{"id":23116,"date":"2011-10-06T10:24:00","date_gmt":"2011-10-06T10:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23116"},"modified":"2011-10-06T10:24:00","modified_gmt":"2011-10-06T10:24:00","slug":"repensar-para-renovar-as-paroquias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/repensar-para-renovar-as-paroquias\/","title":{"rendered":"Repensar para renovar as par\u00f3quias"},"content":{"rendered":"<p>As atitudes perante a mudan\u00e7a tanto podem favorecer como impedir a renova\u00e7\u00e3o. Por isso, se torna urgente, quando est\u00e1 em causa uma renova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, que haja tempo para repensar, o que n\u00e3o se poder\u00e1 fazer sem escutar, confrontar, avaliar. <\/p>\n<p>Agora est\u00e1 em causa a par\u00f3quia, uma estrutura can\u00f3nica secular, de origem rural, que acabou por entrar nos meios urbanos, com vantagens e dificuldades que perduram. Confinada a um territ\u00f3rio demarcado, a par\u00f3quia significa, ainda hoje e em muitos casos, a express\u00e3o normal da Igreja pr\u00f3xima das pessoas. Proporciona os meios necess\u00e1rios \u00e0 vida crist\u00e3, fomenta e permite a rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua, compromete as pessoas em projectos comuns, serve-lhes de refer\u00eancia religiosa. Tempos idos, cada par\u00f3quia tinha o seu p\u00e1roco; a mobilidade das pessoas era restrita; todos se conheciam e participavam; o pr\u00f3prio bairrismo, por vezes mais forte do que a f\u00e9, tamb\u00e9m gerava coes\u00e3o. Mesmo os que emigravam sentiam que estavam na par\u00f3quia as suas ra\u00edzes. <\/p>\n<p>Mas tudo foi mudando. Hoje h\u00e1 par\u00f3quias com uma popula\u00e7\u00e3o diminuta, sem padre residente, sem gente para assumir tarefas, com muitos idosos e poucas ou nenhumas crian\u00e7as, mas guardando, ciosamente, os restos j\u00e1 mortos da cristandade. Porque s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es can\u00f3nicas, o povo reivindica direitos, quer tudo como nos tempos \u00e1ureos do p\u00e1roco residente e de gente para tudo. Deste modo, os padres que restam, no interior e nos meios rurais, muitos com v\u00e1rias par\u00f3quias, passaram a ser viajantes apressados para celebrar missas sem conta, sem disponibilidade interior para estudar e reflectir sobre o que andam a fazer e o que \u00e9 preciso que se fa\u00e7a. <\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o pode abandonar os crist\u00e3os, muitos ou poucos, novos ou velhos que eles sejam. Mas n\u00e3o se pode dispensar de ver como os deve ajudar melhor e como garantir o acolhimento, a riqueza da Palavra, dos Sacramentos e do amor solid\u00e1rio, como responder, com realismo, \u00e0s necessidades de cada um, para que possa viver e crescer na f\u00e9 e no compromisso apost\u00f3lico, segundo a sua idade e condi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode deixar de ver como fazer comunidade e praticar uma pastoral mission\u00e1ria, como dar tempo e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias, aos pobres, aos doentes e aos que, sem filhos pr\u00f3ximos, vivem na solid\u00e3o. E, ainda, como abrir o cora\u00e7\u00e3o de cada um \u00e0 comunh\u00e3o universal, para ningu\u00e9m se sinta isolado do mundo, como usar a r\u00e1dio e a televis\u00e3o para apoiar a sua vida religiosa e vencer o isolamento que deprime e empobrece. A situa\u00e7\u00e3o requer, como se v\u00ea, criatividade e inova\u00e7\u00e3o. Campo aberto ao padre que permanece no seu posto, fiel \u00e0 sua miss\u00e3o, dado a todos num mundo com caracter\u00edsticas novas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se faz ac\u00e7\u00e3o pastoral com nostalgias, nem copiando o que se realiza em par\u00f3quias diferentes. Tamb\u00e9m n\u00e3o se faz, por certo, minimizando ou abandonando o campo onde permanecem pessoas, que a\u00ed vivem e lutam. A hora n\u00e3o \u00e9 de afirma\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, mas de procura de caminhos novos, experimentados a\u00ed onde se vive e trabalha.<\/p>\n<p>De h\u00e1 muito se defende que \u00e9 bom que os padres vivam e trabalhem em equipa. Assim poder\u00e3o ser mais criativos e felizes, ter iniciativas v\u00e1lidas preparar leigos para novas tarefas e minist\u00e9rios, dado que o padre n\u00e3o \u00e9 dono, mas irm\u00e3o com os irm\u00e3os.  <\/p>\n<p>\u00c0s par\u00f3quias da cidade n\u00e3o lhes faltam problemas e exig\u00eancias, e o trabalho em equipa n\u00e3o \u00e9 a\u00ed menos urgente. N\u00e3o h\u00e1 mais \u201ca minha e a tua par\u00f3quia\u201d, mas a Igreja na cidade. O individualismo \u00e9 morte da ac\u00e7\u00e3o pastoral e p\u00e9ssimo exemplo para os paroquianos que restam. Grande organiza\u00e7\u00e3o, como foi timbre das par\u00f3quias modelo da d\u00e9cada de cinquenta, estagna, leva \u00e0 rotina, ao anonimato de quem sai da \u00f3rbita do padre, \u00e0 ac\u00e7\u00e3o delegada que esconde o rosto do p\u00e1roco e dificulta o contacto com ele, porque est\u00e1 presidindo a tudo, muito ocupado no escrit\u00f3rio e nada indispon\u00edvel para acolher e escutar. Onde abunda organiza\u00e7\u00e3o de chefe centralizador, falta vida e Evangelho.  <\/p>\n<p>A vida paroquial tem pecados de raiz, que agora v\u00eam ao de cima e podem ultrapassar-se mais facilmente. Estou convicto de que sem uma aten\u00e7\u00e3o cuidada \u00e0 realidade e \u00e0s v\u00e1rias estruturas pastorais, pessoais e can\u00f3nicas, no caso concreto, \u00e0s dioceses e par\u00f3quias, da parte de quem as deve servir, n\u00e3o \u00e9 possivel qualquer renova\u00e7\u00e3o. As estruturas n\u00e3o s\u00e3o um fim, mas meios necess\u00e1rios, que tanto podem ajudar a vida, como propiciar a morte e o afastamento das fontes da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As atitudes perante a mudan\u00e7a tanto podem favorecer como impedir a renova\u00e7\u00e3o. Por isso, se torna urgente, quando est\u00e1 em causa uma renova\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, que haja tempo para repensar, o que n\u00e3o se poder\u00e1 fazer sem escutar, confrontar, avaliar. 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