{"id":23126,"date":"2011-05-11T10:32:00","date_gmt":"2011-05-11T10:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23126"},"modified":"2011-05-11T10:32:00","modified_gmt":"2011-05-11T10:32:00","slug":"eu-sou-o-bom-empresario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/eu-sou-o-bom-empresario\/","title":{"rendered":"\u00abEu sou o bom empres\u00e1rio\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> \u00abNos \u00faltimos dias, diz o Senhor, derramarei o meu Esp\u00edrito sobre toda a criatura. Os vossos filhos e as vossas filhas h\u00e3o-de profetizar\u00bb, e toda a Humanidade sentir\u00e1 mais vivamente a For\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus. Com esta cita\u00e7\u00e3o do profeta Joel (3,1-5), come\u00e7a o discurso de Pedro (Actos 2,17-18), de que a 1\u00aa leitura s\u00f3 apresenta uma parte. \u00c9 uma For\u00e7a a que n\u00e3o podemos p\u00f4r entraves para com ela podermos dialogar, como se dialoga com um amigo. E pouco a pouco (ou por uma ilumina\u00e7\u00e3o inicial), vamos caindo na conta do que significa dizer que Jesus \u00e9 o Messias, o Cristo.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias passagens, o Antigo Testamento rompe com a ideia de uma autoridade constitu\u00edda como \u00fanico detentor da verdade: no tempo em que Mois\u00e9s ainda conduzia o seu povo pelo deserto, Deus quis dar o seu Esp\u00edrito a um grupo alargado de pessoas de confian\u00e7a do povo, tornando-os aptos a falar em nome de Deus. Logo houve quem se indignasse, junto de Mois\u00e9s, por dois homens estarem a profetizar sem terem estado presentes \u00e0 \u201ctomada de posse\u201d  \u2013  e Mois\u00e9s de responder: \u00abN\u00e3o tenham ci\u00fames! Quem dera que o Senhor enviasse o seu Esp\u00edrito sobre todo o povo!\u00bb (Livro dos N\u00fameros 11,24-29).<\/p>\n<p>Jesus encarnou, na Hist\u00f3ria, a For\u00e7a de Deus, que ama a cada um dos seres humanos ao longo de todos os tempos, e convida cada um a exprimir, \u00e0 medida e ao feitio dos \u00abtalentos\u00bb que lhe foram entregues, a sua contribui\u00e7\u00e3o para o projecto de um mundo novo, a \u00abnova cria\u00e7\u00e3o\u00bb de que fala toda a B\u00edblia, com imagens diversas.\t<\/p>\n<p>Para trabalharmos neste \u00abmundo novo\u00bb, a 2.\u00aa leitura aborda um tema delicado: devemos submeter-nos \u00e0 injusti\u00e7a?<\/p>\n<p>A passagem que se l\u00ea aplica-se s\u00f3 aos escravos daquele tempo, que a cultura judaica j\u00e1 tratava com relativa humanidade (\u00caxodo 21; Deuteron\u00f3mio 15). Na primitiva igreja crist\u00e3, v\u00e1rios escravos desempenharam altas fun\u00e7\u00f5es na comunidade. Jesus n\u00e3o se calou perante a injusti\u00e7a, e questionou o fundamento do poder de Pilatos (Jo\u00e3o 19,10-11). A posi\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o perante as autoridades deste mundo vem expressa nos par\u00e1grafos anteriores aos que s\u00e3o lidos (2,13-17): \u00abpraticando o bem, emudecereis a ignor\u00e2ncia dos insensatos\u00bb. A grande li\u00e7\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 sempre muito a fazer para melhorar o mundo. Estamos perante a preocupa\u00e7\u00e3o pela ordem, que se manifesta na paz. N\u00e3o \u00e9 verdade que continua a ser um grave desafio \u201cordenar\u201d o bem comum e o bem pessoal, regionalismo e universalismo, originalidade e massifica\u00e7\u00e3o, submiss\u00e3o e liberdade?<\/p>\n<p>Por fim, o \u00abdomingo do bom Pastor\u00bb s\u00f3 tem sentido no longo contexto hist\u00f3rico da pastor\u00edcia. As ovelhas est\u00e3o calmas porque o Pastor tem mais conhecimentos, sabe das melhores pastagens e protege a qualidade de vida das ovelhas. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pastor mas \u00aba porta\u00bb do redil: por ela \u00abse entra e sai\u00bb \u2013 hebra\u00edsmo que designa a confian\u00e7a e liberdade de quem usa essa porta, apontando a ac\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel das \u201covelhas\u201d, que agem em conformidade com o sentido de bem e mal.<\/p>\n<p>Hoje, Jesus poderia ser \u201co bom empres\u00e1rio\u201d (tamb\u00e9m h\u00e1 empres\u00e1rios da pol\u00edtica, da educa\u00e7\u00e3o, da pr\u00f3pria religi\u00e3o&#8230;), que defende a solidez da sua empresa: quem se arroga ser o que n\u00e3o \u00e9, quem atrai e engana, esse \u00e9 \u00abladr\u00e3o e salteador\u00bb. O mau empres\u00e1rio at\u00e9 faz neg\u00f3cio com \u00absalteadores e ladr\u00f5es\u00bb, e quando v\u00ea o perigo, agarra no dinheiro e foge, deixando os outros no desemprego e mis\u00e9ria. <\/p>\n<p>O \u00abbom empres\u00e1rio\u00bb estimula os empregados e f\u00e1-los participar numa gest\u00e3o sempre em melhoramento. Se os primeiros crist\u00e3os deram import\u00e2ncia ao \u00abt\u00famulo encontrado vazio\u00bb, foi para afirmar que seguem n\u00e3o um morto mas um vivente: um \u00abempres\u00e1rio\u00bb que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 sujeito a nenhum tipo de destrui\u00e7\u00e3o, porque foi exaltado pelo Esp\u00edrito de Deus e a sua ac\u00e7\u00e3o tem a sabedoria forte e suave desse Esp\u00edrito. Quaisquer restos mortais seriam facilmente usados como amuleto milagroso para curar os males que n\u00e3o nos apetece resolver. <\/p>\n<p>A empresa \u00e9 s\u00f3lida e tem lugar para os projectos mais futuristas \u2013 sempre com as portas abertas para se entrar e sair livremente. A norma \u00e9 a vontade criativa de cada qual para o bem comum.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}