{"id":23211,"date":"2011-05-25T09:24:00","date_gmt":"2011-05-25T09:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23211"},"modified":"2011-05-25T09:24:00","modified_gmt":"2011-05-25T09:24:00","slug":"planta-de-1770-revela-casa-nobre-com-jardim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/planta-de-1770-revela-casa-nobre-com-jardim\/","title":{"rendered":"Planta de 1770 revela casa nobre com jardim"},"content":{"rendered":"<p>Planta de Aveiro do s\u00e9culo XVIII ajuda a compreender a evolu\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p>Na Biblioteca do Museu de Aveiro existe uma planta da cidade, de autoria an\u00f3nima e executada possivelmente entre 1770 e 1775, pe\u00e7a bastante interessante, n\u00e3o s\u00f3 pela sua beleza (ainda que algo danificada) mas, e sobretudo, pelas informa\u00e7\u00f5es que presta e por servir de base a imensas plantas topogr\u00e1ficas posteriores.<\/p>\n<p>Numa das faces, o documento apresenta uma planta topogr\u00e1fica do n\u00facleo urbano de Aveiro, n\u00e3o s\u00f3 na \u00e1rea situada dentro das muralhas e da zona da Beira-mar, mas tamb\u00e9m de partes ent\u00e3o distantes, como S\u00e1, Barrocas e, do lado oposto, Alboi, Baixa de Santo Ant\u00f3nio e Igreja de Santo Ant\u00f3nio. Na face oposta, o documento mostra um \u201cretrato\u201d de como era Aveiro nessa \u00e9poca, onde sobressa\u00eda a torre da Igreja de S. Miguel e as muralhas.<\/p>\n<p>Na grande maioria das cartas topogr\u00e1ficas posteriores, mesmo que baseadas nesse documento original, a zona da Baixa de Santo Ant\u00f3nio \u00e9 praticamente cortada logo ap\u00f3s a muralha, tal como a ent\u00e3o Rua de Santo Ant\u00f3nio (actual Rua Homem Cristo Filho). Por isso, nessas plantas n\u00e3o surge o jardim, em forma de cruz e com chafariz (?) no centro, anexo a uma casa nobre, onde funcionaram servi\u00e7os do Minist\u00e9rio da Agricultura, edif\u00edcio demolido quando da abertura da Avenida Artur Ravara. Se a avenida passou sobre a parte frontal desse secular im\u00f3vel, na zona traseira est\u00e1 agora a ser erguido um conjunto imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>O jardim deveria ser imponente para a \u00e9poca, uma vez que nessa planta s\u00f3 est\u00e3o \u201cretratados\u201d dois jardins, esse e o que se sup\u00f5e ter pertencido ao pal\u00e1cio da Marquesa de Arronches (pr\u00f3ximo da actual Escola Homem Cristo).<\/p>\n<p>Sobre a casa e o respectivo jardim pouco se sabe. Em meados do s\u00e9culo XIX, naquela zona, essa casa era o \u00faltimo edif\u00edcio da cidade, encontrando-se do lado oposto do Campo de Santo Ant\u00f3nio (actual Parque infante D. Pedro) o conjunto religioso formado pelo convento e igreja de Santo Ant\u00f3nio e pela capela de S. Francisco.<\/p>\n<p>Referindo-se a esse im\u00f3vel, num artigo intitulado \u201cMem\u00f3ria de Aveiro, no s\u00e9culo XIX\u201d, publicado em 1940, no volume VI do Arquivo do Distrito de Aveiro, Jos\u00e9 Ferreira da Cunha e Sousa escreveu: \u201cesta casa pertencia a um morgado da serra, por apelido Soares de Albergaria, de quem se contavam muitas fa\u00e7anhas, como jogador de pau nas feiras e arraiais, que ele \u00e0s vezes varria completamente; estava em parte desmoronada e desabitada, mostrando assim pertencer a um morgado rico. Foi afinal comprada pela vi\u00fava Barbosa, da Pra\u00e7a, que a reedificou e que pertence hoje, se n\u00e3o me engano, ao Sr. Dr. Ant\u00f3nio Em\u00edlio de Almeida Azevedo\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, o Padre Jo\u00e3o Vieira Resende, na \u201cMonografia da Gafanha\u201d, escreveu que essa casa pertenceu a Fernando Jos\u00e9 Camelo que, em testamento datado de 14 de Maio de 1792, a deixou \u00e0 sua mulher, D. Maria Eufr\u00e1sia Soares de Albergaria.