{"id":23149,"date":"2011-06-22T10:19:00","date_gmt":"2011-06-22T10:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23149"},"modified":"2011-06-22T10:19:00","modified_gmt":"2011-06-22T10:19:00","slug":"familia-tema-nunca-esgotado-mesmo-num-mundo-secularizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/familia-tema-nunca-esgotado-mesmo-num-mundo-secularizado\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia, tema nunca esgotado, mesmo num mundo secularizado"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 coisas que n\u00e3o mudam, mesmo que muitas coisas mudem ou pare\u00e7am mudar \u00e0 sua volta. \u00c9 o caso da fam\u00edlia. Mudaram algumas das suas tarefas tradicionais, antes atribu\u00eddas exclusivamente aos diversos membros; mudou o estilo de rela\u00e7\u00e3o no interior do agregado familiar; surgiram novas oportunidades de interven\u00e7\u00e3o de ordem social e pol\u00edtica; alargou-se o fen\u00f3meno associativo; a opini\u00e3o p\u00fablica deparou-se com uma s\u00e9rie de leis referentes \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar, enquanto tal; deu-se um decr\u00e9scimo significativo do n\u00famero de casamentos na Igreja, sempre que se deparou com a indissolubilidade do v\u00ednculo conjugal, numa sociedade que reage a compromissos que comportam exig\u00eancias de perman\u00eancia; experimentou-se o confronto com outras situa\u00e7\u00f5es e express\u00f5es familiares, tanto na emigra\u00e7\u00e3o, como na conviv\u00eancia com os imigrantes que vivem entre n\u00f3s; viveu-se a evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o paralela, de filhos que acederam a uma escolaridade alargada e de pais pouco alfabetizados\u2026 Por\u00e9m, apesar das diversas convuls\u00f5es sociais e das leis que proliferaram durante o governo socialista, pretendendo, a pretexto de pluralismo e direitos individuais, atingir a institui\u00e7\u00e3o familiar no seu cerne, perduram e continuam na fam\u00edlia riquezas intoc\u00e1veis, que constituem o reduto da maior riqueza do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tecido estruturante da sociedade e c\u00e9lula viva da sociedade e da Igreja, a fam\u00edlia n\u00e3o pode deixar de merecer uma especial aten\u00e7\u00e3o tanto dos respons\u00e1veis do Estado, como dos das Igrejas crist\u00e3s e, muito especialmente, da Igreja Cat\u00f3lica. Esta aten\u00e7\u00e3o que, por parte dos governantes pol\u00edticos n\u00e3o foi uniforme e nem sempre realista, sempre constituiu um cuidado especial da Igreja, que proclama a fam\u00edlia como uma institui\u00e7\u00e3o a que a Provid\u00eancia ditou as suas leis, e \u00e0 qual outorgou uma miss\u00e3o inalien\u00e1vel e \u00fanica: a procria\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, a transmiss\u00e3o dos valores morais que estruturam a vida pessoal e em sociedade.<\/p>\n<p>Foi fruto desta convic\u00e7\u00e3o milenar e com esta preocupa\u00e7\u00e3o permanente que se realizaram s\u00ednodos, se escreveram documentos do magist\u00e9rio, se actualizaram ritos de prepara\u00e7\u00e3o e de celebra\u00e7\u00e3o, se gizaram planos pastorais, se multiplicaram iniciativas de forma\u00e7\u00e3o e de acompanhamento de casais e de jovens, se promoveram grupos de reflex\u00e3o e entreajuda, se fundaram movimentos e institui\u00e7\u00f5es, totalmente dedicadas \u00e0 fam\u00edlia, se geraram formas de efectiva solidariedade, em favor das fam\u00edlias com maiores necessidades e car\u00eancias de toda a ordem. Por\u00e9m, verifica-se que, apesar de tudo isto, nascem fam\u00edlias na Igreja, fruto do sacramento do Matrim\u00f3nio, marcadas, logo de in\u00edcio, pela fragilidade, com uma f\u00e9 pouco explicita e consistente, que logo se torna v\u00e3, impreparadas para viver a sua vida e realizar a sua miss\u00e3o em campo aberto, onde abundam concorrentes e sopram vendavais de toda a ordem.<\/p>\n<p>Repensar a ac\u00e7\u00e3o da Igreja com a fam\u00edlia e em seu favor, tem cada vez mais exig\u00eancias de conhecimento e discernimento da realidade que a envolve e dos dinamismos sociais e culturais que a atingem. N\u00e3o se pode esquecer que a fam\u00edlia tem uma dimens\u00e3o humana e social que a dimens\u00e3o religiosa e sacramental tem de reconhecer e respeitar para que a possa enobrecer. Quando penso no tipo das sess\u00f5es de prepara\u00e7\u00e3o para o casamento no templo, na celebra\u00e7\u00e3o festiva do mesmo, nas propostas de acompanhamento dos casais novos e dos casais j\u00e1 menos novos que procuram realizar, em felicidade crescente, a sua voca\u00e7\u00e3o matrimonial e parental, no acolhimento devido aos casais que vivem novas formas de conviv\u00eancia conjugal e dos que enfrentam especiais dificuldades no seu dia-a-dia, na situa\u00e7\u00e3o dos membros mais velhos da fam\u00edlia, muitos deles isolados nas suas casas em aldeias despovoadas do interior ou fechados em casas de familiares, nos bairros perif\u00e9ricos das cidades, e pensar, tamb\u00e9m, nos idosos, eternamente silenciosos, que enchem os lares, fico a reflectir sobre caminhos novos de uma renova\u00e7\u00e3o pastoral que traduzam com realismo a desejada ac\u00e7\u00e3o da Igreja em prol das fam\u00edlia. <\/p>\n<p>A fam\u00edlia volta, mais uma vez, a ser sujeito e actor de planos diocesanos de pastoral, aqui e noutras dioceses do pa\u00eds. Se ela \u00e9 o ponto de encontro de muitas alegrias e preocupa\u00e7\u00f5es, ela deve ser, de igual modo, o ponto de encontro de reflex\u00f5es actualizadas, decis\u00f5es unificadas, propostas realistas, respostas objectivas e medidas acertadas de preven\u00e7\u00e3o e de cura. De tudo a fam\u00edlia precisa, a tudo isto a Igreja se deve.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 coisas que n\u00e3o mudam, mesmo que muitas coisas mudem ou pare\u00e7am mudar \u00e0 sua volta. \u00c9 o caso da fam\u00edlia. 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