{"id":2323,"date":"2010-09-01T11:40:00","date_gmt":"2010-09-01T11:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2323"},"modified":"2010-09-01T11:40:00","modified_gmt":"2010-09-01T11:40:00","slug":"achados-prometedores-em-apenas-uma-semana-de-prospeccao-na-igreja-de-santo-antonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/achados-prometedores-em-apenas-uma-semana-de-prospeccao-na-igreja-de-santo-antonio\/","title":{"rendered":"Achados prometedores em apenas uma semana de prospec\u00e7\u00e3o na Igreja de Santo Ant\u00f3nio"},"content":{"rendered":"<p>A prospec\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica no espa\u00e7o exterior do conjunto arquitect\u00f3nico formado pela Igreja de Santo Ant\u00f3nio, Capela de S. Francisco e Casa do Despacho, em Aveiro, p\u00f4s a descoberto achados arqueol\u00f3gicos relevantes n\u00e3o s\u00f3 para a hist\u00f3ria daquele conjunto monumental, constru\u00eddo no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, mas tamb\u00e9m para o estudo da produ\u00e7\u00e3o de azulejos em Aveiro.<\/p>\n<p>Este trabalho arqueol\u00f3gico insere-se no projecto de reabilita\u00e7\u00e3o daqueles monumentos inclu\u00eddo pela C\u00e2mara Municipal de Aveiro no Parque da Sustentabilidade, do qual consta a reabilita\u00e7\u00e3o do edificado (coberturas, funda\u00e7\u00f5es, entre outras estruturas) e restauro das obras de arte (talha dourada, azulejos, pinturas murais, telas e esculturas).<\/p>\n<p>Paulo Morgado, ge\u00f3logo e geoarque\u00f3logo respons\u00e1vel e coordenador geral da interven\u00e7\u00e3o, sublinha que \u201ceste projecto do estudo arqueol\u00f3gico come\u00e7ou com uma campanha de prospec\u00e7\u00e3o geof\u00edsica, que se realizou no espa\u00e7o exterior fronteiro \u00e0s igrejas e dentro dos pr\u00f3prios templos. Neste espa\u00e7o traseiro n\u00e3o foi feita prospec\u00e7\u00e3o porque quando estivemos no terreno estava cheio de silvas e ervas o que impediu o nosso trabalho. O que fizemos foi localizar as \u00e1reas de sondagem ao solo na parte exterior, onde temos anomalias geof\u00edsicas, que temos de sondar para ver o que s\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nas traseiras das igrejas como n\u00e3o havia essa informa\u00e7\u00e3o, a equipa de arque\u00f3logos localizou os espa\u00e7os onde seria mais interessante a obten\u00e7\u00e3o de dados, pelo que as \u201cescava\u00e7\u00f5es\u201d est\u00e3o a ser efectuadas em dois locais distintos, de cada lado da capela-mor da Igreja de Santo Ant\u00f3nio, junto \u00e0s respectivas paredes, de modo a perceber os caboucos de funda\u00e7\u00e3o e como era a liga\u00e7\u00e3o entre a estratigrafia e a parede.<\/p>\n<p>No trabalho j\u00e1 efectuado, o arque\u00f3logo Ricardo Silva, director t\u00e9cnico e cient\u00edfico pela interven\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica, real\u00e7a que \u201cencontr\u00e1mos a vala de funda\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sapata, com material que nos vai indicar, de forma mais precisa, a data da constru\u00e7\u00e3o desta igreja, e que nos permite ver as diferen\u00e7as de constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sapata e, para al\u00e9m disso, foi descoberta uma fossa em negativo, escavada no substrato geol\u00f3gico, que se encontrava atulhada de material possivelmente anterior \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Igreja de Santo Ant\u00f3nio\u201d.<\/p>\n<p>O arque\u00f3logo explica como vai prosseguir a investiga\u00e7\u00e3o: \u201cEstamos ainda numa fase de trabalho de campo. Depois, ir\u00e1 decorrer o trabalho de gabinete, com lavagem e estudo dos materiais que foram exumados. S\u00f3 depois podemos datar e investigar esses achados\u201d. Dentro dos templos n\u00e3o houve interven\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica cl\u00e1ssica, com \u201cescava\u00e7\u00e3o\u201d. No adro fronteiro das igrejas tamb\u00e9m ir\u00e1 haver interven\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica, prevendo-se escavar um espa\u00e7o adjacente \u00e0 entrada do Igreja de Santo Ant\u00f3nio, uma vez que as sondagens geof\u00edsicas mostram a possibilidade de a\u00ed haver um conjunto de sepulturas.