{"id":23627,"date":"2012-02-15T12:04:00","date_gmt":"2012-02-15T12:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23627"},"modified":"2012-02-15T12:04:00","modified_gmt":"2012-02-15T12:04:00","slug":"os-cardeais-sao-os-primeiros-colaboradores-do-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-cardeais-sao-os-primeiros-colaboradores-do-papa\/","title":{"rendered":"Os cardeais s\u00e3o os primeiros colaboradores do Papa"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, nasceu em Santa Euf\u00e9mia de Prazins, Guimar\u00e3es; foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1985. O novo cardeal portugu\u00eas tem uma longa experi\u00eancia diplom\u00e1tica ao servi\u00e7o da Santa S\u00e9, que o fez passar pelo Panam\u00e1, Guatemala, Vietname, Austr\u00e1lia, M\u00e9xico, B\u00e9lgica, Trindade e Tobago, \u00c1frica do Sul e Espanha, onde permaneceu entre 2000 e 2009, acompanhando a subida ao poder do primeiro-ministro Jos\u00e9 Luis Zapatero; foi tamb\u00e9m observador permanente do Vaticano na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Turismo. Est\u00e1 na C\u00faria Romana desde julho de 2009, quando assumiu o cargo de secret\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o para os Bispos, tendo sido posteriormente nomeado por Bento XVI como consultor da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 e secret\u00e1rio do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio, antes de, em janeiro, passar a ser o respons\u00e1vel m\u00e1ximo pela Penitenciaria Apost\u00f3lica, um dos tr\u00eas tribunais da C\u00faria Romana. A 6 de janeiro, Bento XVI anunciou publicamente a sua cria\u00e7\u00e3o como cardeal, o que acontecer\u00e1 no consist\u00f3rio do pr\u00f3ximo s\u00e1bado,18, em Roma. Entrevista conduzida por Oct\u00e1vio Carmo, da Ag\u00eancia Ecclesia.<\/p>\n<p>Sente que a cria\u00e7\u00e3o como cardeal \u00e9 o reconhecimento do servi\u00e7o que prestou \u00e0 Santa S\u00e9, ao longo dos anos?<\/p>\n<p>Sim, naturalmente, devo diz\u00ea-lo com toda a humildade. Fiquei muito contente e agradeci ao Santo Padre, com quem j\u00e1 tive oportunidade de falar.<\/p>\n<p>Servi a Santa S\u00e9 em pa\u00edses com muitas dificuldades, como a Guatemala e o Vietname, em anos de guerra, o M\u00e9xico ou El Salvador, na \u00c1frica do Sul com Nelson Mandela. Da\u00ed fui para Espanha e sobre a Espanha os senhores em Portugal sabem mais do que eu\u2026<\/p>\n<p>O cargo de N\u00fancio em Madrid ter\u00e1 sido o mais medi\u00e1tico?<\/p>\n<p>O trabalho foi bom, mesmo nos momentos dif\u00edceis: embora tenha falado pouco, resolvemos os problemas. Tenho cartas muito bonitas que agora me chegaram de altas personalidades espanholas. Tamb\u00e9m j\u00e1 estive com o Papa em Espanha e ele ficou muito contente com o meu trabalho.<\/p>\n<p>Depois dessa miss\u00e3o, acabou por ser chamado por Bento XVI para a Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>Para mim foi uma surpresa, nenhum dos meus antecessores tinha ido para a C\u00faria, eu tinha tudo planificado para ir para Santa Euf\u00e9mia [Guimar\u00e3es]. Quando vim [para a Santa S\u00e9], j\u00e1 foi para um cargo muito importante, geralmente da\u00ed s\u00e3o nomeados cardeais, mas n\u00e3o necessariamente, at\u00e9 atendendo \u00e0 minha idade [completa 74 anos em mar\u00e7o]. Quanto ao cargo de penitenci\u00e1rio-mor, acontece que sou dos poucos, dentro do corpo diplom\u00e1tico, a ter feito o exame da Rota Romana (tribunal da Santa S\u00e9): o exame dura das 9 da manh\u00e3 \u00e0s 9 da noite, s\u00e3o doze horas para dar uma senten\u00e7a e em latim.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o circunst\u00e2ncias que talvez tenham facilitado a decis\u00e3o do Papa, at\u00e9 porque Portugal tinha dois eleitores e agora ter\u00edamos s\u00f3 um [D. Jos\u00e9 Saraiva Martins completou 80 anos de idade em janeiro].<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sentiu que este \u00e9 um reconhecimento para Portugal?<\/p>\n<p>Sim, sim. O Santo Padre ficou com uma impress\u00e3o muito, muito boa ap\u00f3s a visita a Portugal [maio de 2010]. Tudo isso ajudou, naturalmente.<\/p>\n<p>Para si, o que significa ser cardeal?