{"id":23697,"date":"2012-03-07T14:46:00","date_gmt":"2012-03-07T14:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23697"},"modified":"2012-03-07T14:46:00","modified_gmt":"2012-03-07T14:46:00","slug":"a-vida-familiar-torna-visivel-deus-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-vida-familiar-torna-visivel-deus-na-historia\/","title":{"rendered":"A vida familiar torna vis\u00edvel Deus na hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Decorreu no dia 3 de mar\u00e7o, um simp\u00f3sio sobre a fam\u00edlia, promovido pelo Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro (ISCRA). Tendo como fundo a pergunta \u201cA fam\u00edlia ainda tem futuro?\u201d, seis conferencistas, em tr\u00eas pain\u00e9is, tra\u00e7aram retratos da fam\u00edlia, apresentaram linhas de for\u00e7a do pensamento b\u00edblico e crist\u00e3o sobre esta comunidade e deixaram desafios pol\u00edticos (aos cidad\u00e3os) e pastorais (aos crist\u00e3os). Jorge Pires Ferreira, na qualidade de professor do ISCRA, tra\u00e7ou no final sete \u201csublinhados e reptos\u201d que de alguma forma resumem um simp\u00f3sio de alto n\u00edvel e grande pertin\u00eancia, ainda que n\u00e3o correspondido no n\u00famero de participantes. \u00c9 esse texto, proferido na conclus\u00e3o do simp\u00f3sio, que, com algumas altera\u00e7\u00f5es, aqui se reproduz. <\/p>\n<p>1. CRISE. Crise da fam\u00edlia? A palavra \u201ccrise\u201d pairou sobre o simp\u00f3sio dedicado \u00e0 fam\u00edlia, mas o que se verifica \u00e9 que h\u00e1 um grande desejo de querer ser fam\u00edlia. A fam\u00edlia exerce uma grande atratividade na cultura contempor\u00e2nea: homossexuais que querem casar-se e adotar filhos; divorciados que se recasam e \u201crefazem\u201d a fam\u00edlia; uni\u00f5es de facto reconhecidas como fam\u00edlias, e at\u00e9 \u201cfam\u00edlias monoparentais\u201d, num contradit\u00f3rio caso lingu\u00edstico, j\u00e1 que fam\u00edlia remete para um grupo, e uma s\u00f3 pessoa n\u00e3o faz comunidade. Crise da fam\u00edlia crist\u00e3? Talvez, a come\u00e7ar na defini\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia crist\u00e3. Mas, fam\u00edlia crist\u00e3, parafraseando a c\u00e9lebre carta de um crist\u00e3o an\u00f3nimo a Diogneto, n\u00e3o ser\u00e1 aquela que n\u00e3o aborta, n\u00e3o repudia os seus filhos portadores de defici\u00eancia, n\u00e3o se separa perante as dificuldades, n\u00e3o delega a educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos noutras inst\u00e2ncias, desperta os \u201csensores espirituais\u201d, isto \u00e9, promove, em primeiro lugar com as suas viv\u00eancias, a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, reza, n\u00e3o afasta dos seu seio os idosos, \u00e9 fiel no amor conjugal (marido e mulher), paternal (pais para filhos), filial (filhos para pais) e fraternal (entre irm\u00e3os), \u00e9 sinal da Trindade na hist\u00f3ria? Talvez esta fam\u00edlia esteja em crise. Mas, por outro lado, nunca como hoje esta fam\u00edlia teve tantos meios para chegar \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. O ASSUNTO DO NOSSO TEMPO. A fam\u00edlia \u00e9 o assunto. \u00c9 a quest\u00e3o do nosso tempo. \u00c9 a que divide partidos, \u00e9 onde se digladiam as ideologias e pol\u00edticas e na pr\u00f3pria Igreja se sente a tens\u00e3o. Pense-se nas crescentes vozes que dizem que h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o eclesial n\u00e3o resolvida com os casados recasados, que n\u00e3o s\u00e3o admitidos \u00e0 plena comunh\u00e3o sacramental da Igreja cat\u00f3lica. S\u00e3o cada vez mais. S\u00e3o uma interpela\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>3. PERFIL QUE MUDA. A Hist\u00f3ria diz que a fam\u00edlia tamb\u00e9m tem uma hist\u00f3ria. Limitando-nos ao nosso contexto europeu e ocidental, predominou at\u00e9 \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial um modelo patrimonial de fam\u00edlia. As pessoas casavam-se por quest\u00f5es de patrim\u00f3nio, numa combina\u00e7\u00e3o em que os pais decidiam pelos filhos. Depois, o amor podia vir ou n\u00e3o. Mas hoje n\u00e3o \u00e9 assim. Casam-se por amor e depois, por vezes, \u00e9 o patrim\u00f3nio que separa. Ou a carreira profissional em que os dois est\u00e3o empenhados. Ou a dif\u00edcil gest\u00e3o do dinheiro, da educa\u00e7\u00e3o dos filhos, dos afetos. Ou o pr\u00f3prio amor-paix\u00e3o que se esgota, ele, que fizera do casamento \u201co dia mais feliz da vida\u201d e dos restantes, porque n\u00e3o se transformou num amor menos epid\u00e9rmico, pela sua aus\u00eancia, um inferno.