{"id":23675,"date":"2012-02-22T15:39:00","date_gmt":"2012-02-22T15:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23675"},"modified":"2012-02-22T15:39:00","modified_gmt":"2012-02-22T15:39:00","slug":"a-epoca-dos-safaris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-epoca-dos-safaris\/","title":{"rendered":"A \u00e9poca dos safaris"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Rude ou suave, acolhedora ou destruidora, a natureza foi desde sempre um meio privilegiado para o enriquecimento da experi\u00eancia religiosa. A 1.\u00aa leitura \u00e9 um exemplo de como os antepassados do povo judeu sentiam Deus a interpelar a Humanidade atrav\u00e9s de todos os fen\u00f3menos, dos mais agrad\u00e1veis aos mais catastr\u00f3ficos. <\/p>\n<p>O c\u00e9lebre \u00abdil\u00favio universal\u00bb foi interpretado como castigo, como se Deus se tivesse arrependido de ter criado a Humanidade \u2013 de tal modo prevalecia a injusti\u00e7a. Por\u00e9m, mesmo nessa hist\u00f3ria antiga, Deus reconhece a for\u00e7a do Bem, por mais escondido que pare\u00e7a dentro de n\u00f3s e na organiza\u00e7\u00e3o social, e declara solenemente que criou o Homem para existir para sempre. O anel do seu juramento, ou \u00abArco da Alian\u00e7a\u00bb, at\u00e9 pode ser visto sempre que o sol vence o mau tempo \u2013 como tamb\u00e9m pode ser visto ap\u00f3s as nossas tempestades de amores e de \u00f3dios\u2026 <\/p>\n<p>A cultura judaica, n\u00e3o obstante o pessimismo de v\u00e1rias passagens b\u00edblicas, percebeu que o Homem existe para ser feliz. <\/p>\n<p>S. Pedro deve ter sentido o \u00absil\u00eancio de Deus\u00bb, com a morte do seu Mestre. Ficou destro\u00e7ado pelo tr\u00e1gico fim de uma aventura empolgante. Pouco a pouco, por\u00e9m, descobriu o \u00abarco da alian\u00e7a\u00bb sobre a morte e o medo, descobriu o Esp\u00edrito de Deus que sabe \u00abescrever direito por linhas tortas\u00bb e que nos ensina a decifrar essas linhas, se quisermos aprender. <\/p>\n<p>Pedro deixou uma forte impress\u00e3o nas primeiras comunidades crist\u00e3s. O temperamento arrebatado, falhas na firmeza da f\u00e9, no pensamento cr\u00edtico e ac\u00e7\u00e3o consequente\u2026 \u2013 at\u00e9 dava conforto ver os defeitos do 1.\u00ba l\u00edder da Igreja! Eram muito influenciados pelo esp\u00edrito de Pedro, os cultos autores das duas cartas que lhe s\u00e3o tradicionalmente atribu\u00eddas (a 1.\u00aa carta ser\u00e1 posterior ao ano 70, e a 2.\u00aa carta \u00e9 o texto mais tardio do Novo Testamento, talvez j\u00e1 do in\u00edcio do s\u00e9c. II).<\/p>\n<p>S. Pedro n\u00e3o deixou morrer o desejo de sabedoria com que seguia Jesus: e o Esp\u00edrito da Sabedoria (ou Esp\u00edrito Santo \u2013 s\u00e3o tudo express\u00f5es diferentes do modo como Deus est\u00e1 connosco) ensinou-o a ver Vida onde lera morte, a ver uma miss\u00e3o estimulante e incans\u00e1vel pelos tempos fora onde lera um fim tr\u00e1gico; ensinou-o a ver o mesmo Deus dos tempos de No\u00e9, que se revelou especialmente nesse filho de um carpinteiro, e a tirar li\u00e7\u00f5es ao longo do tempo \u2013 porque o mais importante \u00e9 o sentido que damos \u00e0s coisas. Cabe-nos a n\u00f3s escolher \u00abo compromisso de uma boa consci\u00eancia\u00bb (2.\u00aa leitura). <\/p>\n<p>No evangelho segundo Marcos, o mais primitivo, vemos como a Sabedoria ensinou aos evangelistas a import\u00e2ncia do deserto na forma\u00e7\u00e3o humana \u2013 e como Jesus sentiu a necessidade desse \u00absafari\u00bb para vencer os desafios futuros. <\/p>\n<p>No deserto, a vida \u00e9 dura e estamos expostos aos perigos dos elementos, das feras e do tropel das ideias, sonhos e desejos. Na hist\u00f3ria dos s\u00edmbolos, o deserto \u00e9 o vazio no qual podemos encontrar a realidade \u00fanica. Porque \u00e9 est\u00e9ril, sentimos melhor a nossa presen\u00e7a e a de Deus. Porque \u00e9 hostil, sentimos melhor a nossa for\u00e7a e a de Deus. Porque tem miragens, ensina-nos a ser prudentes. No deserto, podemos encontrar o equil\u00edbrio ou harmonia entre as nossas limita\u00e7\u00f5es humanas e a imensid\u00e3o do projecto de vida que espera por n\u00f3s. <\/p>\n<p>O tempo da Quaresma convida ao esfor\u00e7o para criarmos pequeninos desertos ao longo do dia, onde aprendemos a discernir o que \u00e9 fundamental. Quando deixamos que Deus nos leve ao deserto \u00e9 para nos ensinar o que \u00e9 a Paz e qual a melhor estrat\u00e9gia para a construir, tendo presente que a Paz \u00e9 fruto da Justi\u00e7a. O Esp\u00edrito da Sabedoria (ou Esp\u00edrito de Deus) delicia-se em estar com os seres humanos (Livro da Sabedoria 1-9). \u00c9 por esse Esp\u00edrito que Jesus humilhado e crucificado est\u00e1 vivo como Deus \u00e9 vivo, inspirando a expans\u00e3o cont\u00ednua do \u00abreino de justi\u00e7a\u00bb (o \u00abreino de Deus\u00bb) como fundamento s\u00f3lido sobre o qual constru\u00edmos a esperan\u00e7a que enche de sentido a nossa vida. <\/p>\n<p>S\u00e3o duros os safaris no deserto. E s\u00e3o duros os desertos da vida. Mas se vivermos o tempo do deserto com esp\u00edrito aventureiro, encontramos n\u00e3o o tempo esfacelado dos rel\u00f3gios mas a solidez do \u00abtempo sem tempo\u00bb que sustenta o universo; o tempo de uma vis\u00e3o sem obst\u00e1culos, onde o \u00absopro de Deus\u00bb corre livremente e nos convida a libertar a nossa energia e sabedoria, sem cair nas \u00e1ridas planuras de calhaus sinistros de arestas agudas ou na voracidade das areias movedi\u00e7as.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt   <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}