{"id":2365,"date":"2010-07-07T12:20:00","date_gmt":"2010-07-07T12:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2365"},"modified":"2010-07-07T12:20:00","modified_gmt":"2010-07-07T12:20:00","slug":"trilogia-dos-tempos-modernos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/trilogia-dos-tempos-modernos\/","title":{"rendered":"Trilogia dos tempos modernos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 anos um bispo americano, ao fazer o diagn\u00f3stico dos tempos que vivemos, disse, com certo humor, que h\u00e1 tr\u00eas coisas que traduzem os s\u00edmbolos de um cultura que prima pela sua debilidade: as fraldas, o microondas e a aspirina. <\/p>\n<p>E explica: as fraldas descart\u00e1veis, que s\u00f3 se usam uma vez, hoje servem e amanh\u00e3 n\u00e3o prestam, s\u00e3o como os produtos, as ideias e os valores e dizem que o que dura n\u00e3o presta; o microondas marca o efeito instant\u00e2neo e a rapidez, dispensa a paci\u00eancia e despreza o tempo, n\u00e3o d\u00e1 gosto aos alimentos, nem os confeciona, tudo feito \u00e0 press\u00e3o, tudo com o mesmo gosto; finalmente, a aspirina e os seus cong\u00e9neres s\u00e3o a recusa de todo o inc\u00f3modo, seja uma simples dor de cabe\u00e7a ou outra dor que apenas se sonha, faz parte da embalagem do quotidiano, n\u00e3o se pode esquecer em casa, pois esquecer seria o caos.    <\/p>\n<p>Tudo descart\u00e1vel, tudo r\u00e1pido, tudo sem incomodar, como se o compromisso duradoiro, a maturidade paciente e a capacidade nas dificuldades, fossem pobreza de esp\u00edrito, atitudes antip\u00e1ticas e desumanas a exorcizar. O jovem traduz assim: \u201cTudo numa boa!\u201d<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que estes caminhos do tempo que corre fascinam a gente nova, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que se torna cada vez mais significativo o n\u00famero de jovens que se demarcam do vazio reinante e lutam pela riqueza de uma vida com sentido.<\/p>\n<p>Mais f\u00e1cil de tombar para um ou para outro lado, consoante os educadores que se encontram pelo caminho, os pais, atentos ou n\u00e3o, persuasivos ou impositivos, os colegas vazios ou com um ideal que os orienta em cada dia e acontecimento&#8230; Os modelos de vida de hoje, tanto s\u00e3o propostas que anestesiam e desviam, como acordam e impulsionam. Por igual, o ambiente que nos cerca n\u00e3o \u00e9 in\u00f3cuo, nem sequer indiferente. <\/p>\n<p>O problema ser\u00e1 sempre maior quando os adultos perdem o p\u00e9 e optam, tamb\u00e9m eles, por andarem ao sabor do vento das emo\u00e7\u00f5es, sem capacidade para dominar as suas tempestades interiores, sem serem a m\u00e3o amiga que indica caminho e ajuda a caminhar.<\/p>\n<p>Os jovens n\u00e3o voltam costas aos adultos em geral. Somente \u00e0queles que se disfar\u00e7am de jovens e fazem do Carnaval o seu dia a dia, aqueles para quem vale tudo e nada vale a pena. Aos jovens que procuram desculpa-se muita coisa. Aos adultos, o verbo a conjugar n\u00e3o \u00e9 desculpar, mas exigir. Sem as intransig\u00eancias farisaicas de quem perdeu a mem\u00f3ria, por certo, mas sem esquecer que a responsabilidade \u00e9 sin\u00f3nimo de adultez e esta anda, quer se queira ou n\u00e3o, ligada ao tempo vivido e ao modo como se viveu. <\/p>\n<p>O comportamento de cada um e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais n\u00e3o s\u00e3o peda\u00e7os da vida sem nexo nem cota\u00e7\u00e3o. S\u00e3o o tecido natural da pr\u00f3pria vida. Tanto a constroem, como a debilitam ou destroem.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o, processo relacional, visa o crescimento harm\u00f3nico da pessoa e capacita-a para a vida em sociedade. Se tal processo estiver viciado, nem teremos pessoas equilibradas e respons\u00e1veis, nem sociedade humana apetec\u00edvel. Teremos uma gera\u00e7\u00e3o de ca\u00eddos nas valetas da vida e uma sociedade de in\u00fateis perigosos, quando n\u00e3o de feras, que matam para poder roer o seu osso.<\/p>\n<p>\u00c9 o que est\u00e1 acontecendo por for\u00e7a de uma p\u00f3s-modernidade arvorada em sistema de vida, impulsionada por quem h\u00e1 muito deixou de usar a cabe\u00e7a para ponderar e decidir, por quem p\u00f4s de lado o cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel ao bem pr\u00f3prio e dos outros.<\/p>\n<p>Os tempos modernos, tamb\u00e9m ricos de oportunidades e reveladores de possibilidades, parece transformarem-se em tempos de pesadelo em que, por vezes, at\u00e9 o melhor \u00e9 caminho para o pior. Os seus frutos vendem papel e conquistam audi\u00eancias, mas matam vontades, anestesiam consci\u00eancias e semeiam desordem moral e social.  <\/p>\n<p>Pode colher-se neles a esperan\u00e7a s\u00e9ria de um futuro consistente que todos levamos no cora\u00e7\u00e3o? Esse futuro que todos n\u00f3s temos, solidariamente, que criar ou recriar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 anos um bispo americano, ao fazer o diagn\u00f3stico dos tempos que vivemos, disse, com certo humor, que h\u00e1 tr\u00eas coisas que traduzem os s\u00edmbolos de um cultura que prima pela sua debilidade: as fraldas, o microondas e a aspirina. E explica: as fraldas descart\u00e1veis, que s\u00f3 se usam uma vez, hoje servem e amanh\u00e3 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-2365","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2365"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2365\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}