{"id":23582,"date":"2012-02-09T11:42:00","date_gmt":"2012-02-09T11:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23582"},"modified":"2012-02-09T11:42:00","modified_gmt":"2012-02-09T11:42:00","slug":"as-raizes-eticas-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-raizes-eticas-da-democracia\/","title":{"rendered":"As ra\u00edzes \u00e9ticas da democracia"},"content":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a <!--more--> Num tempo de apurado debate sobre o futuro, fazemos uma pequena incurs\u00e3o sobre o pensamento\u2026 do futuro. <\/p>\n<p>A primeira refer\u00eancia remete para a necessidade de ver o presente. Parece claro que s\u00f3 existir\u00e1 futuro se houver presente. Uma afirma\u00e7\u00e3o simples mas que se teia a complexidades diversas. Apontamos tr\u00eas, a geracional, a circunstancial e a regimental.<\/p>\n<p>As gera\u00e7\u00f5es futuras, neste ano europeu do di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se esgotam na juventude. Os jovens s\u00e3o uma constante. Podemos deixar de ter ou n\u00e3o jovens, como se verifica haver cada vez menos. Por\u00e9m, os jovens s\u00e3o sempre presente. Assim, como as crian\u00e7as. As gera\u00e7\u00f5es mais novas por existirem sempre, d\u00e3o garante de futuro de todos. Estar\u00e1, por essa via natural, assegurada a continuidade. <\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira complexidade, h\u00e1 um ciclo de lapida\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es mais novas. E isto fundamentada (ou n\u00e3o) numa \u00e9tica sem alma \u2013 com ou sem aspas. Quer-se uma \u00e9tica absoluta, princ\u00edpio e fim de si mesma. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil um futuro sem presente que respeite a mem\u00f3ria para ser respeitado.<\/p>\n<p>A nota circunstancial, aqui retratada com celeridade porque nada sobre esta mat\u00e9ria \u00e9 circunstancial, remete para a educa\u00e7\u00e3o e para o valor da educa\u00e7\u00e3o. Acreditamos que \u00e9 aqui que reside o maior d\u00e9fice do pa\u00eds. <\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o provem de Adela Cortina, na aula de sapi\u00eancia em 2009, na Universidade de Val\u00eancia, citando Kant \u201cs\u00f3 pela educa\u00e7\u00e3o o Homem consegue s\u00ea-lo\u201d. E \u00e9 por esta raz\u00e3o, a de Kant, que se acrescenta a circunst\u00e2ncia: quer-se educar para o presente ou para um projeto futuro, uma sociedade cosmopolita, isto \u00e9, em que todos os seres humanos se sintam cidad\u00e3os, sem exclus\u00f5es mas todos membros de pleno direito. Definido o objetivo, ser\u00e1 mais f\u00e1cil ultrapassar o atadilho presente.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, para a participa\u00e7\u00e3o, para o outro que se pode administrar a casa comum (a \u201ceconomia\u201d!).<\/p>\n<p>Por fim, a complexidade regimental.  A participa\u00e7\u00e3o livre de todos tem uma grande limita\u00e7\u00e3o que \u00e9 a sua pr\u00f3pria legitima\u00e7\u00e3o, ser de todos e com todos. Recorrendo ainda a Cortina, a democracia v\u00ea-se como o melhor dos regimes porque \u00e9 um sistema que permite contrapor, o que pode dificultar os totalitarismos; \u00e9 um regime de cidad\u00e3os, sem senhores e sem escravos, aut\u00f3nomos e n\u00e3o heter\u00f3nomos. E, a concluir, com a laicidade da sociedade e do estado, o poder \u00e9 exercido pela racionalidade das leis e legitimidade universal da forma de governo.<\/p>\n<p>Para superar o que nos dificulta a vida, vale a pena recolher ao pensamento. A\u00ed encontrar-se-\u00e3o as ra\u00edzes para o futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-23582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23582\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}