{"id":23216,"date":"2011-05-25T09:51:00","date_gmt":"2011-05-25T09:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23216"},"modified":"2011-05-25T09:51:00","modified_gmt":"2011-05-25T09:51:00","slug":"programa-politico-de-um-cidadao-cristao-responsavel-e-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/programa-politico-de-um-cidadao-cristao-responsavel-e-livre\/","title":{"rendered":"Programa pol\u00edtico de um cidad\u00e3o crist\u00e3o, respons\u00e1vel e livre"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 um programa partid\u00e1rio, nem vai a votos. Qualquer que seja o resultado dos que v\u00e3o \u00e0s urnas, este ser\u00e1 sempre um programa permanente, v\u00e1lido e imperioso. \u00c9 o programa dos que n\u00e3o se resignam a ficar calados e instalados, que sentem o dever de intervir com liberdade, sem medo e n\u00e3o olhar a proveitos pessoais. Pontos do programa para uma sociedade livre e aberta ao bem de todos. N\u00e3o s\u00e3o aqueles a que os partidos costumam dar maior aten\u00e7\u00e3o, mesmo que digam o contr\u00e1rio. A\u00ed v\u00e3o: <\/p>\n<p>1. Respeitar e defender a pessoa humana, homem ou mulher, ou seja, cada cidad\u00e3o, com a sua dignidade, direitos e deveres, capacidades e fragilidades, liberdade e aliena\u00e7\u00f5es. Sempre em ordem \u00e0 sua defesa, respeito e promo\u00e7\u00e3o. As pessoas s\u00e3o o verdadeiro patrim\u00f3nio da na\u00e7\u00e3o. Esta empobrece sempre que se matam os nascituros. N\u00e3o h\u00e1 cidad\u00e3os de primeira e de segunda. N\u00e3o pode haver pessoas a quem tudo sobra e pessoas a quem tudo falta, gente reverenciada e gente desprezada. Toca a todos, qualquer que tenha sido o seu ber\u00e7o, uma igual dignidade e condi\u00e7\u00e3o. As pessoas s\u00e3o mais importantes que os partidos pol\u00edticos. Tudo existe em fun\u00e7\u00e3o delas. <\/p>\n<p>2. Defender e promover a fam\u00edlia. A fam\u00edlia \u00e9 fundamental para cada pessoa e para a sociedade. Ela n\u00e3o pode sair do horizonte atento do nosso observat\u00f3rio social. Chega de projectos e leis de destrui\u00e7\u00e3o e de minimiza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, com base em ideologias estranhas e maiorias parlamentares. Quem n\u00e3o ama, n\u00e3o sabe o que \u00e9 o amor e a fam\u00edlia normal \u00e9 o espa\u00e7o normal do amor. As mudan\u00e7as sociais e culturais obrigam \u00e0 reflex\u00e3o para defender valores e institui\u00e7\u00f5es naturais e universais, n\u00e3o para os aniquilar ou relativizar. A fam\u00edlia tem vindo a ser maltratada pelo poder p\u00fablico e pela comunica\u00e7\u00e3o social. Tem sido desprotegida e minimizada em aspectos essenciais da sua vida e miss\u00e3o. Apoiar e defender a fam\u00edlia \u00e9 garantir o futuro do pa\u00eds e das pessoas e o seu necess\u00e1rio equil\u00edbrio afectivo. \u00c9 urgente lutar por pol\u00edticas familiares s\u00e9rias. J\u00e1 se fez de mais em contr\u00e1rio, por antipol\u00edtica que n\u00e3o respeitou a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>3. Dar sentido, humano e social, \u00e0 actividade econ\u00f3mica. A economia n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma, nem uma actividade para beneficiar apenas alguns. Porque necess\u00e1ria, n\u00e3o deve faltar aos seus gestores, pol\u00edticos ou empresariais, compet\u00eancia, sentido de justi\u00e7a, discernimento do essencial, sentido social. Numa economia de bem comum n\u00e3o h\u00e1 lugar para luxos e sup\u00e9rfluos, nem para proteccionismos injustos. Sempre assim, e mais ainda em tempos de uma crise grave, injusta e penosa.<\/p>\n<p>4. Dizer, sem medo, que o Governo n\u00e3o \u00e9 o Estado. O poder de quem governa s\u00f3 se pode entender como servi\u00e7o respons\u00e1vel \u00e0 comunidade. N\u00e3o \u00e9 uma provid\u00eancia sem limites, que promete o que n\u00e3o tem e n\u00e3o o pode dar. N\u00e3o \u00e9 o dono das pessoas para as manipular e delas se servir, a seu jeito e interesse. O horizonte permanente de quem governa \u00e9 o bem comum, o bem de todos, sem excep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de grupos ou claques partid\u00e1rias. O bem de todos, segundo as possibilidades nacionais, proporciona a todos os cidad\u00e3os, mesmo aos que n\u00e3o o querem aproveitar, aquilo a que t\u00eam direito para viver com dignidade. E, tamb\u00e9m, de modo a que possam colaborar, \u00e0 sua medida, para que todos beneficiem do mesmo, de igual modo. Aos governantes n\u00e3o se dispensa a lucidez sobre os objectivos para bem da comunidade, o administrar com honestidade o er\u00e1rio p\u00fablico, o acolher e fomentar a participa\u00e7\u00e3o regulamentada da iniciativa privada, o vencer a tenta\u00e7\u00e3o de totalitarismos e demagogias, o defender e