<\/p>\n<p>Os cardeais s\u00e3o sacerdotes que est\u00e3o ao servi\u00e7o do Santo Padre, n\u00e3o importa para o que seja. Somos os seus primeiros colaboradores, com campos definidos. Tamb\u00e9m temos reuni\u00f5es plen\u00e1rias [os encontros de chefes de dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana] e ainda recentemente [28 de janeiro] participei numa, embora ainda n\u00e3o fosse cardeal: cada um diz o que pensa sobre o que se passa no mundo, sobre como se pode melhorar a situa\u00e7\u00e3o, tratam-se os temas a n\u00edvel geral.<\/p>\n<p>O Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio est\u00e1 ao servi\u00e7o do Papa, os que est\u00e3o nos Dicast\u00e9rios estamos mais ainda, porque estamos num servi\u00e7o bem determinado. No meu caso, o Santo Padre deu-me praticamente plenitude de resolver todos os casos.<\/p>\n<p>Enquanto penitenci\u00e1rio-mor, vai ser respons\u00e1vel pelo chamado \u2018Tribunal da Consci\u00eancia\u2019, na Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>Tribunal da consci\u00eancia \u00e9 j\u00e1 a confiss\u00e3o: quando nos confessamos, h\u00e1 uma penit\u00eancia, isto \u00e9, uma pena dada pelo sacerdote.<\/p>\n<p>A Penitenciaria Apost\u00f3lica \u00e9 o dicast\u00e9rio mais antigo da C\u00faria Romana, vem j\u00e1 do s\u00e9culo XIII; \u00e9 um tribunal ao qual o Santo Padre entrega tudo quanto se refere ao foro interno. Poderemos chamar-lhe quase um tribunal de miseric\u00f3rdia, porque as pessoas que t\u00eam algum problema podem dirigir-se a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Hoje, no mundo, tudo vale o mesmo e as pessoas deixam correr, mas chegam a um certo momento em que n\u00e3o se sentem felizes, n\u00e3o se sentem realizadas. Aqui, procuramos ajud\u00e1-las.<\/p>\n<p>Ajudamos tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o de confessores, em todo o mundo e, particularmente, em Roma com 58 penitenci\u00e1rios menores nas bas\u00edlicas de S\u00e3o Pedro, de Santa Maria Maior, de S\u00e3o Paulo fora de muros e S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o. Estes elementos trabalham connosco, est\u00e3o bem formados, e procuram levar as pessoas a sentirem-se felizes, realizadas, com os olhos postos em Deus.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que se procede nas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de concess\u00f5es de gra\u00e7as, absolvi\u00e7\u00f5es, dispensas, san\u00e7\u00f5es ou condena\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Geralmente, nos casos que podemos resolver, damos uma resposta aos confessores em 24 horas, nos casos que ele n\u00e3o pode absolver, que s\u00e3o comunicados se a pessoa que se confessou estiver de acordo. O padre pode dirigir-se ao nosso dicast\u00e9rio, diz do que se trata, sem mencionar o nome da pessoa, e esta \u00e9 absolvida. N\u00f3s, daqui, mandamos uma penit\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando temos um caso mais dif\u00edcil, temos uma reuni\u00e3o, com colaboradores: um te\u00f3logo, que \u00e9 sempre um jesu\u00edta, um especialista em direito e outros tr\u00eas, com prepara\u00e7\u00e3o neste campo. Al\u00e9m da reuni\u00e3o, eles d\u00e3o um parecer por escrito e depois o penitenci\u00e1rio-mor decide e, se subsistirem dificuldades, pede uma audi\u00eancia ao Papa.<\/p>\n<p>Dentro dessas fun\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um conjunto de situa\u00e7\u00f5es que implicam excomunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Sim, isso faz parte do nosso trabalho, quando se trata do foro interno, porque se for p\u00fablico \u00e9 com a Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. Todos os casos que os bispos e os padres n\u00e3o podem resolver, resolvemo-los aqui. Imagine-se, por exemplo, uma pessoa que profanou a Sagrada Eucaristia, sem que ningu\u00e9m tenha visto, e passados alguns anos, poucos ou muitos, quer p\u00f4r a sua vida em ordem. Atrav\u00e9s de um sacerdote, comunica essa situa\u00e7\u00e3o e n\u00f3s damos-lhe uma penit\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, nasceu em Santa Euf\u00e9mia de Prazins, Guimar\u00e3es; foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1985. 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