{"id":23398,"date":"2011-11-16T11:21:00","date_gmt":"2011-11-16T11:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23398"},"modified":"2011-11-16T11:21:00","modified_gmt":"2011-11-16T11:21:00","slug":"fe-crista-como-instrumento-da-paz-de-deus-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/fe-crista-como-instrumento-da-paz-de-deus-no-mundo\/","title":{"rendered":"F\u00e9 crist\u00e3 como instrumento da paz de Deus no mundo"},"content":{"rendered":"<p>A liberdade \u00e9 um grande bem. Mas o mundo da liberdade revelou-se, em grande medida, sem orienta\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o poucos entendem, erradamente, a liberdade tamb\u00e9m como liberdade para a viol\u00eancia. A disc\u00f3rdia assume novas e assustadoras fisionomias e a luta pela paz deve-nos estimular a todos de um modo novo.<\/p>\n<p>Procuremos identificar, mais de perto, as novas fisionomias da viol\u00eancia e da disc\u00f3rdia. Em grandes linhas, parece-me que \u00e9 poss\u00edvel individuar duas tipologias diferentes de novas formas de viol\u00eancia, que s\u00e3o diametralmente opostas na sua motiva\u00e7\u00e3o e, nos particulares, manifestam muitas variantes. Primeiramente temos o terrorismo, no qual, em vez de uma grande guerra, realizam-se ataques bem definidos que devem atingir pontos importantes do advers\u00e1rio, de modo destrutivo e sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o pelas vidas humanas inocentes, que acabam cruelmente ceifadas ou mutiladas. Aos olhos dos respons\u00e1veis, a grande causa da danifica\u00e7\u00e3o do inimigo justifica qualquer forma de crueldade. \u00c9 posto de lado tudo aquilo que era comummente reconhecido e sancionado como limite \u00e0 viol\u00eancia no direito internacional. Sabemos que, frequentemente, o terrorismo tem uma motiva\u00e7\u00e3o religiosa e que precisamente o car\u00e1cter religioso dos ataques serve como justifica\u00e7\u00e3o para esta crueldade monstruosa, que cr\u00ea poder anular as regras do direito por causa do \u00abbem\u00bb pretendido. Aqui a religi\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o da paz, mas da justifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Como crist\u00e3o, quero dizer, neste momento: \u00c9 verdade, na hist\u00f3ria, tamb\u00e9m se recorreu \u00e0 viol\u00eancia em nome da f\u00e9 crist\u00e3. Reconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de d\u00favida, tratou-se de um uso abusivo da f\u00e9 crist\u00e3, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza. O Deus em quem n\u00f3s, crist\u00e3os, acreditamos \u00e9 o Criador e Pai de todos os homens, a partir do qual todas as pessoas s\u00e3o irm\u00e3os e irm\u00e3s entre si e constituem uma \u00fanica fam\u00edlia. A Cruz de Cristo \u00e9, para n\u00f3s, o sinal daquele Deus que, no lugar da viol\u00eancia, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro. O seu nome \u00e9 \u00abDeus do amor e da paz\u00bb (2 Cor 13,11). \u00c9 tarefa de todos aqueles que possuem alguma responsabilidade pela f\u00e9 crist\u00e3, purificar continuamente a religi\u00e3o dos crist\u00e3os a partir do seu centro interior, para que \u2013 apesar da fraqueza do homem \u2013 seja verdadeiramente instrumento da paz de Deus no mundo.<\/p>\n<p>Se hoje uma tipologia fundamental da viol\u00eancia tem motiva\u00e7\u00e3o religiosa, colocando assim as religi\u00f5es perante a quest\u00e3o da sua natureza e obrigando-nos a todos a uma purifica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma segunda tipologia de viol\u00eancia, de aspecto multiforme, que possui uma motiva\u00e7\u00e3o exactamente oposta: \u00e9 a consequ\u00eancia da aus\u00eancia de Deus, da sua nega\u00e7\u00e3o e da perda de humanidade que resulta disso. Como dissemos, os inimigos da religi\u00e3o v\u00eaem nela uma fonte prim\u00e1ria de viol\u00eancia na hist\u00f3ria da humanidade e, consequentemente, pretendem o desaparecimento da religi\u00e3o. Mas o \u00abn\u00e3o\u00bb a Deus produziu crueldade e uma viol\u00eancia sem medida, que foi poss\u00edvel s\u00f3 porque o homem deixara de reconhecer qualquer norma e juiz superior, mas tomava por norma somente a si mesmo. Os horrores dos campos de concentra\u00e7\u00e3o mostram, com toda a clareza, as consequ\u00eancias da aus\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de Deus leva \u00e0 decad\u00eancia do homem e do humanismo. Mas, onde est\u00e1 Deus? Temos n\u00f3s possibilidades de O conhecer e mostrar novamente \u00e0 humanidade, para fundar uma verdadeira paz?<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Ao lado destas duas realidades, religi\u00e3o e anti-religi\u00e3o, existe, no mundo do agnosticismo em expans\u00e3o, outra orienta\u00e7\u00e3o de fundo: pessoas \u00e0s quais n\u00e3o foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade, est\u00e3o \u00e0 procura de Deus. Tais pessoas n\u00e3o se limitam a afirmar \u00abN\u00e3o existe nenhum Deus\u00bb, mas elas sofrem devido \u00e0 sua aus\u00eancia e, procurando a verdade e o bem, est\u00e3o, intimamente est\u00e3o a caminho d\u2019Ele. S\u00e3o \u00abperegrinos da verdade, peregrinos da paz\u00bb. Colocam quest\u00f5es tanto a uma parte como \u00e0 outra. Aos ateus combativos, tiram-lhes aquela falsa certeza com que pretendem saber que n\u00e3o existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de pol\u00e9micos, pessoas \u00e0 procura, que n\u00e3o perdem a esperan\u00e7a de que a verdade exista e que n\u00f3s podemos e devemos viver em fun\u00e7\u00e3o dela. Mas, tais pessoas chamam em causa tamb\u00e9m os membros das religi\u00f5es, para que n\u00e3o considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados \u00e0 viol\u00eancia contra os demais. Estas pessoas procuram a verdade, procuram o verdadeiro Deus, cuja imagem n\u00e3o raramente fica escondida nas religi\u00f5es, devido ao modo como eventualmente s\u00e3o praticadas. Que os agn\u00f3sticos n\u00e3o consigam encontrar a Deus depende tamb\u00e9m dos que cr\u00eaem, com a sua imagem diminu\u00edda ou mesmo deturpada de Deus. Assim, a sua luta interior e o seu interrogar-se constituem para os que cr\u00eaem tamb\u00e9m um apelo a purificarem a sua f\u00e9, para que Deus \u2013 o verdadeiro Deus \u2013 se torne acess\u00edvel.<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Concluindo, queria assegurar-vos de que a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o desistir\u00e1 da luta contra a viol\u00eancia, do seu compromisso pela paz no mundo. Vivemos animados pelo desejo comum de ser \u00abperegrinos da verdade, peregrinos da paz\u00bb.<\/p>\n<p>Excertos do discurso de Bento XVI no encontro inter-religioso de Assis, no dia 27 de Outubro de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liberdade \u00e9 um grande bem. Mas o mundo da liberdade revelou-se, em grande medida, sem orienta\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o poucos entendem, erradamente, a liberdade tamb\u00e9m como liberdade para a viol\u00eancia. A disc\u00f3rdia assume novas e assustadoras fisionomias e a luta pela paz deve-nos estimular a todos de um modo novo. 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