dar exemplo claro de compromisso democr\u00e1tico. Respeitando e apoiando o princ\u00edpio da subsidiariedade, fundamental numa sociedade realista, se valoriza a sociedade civil e se p\u00f5e trav\u00e3o a monop\u00f3lios do Estado e de outros. <\/p>\n<p>5. Lutar por uma educa\u00e7\u00e3o em que o educando \u00e9 a prioridade. Educa\u00e7\u00e3o que olha a pessoa na sua integridade, aberta aos valores morais, \u00e9ticos e transcendentes, baseada em projectos educativos s\u00e9rios, ministrada por educadores preparados e honestos, integradora da fam\u00edlia, com liberdade para que esta possa intervir e optar por projectos educativos concretos. Educa\u00e7\u00e3o que responsabilize as comunidades locais pela promo\u00e7\u00e3o de um ambiente prop\u00edcio e as autarquias pela defesa de meios adequados. Educa\u00e7\u00e3o que seja uma preocupa\u00e7\u00e3o permanente de quem governa. Na educa\u00e7\u00e3o escolar, propicie-se a abertura ao mundo da cultura, da arte, do patrim\u00f3nio local, das tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3s, do respeito, ainda que cr\u00edtico, do passado, dos sentimentos e dos afectos que equilibram e enobrecem. Educar \u00e9 capacitar para a valoriza\u00e7\u00e3o pessoal, conviv\u00eancia sadia e participa\u00e7\u00e3o social. Educar para a necessidade de aprender at\u00e9 morrer, propiciando meios para que assim aconte\u00e7a. <\/p>\n<p>6. Defender os mais fr\u00e1geis da sociedade. H\u00e1 que ter sempre presente os mais pobres, as pessoas com defici\u00eancias graves, aqueles a que faltaram oportunidades para ir mais al\u00e9m, os imigrantes injusti\u00e7ados, os sem trabalho e sem abrigo, os com menor acesso \u00e0 sa\u00fade e seus cuidados, as fam\u00edlias desestruturadas, v\u00edtimas desprevenidas das miragens da irresponsabilidade social e pol\u00edtica. Neste sentido, h\u00e1 que promover a justi\u00e7a social, fomentar o voluntariado, estimular a solidariedade e a partilha fraterna.<\/p>\n<p>7.  Denunciar, por todos os meios, a corrup\u00e7\u00e3o, os abusos do poder, os favores partid\u00e1rios, a promo\u00e7\u00e3o dos incompetentes, a sabujice dos in\u00fateis, as arbitrariedades e o \u201cvale tudo\u201d, mesmo a mentira, para conseguir objectivos sonhados, mas imerecidos.<\/p>\n<p>8. Fazer com que a gente de boa vontade, da Igreja e da sociedade civil, lute por um Portugal de rosto lavado, consciente da sua hist\u00f3ria, dos seus valores, da sua cultura, das suas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3s, das suas responsabilidades, um pa\u00eds sem complexos de mais ou de menos, igual a si mesmo, com a sua originalidade e capacidades, mas, tamb\u00e9m, consciente dos seus defeitos, erros e limites.<\/p>\n<p>9. Acreditar, como crist\u00e3o, no valor determinante da f\u00e9 comprometida, alimentada nas ra\u00edzes evang\u00e9licas. Por um esfor\u00e7o comum, ela pode ajudar a libertar da corrup\u00e7\u00e3o, da mentira e da viol\u00eancia, uma sociedade que se deixou alienar pelo poder partid\u00e1rio e pela publicidade sem regras. Procurar, por coer\u00eancia e convic\u00e7\u00e3o, que as interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, individuais e comunit\u00e1rias, respeitem e promovam a dimens\u00e3o espiritual e crist\u00e3 da vida, a fraternidade sincera, o primado de Deus nas consci\u00eancias e no agir pessoal e social. Uma alternativa original onde cabem aqui todos os projectos sociais necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>10. Dir\u00e3o muitos que tudo isto \u00e9 ut\u00f3pico. \u00c9 sempre esta a opini\u00e3o de quem n\u00e3o se quer comprometer e acaba por ser v\u00edtima das suas omiss\u00f5es, arrastando outros consigo. A utopia \u00e9 sempre caminho e inspira\u00e7\u00e3o para novos horizontes de vida e novos caminhos de ac\u00e7\u00e3o. Nada mais ut\u00f3pico que o Evangelho de Cristo. A ele, por\u00e9m, v\u00e3o beber, desde h\u00e1 dois mil anos, todos os projectos pol\u00edticos e sociais que querem servir as pessoas, ter uma vida com sentido e resistir ao tempo. A falta de utopia sadia e de alimento do poder em fontes s\u00e3s n\u00e3o \u00e9 acaso a raz\u00e3o das crises sociais e morais que agora nos preocupam e atormentam? O meu programa \u00e9 este e ser-lhe-ei fiel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 um programa partid\u00e1rio, nem vai a votos. Qualquer que seja o resultado dos que v\u00e3o \u00e0s urnas, este ser\u00e1 sempre um programa permanente, v\u00e1lido e imperioso. \u00c9 o programa dos que n\u00e3o se resignam a ficar calados e instalados, que sentem o dever de intervir com liberdade, sem medo e n\u00e3o olhar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-23216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}