<\/p>\n<p>Fernando Jos\u00e9 Camelo era neto de Jo\u00e3o Ferreira da Cruz, que instituiu Morgado na Quinta e Castelo de Vila da Feira, mais precisamente na capela de Nossa Senhora de Monserrate, na Quinta de Ribas-do-Castelo, o qual possu\u00eda propriedades \u201cnos distritos de Lisboa, Santar\u00e9m, Coimbra, Leiria, Viseu, Porto e Aveiro\u201d. Jo\u00e3o Vieira Resende acrescenta que \u201cpropriamente, na ent\u00e3o vila de Aveiro possu\u00eda v\u00e1rios pal\u00e1cios e casas em S\u00e1\u2026\u201d. O filho deste, Francisco Ant\u00f3nio Camelo, comprou a Lu\u00eds da Gama Rangel de Quadros e Maia vastas propriedades na orla da ria, entre os estaleiros da Gafanha da Nazar\u00e9 e a Mota da Gafanha da Encarna\u00e7\u00e3o, propriedades que deixou ao filho Fernando Jos\u00e9 Camelo. <\/p>\n<p>Numa pesquisa arqueol\u00f3gica efectuada h\u00e1 alguns anos nessa zona foram encontrados vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos com algum interesse, nomeadamente cer\u00e2micas, possivelmente datadas dos s\u00e9culos XVI ou XVII, com caracter\u00edsticas id\u00eanticas \u00e0s encontradas durante as escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas realizadas no Ver\u00e3o de 2010, no espa\u00e7o exterior nas traseiras da vizinha igreja de Santo Ant\u00f3nio, ainda que n\u00e3o tenham sido detectados vest\u00edgios de ru\u00ednas.                           C.F.<\/p>\n<p>Achados \u201cexcepcionais\u201d nas escava\u00e7\u00f5es do largo das Igrejas de Santo Ant\u00f3nio e de S. Francisco<\/p>\n<p>Os resultados da prospec\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica no conjunto monumental da Igreja de Santo Ant\u00f3nio, da Capela de S. Francisco e da Casa do Despacho, em Aveiro, s\u00e3o \u201cexcepcionais em termos de compreens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cer\u00e2mica nos s\u00e9culos XVII e XVIII, nomeadamente no que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da cer\u00e2mica do a\u00e7\u00facar\u201d, como real\u00e7a Paulo Morgado, ge\u00f3logo e geoarque\u00f3logo respons\u00e1vel e coordenador geral da interven\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica efectuada naquele espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Esses achados foram postos a descoberto nas escava\u00e7\u00f5es realizadas no espa\u00e7o exterior traseiro da Igreja de Santo Ant\u00f3nio, em finais do Ver\u00e3o de 2010. Para al\u00e9m das escava\u00e7\u00f5es, foram realizadas prospec\u00e7\u00f5es geof\u00edsicas, tanto no exterior como no interior dos dois templos, trabalhos que dever\u00e3o ser conclu\u00eddos com escava\u00e7\u00f5es no adro fronteiro da Igreja de Santo Ant\u00f3nio, local onde as sondagens apontam para a exist\u00eancia de sepulturas.<\/p>\n<p>Actualmente em fase de estudo em laborat\u00f3rio, esses achados arqueol\u00f3gicos podem, no dizer daquele geoarque\u00f3logo, ajudar a conhecer n\u00e3o s\u00f3 a hist\u00f3ria daquele conjunto monumental mas tamb\u00e9m de como seria um \u201cestaleiro de obra\u201d no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI e alguns objectos do quotidiano dos \u201cpedreiros\u201d e dos habitantes locais de ent\u00e3o. Podem tamb\u00e9m contribuir para o estudo da produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica e de azulejo em Aveiro.<\/p>\n<p>O trabalho arqueol\u00f3gico insere-se no projecto de reabilita\u00e7\u00e3o daquele conjunto monumental que a C\u00e2mara Municipal de Aveiro aprovou no \u00e2mbito do Parque da Sustentabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Planta de Aveiro do s\u00e9culo XVIII ajuda a compreender a evolu\u00e7\u00e3o da cidade. Na Biblioteca do Museu de Aveiro existe uma planta da cidade, de autoria an\u00f3nima e executada possivelmente entre 1770 e 1775, pe\u00e7a bastante interessante, n\u00e3o s\u00f3 pela sua beleza (ainda que algo danificada) mas, e sobretudo, pelas informa\u00e7\u00f5es que presta e por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-23211","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}