<\/p>\n<p>4. PLANO DIVINO. H\u00e1 que voltar, sempre, \u00e0 B\u00edblia, que, n\u00e3o sendo um edificativo cat\u00e1logo de bons costumes familiares (Caim mata Abel; Jos\u00e9 \u00e9 tra\u00eddo pela fam\u00edlia; David \u00e9 ad\u00faltero\u2026), real\u00e7a o plano divino atrav\u00e9s da exemplaridade humana, quer pela via negativa, j\u00e1 referida, quer por exemplos familiares positivos (Rute, Tobias, os conselhos do Eclesi\u00e1stico, o amor do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, que at\u00e9 era cantado em tabernas). Ora, o plano divino, que tem como primeiro dos mandamentos do amor pr\u00f3ximo \u201chonrar pai e m\u00e3e\u201d (que, destinando-se no contexto b\u00edblico aos filhos adultos, poderia hoje ser traduzido por \u201cescuta o que dizem os teus pais\u201d, \u201creconhece o lugar deles na sociedade\u201d), faz o matrim\u00f3nio sair do simples contrato para a d\u00e1diva de amor rec\u00edproco, como Cristo se deu \u00e0 Igreja. \u201c\u00c9 grande este mist\u00e9rio\u201d. E belo.<\/p>\n<p>5. IMAGEM DA TRINDADE. O pensamento crist\u00e3o reconhece que uma boa fam\u00edlia \u00e9 o melhor dom que podemos ter, porque \u00e9 o \u00e2mbito natural de promo\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o de todos os seus membros, \u00e9 o espa\u00e7o de solidariedade entre gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 onde se vivem as situa\u00e7\u00f5es humanas mais densas e felicitantes, onde cada um se torna pessoa. A fam\u00edlia \u00e9 o sacramento natural de Deus-fam\u00edlia, da Trindade. O apelo de Jo\u00e3o Paulo II \u00e0 fam\u00edlia crist\u00e3, \u201ctorna-te aquilo que \u00e9s\u201d, quer dizer: Torna-te o que j\u00e1 \u00e9s por natureza e o que \u00e9s chamada a ser por voca\u00e7\u00e3o, imagem de Deus.<\/p>\n<p>6. ATEN\u00c7\u00c3O \u00c0 POL\u00cdTICA. H\u00e1 bons princ\u00edpios legislativos sobre a fam\u00edlia na ONU, na Europa, na Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m, claramente, em Portugal, uma pol\u00edtica assistencial que \u00e9 antifam\u00edlia. Para alguns, a fam\u00edlia \u00e9 uma amea\u00e7a, pelo que h\u00e1 que baralhar e alargar o conceito de fam\u00edlia, para, por via legislativa e fiscal, atingir a comunidade humana mais sagrada. Conhecer os princ\u00edpios, a legisla\u00e7\u00e3o, as estat\u00edsticas, as boas pr\u00e1ticas de outros pa\u00edses \u00e9 um primeiro passo para a exig\u00eancia de uma pol\u00edtica de fam\u00edlia transversal, amiga da natalidade, amiga do presente e futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>7. TESTEMUNHO CRIST\u00c3O. A fam\u00edlia &#8211; n\u00e3o a ideal, mas a que existe \u2013 provoca a solicitude pastoral da Igreja. Mas \u00e9 preciso notar que n\u00e3o \u00e9 a Igreja que tem uma miss\u00e3o. \u00c9 a miss\u00e3o que tem uma Igreja, pelo que esta, serva da uma proposta crist\u00e3 global, tem de estar atenta \u00e0 \u201cfam\u00edlia  p\u00f3s-familiar\u201d (fam\u00edlia em mudan\u00e7a, incerta, de parentescos eletivos, por vezes sem rela\u00e7\u00e3o direta com  o casamento). E deve repensar continuamente o seu testemunho.<\/p>\n<p>O testemunho n\u00e3o deve ser light (s\u00f3 com apar\u00eancias e aspetos escolhidos do cristianismo), muito menos deve ser \u201cburgu\u00eas\u201d (\u201ca minha salva\u00e7\u00e3o\u201d, \u201co meu bem-estar\u201d). N\u00e3o se deve prender a uma \u00fanica resposta verdadeira e certa, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pode valorizar todas as propostas como v\u00e1lidas e construtivas. O testemunho crist\u00e3o h\u00e1 de oferecer propostas din\u00e2micas de amor e sugerir viv\u00eancias engrandecedoras da conjugalidade &#8211; talvez a lacuna maior na proposta crist\u00e3. O testemunho das pessoas da Igreja, por palavras e principalmente na viv\u00eancia di\u00e1ria, em fam\u00edlia ou noutras comunidades, h\u00e1 de deixar patente que a vida familiar torna vis\u00edvel Deus na hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decorreu no dia 3 de mar\u00e7o, um simp\u00f3sio sobre a fam\u00edlia, promovido pelo Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro (ISCRA). 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