{"id":23419,"date":"2011-10-06T10:22:00","date_gmt":"2011-10-06T10:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23419"},"modified":"2011-10-06T10:22:00","modified_gmt":"2011-10-06T10:22:00","slug":"na-liturgia-o-canto-facilita-o-encontro-com-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/na-liturgia-o-canto-facilita-o-encontro-com-deus\/","title":{"rendered":"Na Liturgia o canto facilita o encontro com Deus"},"content":{"rendered":"<p>JO\u00c3O GAMBOA<\/p>\n<p>Autor e dirigente coral<\/p>\n<p>Na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica n\u00e3o se canta para agradar \u00e0s pessoas \u2013 os cantores ou a assembleia \u2013, canta-se a Palavra de Deus que \u00e9, desde todo o tempo e sempre, uma espada de dois gumes, brasa ardente que purifica os l\u00e1bios, refrig\u00e9rio e consola\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es. Na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, a m\u00fasica encontra-se totalmente ao servi\u00e7o da manifesta\u00e7\u00e3o do Nome de Deus. O seu objectivo n\u00e3o \u00e9 o entretenimento social ou o deleite emotivo, \u00e9 antes uma experi\u00eancia viva e participada de f\u00e9. Por outras palavras: a m\u00fasica lit\u00fargica, na sua constru\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o, \u00e9 aquela que permite e ajuda a rezar em adora\u00e7\u00e3o, aquela que n\u00e3o atrai a aten\u00e7\u00e3o para si mas, antes, na abstrac\u00e7\u00e3o total de si, nos coloca num ambiente de ora\u00e7\u00e3o e de viv\u00eancia privilegiada da f\u00e9.<\/p>\n<p>Se isto, pelo menos, n\u00e3o for conhecido e tido em conta, \u00e9 evidente que a m\u00fasica que se escolhe e canta n\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica boa, n\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica nobre. Ent\u00e3o, em vez de atitude e ambiente de ora\u00e7\u00e3o, temos espect\u00e1culo com barulho e banalidades; em vez de textos belos e com for\u00e7a tirados ou inspirados na Sagrada Escritura e que sublinham as ideias das Leituras a proclamar ou j\u00e1 proclamadas, ouvem-se palavras enfezadas e banais que nada dizem do essencial, promovem imagens imperfeitas de Deus e de Cristo e at\u00e9 inculcam erros doutrinais; em vez do encontro com Deus presente na Assembleia lit\u00fargica e na sua luminosa Palavra, o edif\u00edcio lit\u00fargico desagrega-se, n\u00e3o se vislumbra o Transcendente e tudo n\u00e3o passa de simples conv\u00edvio de pessoas.<\/p>\n<p>Cantar e tocar bem um instrumento na Liturgia \u00e9 rezar. Para cantar bem \u00e9 preciso ter boa voz e bom ouvido, mas requer-se sobretudo uma adequada atitude interior \u2013 cantar com alma! \u2013 e escolher bons c\u00e2nticos. Os c\u00e2nticos devem exprimir a F\u00e9 da Igreja e n\u00e3o um vago sentimento do religioso, individualista e prom\u00edscuo. Abundam por a\u00ed as can\u00e7onetas de consumo que impedem e paralisam o crescimento interior, n\u00e3o aproximam de Deus e n\u00e3o conduzem a um di\u00e1logo sincero com Ele. A linguagem musical t\u00edpica da liturgia tem como modelos o canto gregoriano e a polifonia cl\u00e1ssica. Diz-me o que cantas na Liturgia e dir-te-ei a f\u00e9 que tens.<\/p>\n<p>Tanto temos a estudar e a aprender! Tanto temos a corrigir e a aperfei\u00e7oar! Tanto temos a renovar! Todos \u2013 sobretudo respons\u00e1veis e orientadores de Coros e sacerdotes! Haja tamb\u00e9m quem nos ensine e queiramos n\u00f3s aprender! Antes do ver\u00e3o, o ISCRA (Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro) organizou e anunciou um curso de tr\u00eas dias sobre \u201cA m\u00fasica na Liturgia\u201d. N\u00e3o se realizou porque as inscri\u00e7\u00f5es eram insuficientes.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m que participou, h\u00e1 semanas, na celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de um matrim\u00f3nio com eucaristia, testemunhava-me que \u201ca \u00fanica coisa que se aproveitou foi o coro\u201d. Outra pessoa contou-me que, numa missa paroquial em que tomava posse o novo p\u00e1roco, havia um ambiente de cochichos e risotas, distrac\u00e7\u00e3o e movimenta\u00e7\u00f5es despropositadas; que o \u00fanico c\u00e2ntico com car\u00e1cter e qualidade lit\u00fargicos foi o salmo responsorial e s\u00f3 este foi acompanhado pelo \u00f3rg\u00e3o; que o resto eram can\u00e7\u00f5es com textos longos, confusos e pobres de conte\u00fado, projectados num ecr\u00e3 (e isso \u00e9 que lhe permitiu \u201couvi-los\u201d), e acompanhados com guitarras, n\u00e3o dedilhadas mas batidas, incluindo o ato penitencial e o \u201cCordeiro de Deus\u201d; que a pessoa que \u201cdirigia\u201d o canto tocava guitarra, de p\u00e9, em frente ao coro; que a prociss\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o das oferendas era constitu\u00edda por uma vintena de pessoas com objectos que n\u00e3o eram destinados nem aos pobres nem \u00e0 Igreja\u2026<\/p>\n<p>A gente ouve estes relatos e testemunhos e, imaginando e observando tamb\u00e9m algum caos lit\u00fargico, fica triste e apreensivo, decepcionado, em sofrimento\u2026<\/p>\n<p>No monte de Deus, o Horeb, Elias n\u00e3o encontrou Deus no vento impetuoso, nem no abalo de terra destruidor, nem no fogo aterrador. O Senhor manifestou-se-lhe na brisa suave e ligeira (1 Reis 19, 9a. 11-13a). Na vida por a\u00ed e na Casa de Deus, na Liturgia, Deus n\u00e3o se revela no barulho e na agita\u00e7\u00e3o, na ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica mal organizada, no canto inadequado. A celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, que \u00e9 a\u00e7\u00e3o sagrada por excel\u00eancia, deve ser espa\u00e7o de contempla\u00e7\u00e3o e tempo de interioriza\u00e7\u00e3o e crescimento, pela escuta da Palavra, pela ora\u00e7\u00e3o e pelo verdadeiro encontro com Deus. O canto deve ser facilitador dessa experi\u00eancia espiritual e de f\u00e9. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JO\u00c3O GAMBOA Autor e dirigente coral Na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica n\u00e3o se canta para agradar \u00e0s pessoas \u2013 os cantores ou a assembleia \u2013, canta-se a Palavra de Deus que \u00e9, desde todo o tempo e sempre, uma espada de dois gumes, brasa ardente que purifica os l\u00e1bios, refrig\u00e9rio e consola\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es. 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