m\u00e1s por si \u2013 temos que distinguir o bom do mau, seja novo ou velho.<\/p>\n<p>Assim se trabalha na \u00abagricultura do Reino de Deus\u00bb. Os especialistas n\u00e3o encontram um significado claro para \u00abreino de Deus\u00bb \u2013 e provavelmente nem Jesus se preocupava com tal exactid\u00e3o: utilizava express\u00f5es e par\u00e1bolas adequadamente provocadoras para despertar a nossa consci\u00eancia e um agir esclarecido. O importante era n\u00e3o voltar as costas ao \u00fanico 100% fixe Amigo dos Homens (pese a estranha maneira de se mostrar \u00abfixe\u00bb\u2026).<\/p>\n<p>\u00abReino de Deus\u00bb (ou \u00abreino dos c\u00e9us\u00bb) n\u00e3o tem nenhuma conota\u00e7\u00e3o espacial e muito menos pol\u00edtica, nem Deus \u00e9 um rei \u00e0 nossa maneira.  <\/p>\n<p>Na mensagem de Jesus, \u00abreino de Deus\u00bb lembra o dinamismo constante da ac\u00e7\u00e3o divina (como o pequeno gr\u00e3o de mostarda crescendo sem dar nas vistas), que encaminha a humanidade para o desenvolvimento perfeito. <\/p>\n<p>Deus manifestou-se muito especialmente na vida e nas palavras de Jesus. Por muito que algu\u00e9m tenha penetrado no \u00absegredo de Deus\u00bb, nunca ser\u00e1 poss\u00edvel transmitir com exactid\u00e3o e clareza essa experi\u00eancia. J\u00e1 S. Paulo o dizia (2.\u00aa carta aos Cor\u00edntios 12,1-4). E \u00e0s vezes vai tanto ao arrepio da nossa maneira de pensar e agir, que apetece dizer a Deus \u2013 e n\u00e3o faltou quem o dissesse: \u00abDesaparece, que n\u00e3o percebes nada da agricultura\u00bb.<\/p>\n<p>Mesmo assim, volta e meia \u00abtrope\u00e7amos em Deus\u00bb \u2013 tantas vezes que, at\u00e9 por conveni\u00eancia, acabamos por fazer sociedade com ele&#8230; <\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Deus no mundo revela-se quando descobrimos que a vida \u00e9 uma miss\u00e3o e que at\u00e9 ao fim somos chamados e fortalecidos para viver plenamente \u2013 sendo nossa responsabilidade \u00ablavrar bem o campo\u00bb para encontrar o valor que esconde. \u00c9 assim que o \u00abreino\u00bb de justi\u00e7a e de alegria se vai lentamente construindo. Compete-nos facilitar esta caminhada para a perfeita evolu\u00e7\u00e3o da humanidade. \u00c9 essa \u00aba vontade de Deus\u00bb (do Pai Nosso), que vamos descobrindo \u00e0 medida que desbravamos o caminho.<\/p>\n<p>A 2.\u00aa leitura d\u00e1 uma achega optimista: \u00abPara quem ama a Deus, todas as coisas contribuem para o bem\u00bb. Porque \u00abamar a Deus\u00bb implica n\u00e3o se deixar vencer pelo mal. \u00abDeus ajuda a quem se ajuda\u00bb\u2026<\/p>\n<p>Um \u00abagricultor\u00bb arguto e bem c\u00f4nscio de como \u00e9 dif\u00edcil a sua tarefa, foi o rei Salom\u00e3o (1.\u00aa leitura). Sem mais cerim\u00f3nias, pediu a Deus umas dicas para encontrar o tesouro. E n\u00e3o \u00e9 que Deus foi nisso? Deu-lhe sabedoria para discernir o bem do mal e o sentido de miss\u00e3o para o melhor bem do seu povo. Salom\u00e3o ficou c\u00e9lebre como governante justo. Trope\u00e7ou em muitas pedras e barrancos, mas \u00e9 lembrado como \u00abpercebendo da agricultura\u00bb\u2026 <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23107","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23107"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23107\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}