{"id":23315,"date":"2011-09-21T10:35:00","date_gmt":"2011-09-21T10:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23315"},"modified":"2011-09-21T10:35:00","modified_gmt":"2011-09-21T10:35:00","slug":"ateus-inteligentes-e-compassiovs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ateus-inteligentes-e-compassiovs\/","title":{"rendered":"Ateus inteligentes e compassiovs?"},"content":{"rendered":"<p>Livro <!--more--> Um Mundo sem Deus. Ensaios sobre o Ate\u00edsmo<\/p>\n<p>Michael Martin (dir.)<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00f5es 70<\/p>\n<p>424 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Pode um jornal da Igreja cat\u00f3lica apresentar um livro que tem como finalidade uma aproxima\u00e7\u00e3o que se quer s\u00e9ria, n\u00e3o panflet\u00e1ria, ao ate\u00edsmo? Pode e deve, se tivermos em conta a velha recomenda\u00e7\u00e3o da 1.\u00aa Carta de Pedro: \u201c[Estai] sempre dispostos a dar a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a a todo aquele que vo-la pe\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida que o cristianismo, hoje como ontem, tem uma dimens\u00e3o apolog\u00e9tica. \u00c9 preciso mostrar e defender que podemos acreditar em algo e Algu\u00e9m que est\u00e1 para l\u00e1 da raz\u00e3o e que isso n\u00e3o \u00e9 irracional, nem obsoleto nem prejudicial, como alguns pretendem fazer crer. Mas se em gera\u00e7\u00f5es passadas o ateu tinha de apresentar as raz\u00f5es da sua descren\u00e7a, pois era a excep\u00e7\u00e3o no meio da regra, hoje, em meios progressivamente agn\u00f3sticos e indiferentes, \u00e9 ao crente que \u00e9 pedida a justifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este livro re\u00fane 18 ensaios escritos por especialistas de renome de l\u00edngua inglesa. O ate\u00edsmo \u00e9 abordado do ponto de vista hist\u00f3rico, psicol\u00f3gico, sociol\u00f3gico e filos\u00f3fico. H\u00e1 espa\u00e7o para os argumentos te\u00edstas da exist\u00eancia de Deus, mas o pano de fundo \u00e9, sem d\u00favida, a defesa do ate\u00edsmo. E com esta hip\u00f3tese da n\u00e3o exist\u00eancia de Deus (ser\u00e1 sempre hip\u00f3tese e, como como escreveu Joseph Ratzinger num livro de 1968, quem quiser fugir das incertezas da f\u00e9 ter\u00e1 sempre de suportar as incertezas da aus\u00eancia de f\u00e9), veiculam-se outras que sem d\u00favida s\u00e3o pol\u00e9micas e, tanto quanto se pode observar, n\u00e3o est\u00e3o a ter suficiente debate nos meios cat\u00f3licos ou, pelo menos, nas faculdades, que disso t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o. Algumas delas: ser feminista exige que se seja ateia; os ateus s\u00e3o mais evolu\u00eddos dos que os crentes; os ateus s\u00e3o menos sugestion\u00e1veis, menos dogm\u00e1ticos e menos preconceituosos do que os crentes; os ateus s\u00e3o mais tolerantes, obedientes \u00e0 lei, compassivos e conscienciosos. Em suma, escreve-se na introdu\u00e7\u00e3o geral, os ateus \u201cs\u00e3o bons vizinhos\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o duvido que sejam. Por\u00e9m, um dos erros que perpassa por muitos dos artigos consiste em p\u00f4r todas as religi\u00f5es e f\u00e9s no mesmo saco, como se a f\u00e9 cr\u00edtica ou de doa\u00e7\u00e3o ao outro equivalesse ao fundamentalismo ing\u00e9nuo \u2013 e por vezes perigoso.<\/p>\n<p>Esta obra, em parte, \u00e9 fruto do ressurgir da quest\u00e3o de Deus nas universidades laicas inglesas e dos EUA. Deus (ou a sua nega\u00e7\u00e3o) n\u00e3o ser\u00e1 s\u00f3 uma quest\u00e3o de argumentos e debates. \u00c9 tamb\u00e9m de viv\u00eancia do dia-a-dia, de beleza, de ritos, de convic\u00e7\u00f5es n\u00e3o teoriz\u00e1veis, de doa\u00e7\u00e3o. Mas se os crentes n\u00e3o est\u00e3o presentes no debate sobre Deus, quem vai estar? Perde-se por falta de compar\u00eancia?<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-23315","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros-e-multimedia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23315\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}