{"id":23599,"date":"2012-03-28T17:45:00","date_gmt":"2012-03-28T17:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23599"},"modified":"2012-03-28T17:45:00","modified_gmt":"2012-03-28T17:45:00","slug":"era-mesmo-a-serio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/era-mesmo-a-serio\/","title":{"rendered":"Era mesmo a s\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p>Quando Jesus falou do final bem dif\u00edcil que previa para a sua vida, S. Pedro nem quis acreditar no que ouvia: \u00abDeus te livre de tal, Senhor. Isso nunca te acontecer\u00e1!\u00bb Ao que Jesus retorquiu: \u00abTu est\u00e1s a ser como um dem\u00f3nio tentador a impedir a minha miss\u00e3o!\u00bb (Marcos 8,32-33). Palavras duras, mesmo se ao jeito do estilo do tempo.<\/p>\n<p>Quantas vezes confidenciamos aos amigos: \u00abEstou t\u00e3o desanimado!\u00bb \u00abSinto-me t\u00e3o mal!\u00bb E os nossos amigos: \u00abNada disso! Tens a vida toda pela frente!\u00bb \u2013 mesmo que lhes entre pelos olhos a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Animar ajuda sempre \u2013 mas mentir, ou afastar superficialmente a constata\u00e7\u00e3o de um momento doloroso, s\u00f3 nos faz sentir mais incompreendidos, mais angustiados, mais s\u00f3s perante a \u201cmiss\u00e3o\u201d da vida, justamente quando mais precisamos, como perante a morte, de ouvir que a vida valeu a pena viver.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil partilhar os grandes problemas. Mas n\u00e3o \u00e9 sensato fechar os olhos e aproveitar a vida enquanto \u00e9 agrad\u00e1vel (Sabedoria 2,1-9). N\u00e3o seria mais saud\u00e1vel, mais gratificante, darmo-nos as m\u00e3os para bem apreciar a vida, cuidando para que n\u00e3o falte a alegria \u00abapesar de tudo\u00bb, mesmo quando parece chegar o fim?<\/p>\n<p>No Monte das Oliveiras, ficou bem gravada nos ap\u00f3stolos a ang\u00fastia de Jesus, a solid\u00e3o, a falta de coragem para ser at\u00e9 ao fim fiel \u00e0 raz\u00e3o de ser da sua vida. Antes, por\u00e9m, os ap\u00f3stolos n\u00e3o o levaram suficientemente a s\u00e9rio. O \u00abquerido mestre\u00bb ainda era novo, tinha a vida pela frente\u2026 Al\u00e9m disso, a sua sabedoria, \u00abautoridade\u00bb e um estranho \u00abpoder\u00bb inspiravam a todos confian\u00e7a!<\/p>\n<p>Hoje, lembramo-lo a entrar na grande festa de Jerusal\u00e9m montado num jumentinho, s\u00edmbolo de humildade e de paz. A muitos dos seus disc\u00edpulos, teria agradado mais v\u00ea-lo num carro de triunfo, \u00e0 moda romana\u2026 Mesmo assim, e sem d\u00favida porque condizia com antigas imagens da B\u00edblia, a popula\u00e7\u00e3o entusiasmou-se, como se entusiasma sempre que lhe apresentam algu\u00e9m como excepcional. Por\u00e9m, como acontece nos fen\u00f3menos de massa, a mesma popula\u00e7\u00e3o, poucos dias depois, deixou-se influenciar pelos \u00abpr\u00edncipes dos sacerdotes\u00bb e gritou diante de Pilatos contra Jesus: \u00abCrucifica-o!\u00bb.<\/p>\n<p>Quando S. Pedro viu que era mesmo a s\u00e9rio o que Jesus tinha dito, at\u00e9 negou que era seu amigo\u2026<\/p>\n<p>A Paix\u00e3o, contada ao modo de cada evangelista, ocupa o maior lugar nos evangelhos: o que os marcou, foram esses momentos finais, em que o sofrimento, a vulgaridade, a mentira, a gan\u00e2ncia de poder, o \u00f3dio e a morte destru\u00edram muito poucos anos de um conv\u00edvio cheio de esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>O que os disc\u00edpulos de Jesus, em que nos podemos incluir, s\u00f3 compreenderam depois da \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00e9 que o seu mestre levava a vida mesmo a s\u00e9rio. Momentos de alegria, momentos de dor e o momento da morte foram vividos para nos dizerem que somos chamados por Deus a sermos seus companheiros no projecto de cria\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a das nossas m\u00e3os \u00e9 a for\u00e7a de Deus. A bondade das nossas m\u00e3os \u00e9 a bondade de Deus. A beleza da cria\u00e7\u00e3o, onde a justi\u00e7a deve resplandecer particularmente na organiza\u00e7\u00e3o social, est\u00e1 assim nas nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u00c9 mesmo a s\u00e9rio.   <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Jesus falou do final bem dif\u00edcil que previa para a sua vida, S. Pedro nem quis acreditar no que ouvia: \u00abDeus te livre de tal, Senhor. Isso nunca te acontecer\u00e1!\u00bb Ao que Jesus retorquiu: \u00abTu est\u00e1s a ser como um dem\u00f3nio tentador a impedir a minha miss\u00e3o!\u00bb (Marcos 8,32-33). 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