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Arqueologia de arquitectura<\/p>\n<p>Este trabalho arqueol\u00f3gico inclui n\u00e3o s\u00f3 \u201cescava\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201carqueologia de quota negativa\u201d, mas tamb\u00e9m \u201carqueologia da arquitectura\u201d, ou seja, sondagens feitas \u00e0s paredes, para ler o que est\u00e1 escondido atr\u00e1s das argamassas. \u201cIsso vai permitir-nos reconstituir a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o do edificado\u201d, diz Paulo Morgado, explicando que este processo baseia-se na abertura de \u201cjanelas\u201d para se analisar o tipo de constru\u00e7\u00e3o, os materiais usados, eventuais interven\u00e7\u00f5es anteriores e outros dados relevantes sobre os pr\u00f3prios edif\u00edcios.<\/p>\n<p>Paulo Morgado nota que a \u201carqueologia da arquitectura\u201d permite \u201cabrir janelas para o passado e ver o que aconteceu naquela parede ao longo dos tempos. Muitas vezes, encontramos antigas janelas e portas perfeitamente entaipadas, anula\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os, antigos postigos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos bons achados\u201d<\/p>\n<p>Ricardo Silva afirma que j\u00e1 h\u00e1 \u201cbons achados\u201d, os quais \u201cpodem dar pormenores da constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio e tamb\u00e9m sobre a pr\u00f3pria cultura das pessoas que viviam em Aveiro a partir do s\u00e9culo XVI\u201d. \u201cAtrav\u00e9s dos materiais cer\u00e2micos que exumamos podemos ver as rela\u00e7\u00f5es que essas pessoas teriam com outras de localidades vizinhas ou at\u00e9 mais long\u00ednquas\u201d, adianta.<\/p>\n<p>Dos achados, Paulo Morgado destaca instrumentos em pedra e em metal, dois alfinetes, um anel em bronze, mas a grande maioria s\u00e3o materiais cer\u00e2micos. \u201cDependendo do contexto, temos materiais distintos. No contexto mais antigo, que eu interpreto como remontando ao per\u00edodo da constru\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio convento de Santo Ant\u00f3nio, temos materiais coevos dos s\u00e9culos XVI e XVII. A\u00ed temos materiais de constru\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m temos materiais de utiliza\u00e7\u00e3o comum, nomeadamente de cozinha, o que nos indica que aqui existiu uma comunidade que se alimentava neste s\u00edtio. Temos fragmentos de ca\u00e7oilas, de bilhas, de pratos, de potes, entre outros\u201d<\/p>\n<p>Dos materiais de constru\u00e7\u00e3o, que remontam ao s\u00e9culo XVI, Paulo Morgado destaca \u201cpelo seu valor extraordin\u00e1rio, um azulejo que interpretamos como sendo uma produ\u00e7\u00e3o de Aveiro, ou uma proto-produ\u00e7\u00e3o ou tentativa de produ\u00e7\u00e3o de azulejos em Aveiro, com t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o semelhantes aos t\u00edpicos azulejos desse per\u00edodo, designados por sevilhanos ou hispano-\u00e1rabes, com aresta, mas muito tosco. Nessa altura j\u00e1 se produziam azulejos muito bons. A ser uma produ\u00e7\u00e3o de Aveiro, \u00e9 uma tentativa de produ\u00e7\u00e3o, em que o azulejo tem defeitos, tem pingos de vidrado. Os buracos das trempes est\u00e3o muito bem vincados. Mas d\u00e1-nos a informa\u00e7\u00e3o que houve a tentativa ou mesmo a produ\u00e7\u00e3o de azulejos em Aveiro ainda no s\u00e9culo XVI\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prospec\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica no espa\u00e7o exterior do conjunto arquitect\u00f3nico formado pela Igreja de Santo Ant\u00f3nio, Capela de S. 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