{"id":23422,"date":"2011-10-12T10:37:00","date_gmt":"2011-10-12T10:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23422"},"modified":"2011-10-12T10:37:00","modified_gmt":"2011-10-12T10:37:00","slug":"pela-mao-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pela-mao-de-deus\/","title":{"rendered":"Pela m\u00e3o de Deus"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Ciro, rei dos Medos e Persas, ao conquistar Babil\u00f3nia, libertou os Judeus de um longo e duro cativeiro e favoreceu a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. Era um rei que n\u00e3o seguia de modo nenhum os costumes e religi\u00e3o do \u00abpovo escolhido\u00bb. Quando tomou esta decis\u00e3o de profunda humanidade, de toler\u00e2ncia activa e de not\u00e1vel vis\u00e3o pol\u00edtica, apoiou-se na autoridade do deus m\u00e1ximo da Babil\u00f3nia \u2013  Bel-Marduk. Seguindo o ritual em uso para a sagra\u00e7\u00e3o do rei, aproximou-se da est\u00e1tua do deus e estendeu a m\u00e3o, dando a entender que era conduzido pela for\u00e7a divina. Aparentemente, pela m\u00e3o deste \u00abdeus pag\u00e3o\u00bb, foi o \u00abpovo escolhido\u00bb libertado e favorecido para reconstruir o templo onde, por sua vez, desse a m\u00e3o a Jav\u00e9.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no livro de Isa\u00edas, lemos que foi Jav\u00e9 quem tomou Ciro pela m\u00e3o e guiou o seu gesto. E tanto se agradou da colabora\u00e7\u00e3o de Ciro, que lhe chamou \u00abmeu ungido\u00bb (ou \u00abmeu cristo\u00bb), escolhido desde a concep\u00e7\u00e3o para ser um bra\u00e7o forte em favor do \u00abpovo escolhido\u00bb.<\/p>\n<p>Foi a hist\u00f3ria de uma rela\u00e7\u00e3o entre C\u00e9sar e Deus.<\/p>\n<p>O Antigo Testamento \u00e9 pr\u00f3digo nos contrastes entre o deus do \u00abpovo escolhido\u00bb e os outros deuses. Experimentaram que s\u00f3 Jav\u00e9 \u00e9 vivo, t\u00e3o vivo que n\u00e3o pode ser representado por est\u00e1tua ou imagem alguma.<\/p>\n<p>Mas Ciro pode ser exemplo de \u00abtoler\u00e2ncia activa\u00bb: a que n\u00e3o se reduz a uma certa indulg\u00eancia frequentemente arrogante, mas, como neste caso, valoriza todas as manifesta\u00e7\u00f5es de procura sincera do deus vivo. O conhecimento dos diversos caminhos elimina preconceitos e ideias fixas, enriquecendo o caminho de cada qual. Uma f\u00e9 s\u00f3 \u00e9 adulta quando n\u00e3o tem medo das aventuras da raz\u00e3o. Mas \u00e9 preciso que o nosso caminho para Deus n\u00e3o seja pervertido pela tenta\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio e condena\u00e7\u00e3o dos outros. Ao longo dos tempos, muitos C\u00e9sares procuraram impor a religi\u00e3o mais conveniente ao poder. E este modo de ser C\u00e9sar \u00e9 tentador\u2026<\/p>\n<p>Na Europa do p\u00f3s-guerra, foi grande o debate da posi\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o na cena pol\u00edtica, concretamente dos crist\u00e3os empenhados. Deus e C\u00e9sar estar\u00e3o cada um para o seu lado?<\/p>\n<p>Os profetas do Antigo Testamento ergueram-se contra os desvios dos chefes pol\u00edticos e religiosos. Perante Pilatos, Jesus Cristo disse: \u00abNenhum poder terias sobre mim, se n\u00e3o te tivesse sido dado do Alto\u00bb. O mesmo poder que ordenou \u00aba matan\u00e7a de inocentes\u00bb, ao longo de todos os s\u00e9culos. O mesmo poder que mata milh\u00f5es de homens s\u00f3 para se afirmar como poder.<\/p>\n<p>S\u00f3 Deus dar\u00e1 sentido aos desvios e crueldades dos \u00abC\u00e9sares\u00bb. S\u00f3 Deus, porque n\u00e3o parece que os Homens alguma vez o consigam dar. E n\u00e3o tenhamos ilus\u00f5es: n\u00e3o h\u00e1 l\u00f3gica bastante para explicar Deus e as rela\u00e7\u00f5es entre Deus e C\u00e9sar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m s\u00f3 Deus p\u00f4de dar sentido \u00e0 vida e morte de Jesus. E manifestou esse sentido, abrindo os olhos de todos os \u00abHomens de boa vontade\u00bb (Jo\u00e3o XXIII) para nele reconhecerem o t\u00edtulo pleno de Messias (Cristo) e Filho de Deus. Esse Jesus de que fala a 2\u00aa leitura, o primeiro escrito conhecido do Novo Testamento (anos 50). <\/p>\n<p>Esse Jesus que, ao ensinar o Pai Nosso, nos incitou a desejar que tudo se passe na terra como seria do agrado de Deus, no meio sonho de que os C\u00e9sares o sejam \u00e0 imagem do pr\u00f3prio Deus, zelando pelo bem-estar f\u00edsico e espiritual da imagem de Deus \u2013 que \u00e9 cada pessoa. Numa aut\u00eantica organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a preocupa\u00e7\u00e3o pela felicidade de toda a humanidade supera medos e interesses egoc\u00eantricos.<\/p>\n<p>Pela m\u00e3o de Deus, damos a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, adquirindo discernimento quanto aos diversos modos e n\u00edveis de concretiza\u00e7\u00e3o dos valores, e participando na pol\u00edtica de um modo adulto.<\/p>\n<p>Pela m\u00e3o de C\u00e9sar, dev\u00edamos ter melhores possibilidades de dar a Deus o que \u00e9 de Deus. D\u00e1-se a Deus o que \u00e9 de Deus, escolhendo o melhor exerc\u00edcio da nossa liberdade, sem ter vergonha de Deus, sem ter vergonha da vida, sem ter vergonha do amor.<\/p>\n<p>Os seres humanos s\u00e3o semelhantes \u00e0s ervas dos campos, que se espalham e secam e renascem conquistando as mais \u00edngremes encostas. Pela m\u00e3o de Deus, descobrimos que \u00absomos mais que as flores do campo e as avezinhas do c\u00e9u\u00bb. <\/p>\n<p>Dar a m\u00e3o a Deus \u00e9 dar a m\u00e3o \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23422","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23422\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}