{"id":23239,"date":"2011-07-20T11:56:00","date_gmt":"2011-07-20T11:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23239"},"modified":"2011-07-20T11:56:00","modified_gmt":"2011-07-20T11:56:00","slug":"novas-luzes-sobre-o-grande-vulto-que-foi-mario-sacramento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/novas-luzes-sobre-o-grande-vulto-que-foi-mario-sacramento\/","title":{"rendered":"Novas luzes sobre o grande vulto que foi M\u00e1rio Sacramento"},"content":{"rendered":"<p>\u201cM\u00e1rio Sacramento, vida e pensamento. Sementes de Liberdade\u201d. Tese de doutoramento defendida em Fran\u00e7a deu origem a livro sobre o aveirense.<\/p>\n<p>O \u201cDi\u00e1rio\u201d de M\u00e1rio Sacramento \u00e9 \u201cuma das obras de maior amargura hist\u00f3rica do s\u00e9culo XX\u201d, comentou Ant\u00f3nio Pedro Pita, da Universidade de Coimbra, ao apresentar a obra de Eunice Malaquias Vouillot, \u201cM\u00e1rio Sacramento, vida e pensamento. Sementes de Liberdade\u201d, adaptada da sua tese de doutoramento, defendida na Sorbonne, Universidade de Paris, em 2002. No dizer do professor catedr\u00e1tico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o percurso de M\u00e1rio Sacramento deve ser lido e elucidado pelo seu \u201cDi\u00e1rio\u201d, \u201cum percurso compulsivo, violento, tr\u00e1gico, amargo.\u201d A\u00ed l\u00ea-se um autor cuja autoconsci\u00eancia o sentia destinado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, mas que foi conduzido \u00e0 actividade m\u00e9dica e ao ensa\u00edsmo por variadas circunst\u00e2ncias. <\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Pedro Pita categorizou os livros, dizendo que \u201ch\u00e1 livros que lemos e\u2026 pronto; h\u00e1 livros que lemos e que sentimos que aprendemos; e h\u00e1 livros que nos apetece continuar.\u201d \u00c9 o caso deste sobre M\u00e1rio Sacramento. Que n\u00facleos problem\u00e1ticos se distinguem na sua obra, que obsess\u00f5es alimentaram o m\u00e9dico ensa\u00edsta e o fizeram produzir uma obra t\u00e3o rica como a que nos legou? Foi este o di\u00e1logo que o professor de Coimbra encetou com a obra de Eunice M. Vouillot, em que s\u00e3o publicados alguns textos de M\u00e1rio Sacramento j\u00e1 conhecidos, mas outros ainda in\u00e9ditos.  <\/p>\n<p>Para o estudo da obra de M\u00e1rio Sacramento, Eunice Vouillot contou com a colabora\u00e7\u00e3o da vi\u00fava, Cec\u00edlia Sacramento, entretanto falecida, e da filha, Clara Sacramento, que assistiu \u00e0 sess\u00e3o de lan\u00e7amento organizada pela Associa\u00e7\u00e3o Promotora do Museu do Neo-Realismo e pela C\u00e2mara Municipal de Aveiro, na Biblioteca Municipal, no dia 12 de Julho.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s considerar que esta obra, que vem a lume pela editora Campo da Comunica\u00e7\u00e3o, apresenta uma revis\u00e3o meticulosa do itiner\u00e1rio intelectual de M\u00e1rio Sacramento, o orador desafiou o meio cultural e pol\u00edtico portugu\u00eas: como \u00e9 que o debate entre marxistas e cat\u00f3licos equacionou as rela\u00e7\u00f5es entre a exist\u00eancia e a transcend\u00eancia? Por que \u00e9 que M\u00e1rio Sacramento se dedicou ao estudo da ironia e a determinados autores? Como \u00e9 que se percebe que a est\u00e9tica da ironia \u00e9 o eixo da sua obra? Como se ir\u00e1 comportar o meio cultural, pol\u00edtico e art\u00edstico com a publica\u00e7\u00e3o desta obra \u201cM\u00e1rio Sacramento, vida e pensamento Sementes de Liberdade\u201d, que vem restituir M\u00e1rio Sacramento ao debate e \u00e0 reflex\u00e3o, perguntou.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Pedro Pita rematou, afirmando que, apesar da conhecida dimens\u00e3o pol\u00edtica de M\u00e1rio Sacramento, \u201co que sabemos \u00e9 superficial e o que n\u00e3o sabemos \u00e9 essencial\u201d.<\/p>\n<p>Teresa Correia<\/p>\n<p>Homem interventivo e solid\u00e1rio<\/p>\n<p>M\u00e1rio Em\u00edlio de Morais Sacramento nasceu em \u00cdlhavo, a 7 de Julho de 1920, e faleceu aos 49 anos. Exerceu medicina, de maneira sol\u00edcita para com os mais pobres; dedicou-se ao ensa\u00edsmo, divulgando a est\u00e9tica da ironia em E\u00e7a de Queir\u00f3s e analisando v\u00e1rios autores do neo-realismo portugu\u00eas. Militante do Partido Comunista Portugu\u00eas, esteve preso durante o regime de Salazar e desempenhou um papel decisivo, em 1957, na organiza\u00e7\u00e3o do I Congresso Republicano, que teve lugar em Aveiro. Apesar de ter colaborado na prepara\u00e7\u00e3o do II Congresso Republicano, tamb\u00e9m realizado em Aveiro no m\u00eas de Maio de 1969, n\u00e3o p\u00f4de participar, pois a sua morte ocorreu em Mar\u00e7o desse ano.<\/p>\n<p>\u00c9 dele o famoso \u201cFr\u00e1tria &#8211; Di\u00e1logo com os cat\u00f3licos ou talvez n\u00e3o\u201d, prefaciado pelo Padre Filipe Rocha (Aveiro) e que pode ser consultado na Biblioteca Municipal de Aveiro. M\u00e1rio Sacramento d\u00e1 nome a uma avenida de \u00cdlhavo e a uma rua de Aveiro. Nesta cidade \u00e9 patrono de uma escola secund\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cM\u00e1rio Sacramento, vida e pensamento. Sementes de Liberdade\u201d. Tese de doutoramento defendida em Fran\u00e7a deu origem a livro sobre o aveirense. 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