{"id":23709,"date":"2012-03-28T16:45:00","date_gmt":"2012-03-28T16:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23709"},"modified":"2012-03-28T16:45:00","modified_gmt":"2012-03-28T16:45:00","slug":"a-boa-saude-na-idade-senior-ganha-se-antes-dos-21-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-boa-saude-na-idade-senior-ganha-se-antes-dos-21-anos\/","title":{"rendered":"&#8220;A boa sa\u00fade na idade s\u00e9nior ganha-se antes dos 21 anos&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Vai ser apresentado amanh\u00e3, 29 de mar\u00e7o, com a presen\u00e7a de Daniel Serr\u00e3o, o livro \u201cAqui diante de mim\u201d, uma entrevista de vida realizada por Henrique Manuel S. Pereira ao m\u00e9dico que nasceu em Vila Real, h\u00e1 82 anos, estudou em Aveiro e desenvolveu grande parte da sua vida profissional no Porto, onde reside. <\/p>\n<p>Conhecido pela interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica em defesa da vida, Daniel Serr\u00e3o tem uma longa carreira na bio\u00e9tica, ao ponto de ser conselheiro do Papa nestas quest\u00f5es. Nesta entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira, n\u00e3o se fala de bio\u00e9tica, mas antes do tempo em que Daniel Serr\u00e3o viveu em Aveiro, do contacto com o Papa e dos segredos para manter elevada atividade f\u00edsica e mental. <\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do livro, com a interven\u00e7\u00e3o de D. Ant\u00f3nio Marcelino, tem lugar no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, pelas 21h. <\/p>\n<p>Correio do Vouga &#8211; O livro-entrevista em que percorre momentos decisivos da sua vida e tamb\u00e9m da nossa hist\u00f3ria (Guerra do Ultramar, 25 de Abril, reformas da democracia) chama-se \u201cAqui diante de mim\u201d. Porqu\u00ea este t\u00edtulo? <\/p>\n<p>Daniel Serr\u00e3o &#8211; O entrevistador queria que passassem duas mensagens: o entrevistado estava diante dele para responder \u00e0s quest\u00f5es que lhe fazia, mas estava tamb\u00e9m diante de si pr\u00f3prio para responder com verdade. <\/p>\n<p>Facto pouco conhecido dos aveirenses \u00e9 que o professor terminou o chamado curso geral dos liceus em Aveiro, em 1944. Que mem\u00f3rias guarda dessa \u00e9poca nesta terra? <\/p>\n<p>Frequentei o Liceu Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, durante 4 anos, do 4.\u00ba ao 7.\u00ba (hoje, 11.\u00ba ano). Foi a minha adolesc\u00eancia dos 13 aos 17 anos e as minhas recorda\u00e7\u00f5es de pessoas e situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o vivas e ligadas a este per\u00edodo que \u00e9 fulcral nas nossas vidas. No livro respondo a quest\u00f5es sobre Aveiro porque o autor, o professor Henrique Manuel, n\u00e3o perdeu a oportunidade de me fazer reviver esse tempo maravilhoso que \u00e9 o da adolesc\u00eancia. A natural crise de f\u00e9 dos 14 anos foi vivida neste per\u00edodo; a escolha de ser m\u00e9dico, tamb\u00e9m. Parecem factos casuais, mas marcaram toda a minha vida futura, at\u00e9 hoje. Do que tenho mais saudade \u00e9 dos passeios de barco a remos na Ria, com dois ou tr\u00eas colegas do Liceu, no ver\u00e3o, desde a Capitania at\u00e9 S. Jacinto. Se calhar hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Era um exerc\u00edcio de for\u00e7a, de alegria e de queimadura do sol. No tempo n\u00e3o havia cremes de prote\u00e7\u00e3o e o esfor\u00e7o de remar n\u00e3o era compat\u00edvel com roupa\u2026 <\/p>\n<p>Com uma vida cheia de feitos profissionais, qual deles lhe deu especial alegria? <\/p>\n<p>Tive muita alegria em conseguir ter \u00eaxito com o Laborat\u00f3rio de Patologia que criei em oito dias, quando fui demitido de professor, em 1976. Foi bom para mim e foi bom para os meus colaboradores, em especial os mais humildes, que viram as suas vidas muito melhoradas, trabalhando para mim nas horas que sobravam do cumprimento do hor\u00e1rio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O rendimento do Laborat\u00f3rio era distribu\u00eddo por todos com justi\u00e7a e nunca tive greves dos trabalhadores, desde 1975 at\u00e9 2003, quando decidi encerrar o Laborat\u00f3rio aos 75 anos. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II nomeou-o membro da Academia Pontif\u00edcia para a Vida. Esperava ser colaborador do Papa? <\/p>\n<p>Foi uma surpresa total quando um funcion\u00e1rio da Nunciatura do Vaticano em Lisboa me entregou pessoalmente, na Faculdade, onde pediu para ser recebido, um envelope enviado de Roma pelo correio diplom\u00e1tico. Dentro estava outro envelope fechado com o meu nome e a nota \u201cSub secreto pontificio\u201d. Abri-o e era um convite pessoal de Jo\u00e3o Paulo II para que eu fosse membro da Academia Pontif\u00edcia para a Vida que tinha sido criada pelo Papa pelo Motu Proprio [documento papal] de 11 de fevereiro de 1994. Aceitei com imensa alegria e quando ainda nesse ano reunimos com o Papa \u00e9ramos uns 30 de v\u00e1rias partes do mundo. E foi um deslumbramento estar com o Papa como se fosse um sacerdote a combinar estrat\u00e9gias de pastoral cultural. De ent\u00e3o para c\u00e1, o Protocolo vaticano formalizou este contacto com o Papa e agora \u00e9 uma cerim\u00f3nia mais organizada, que perdeu a intimidade da primeira. Mas a foto que vem no Livro \u00e9 da apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Academia na Aula Sinodal em 1995. A Academia produz textos not\u00e1veis, infelizmente mal conhecidos entre n\u00f3s, mesmo em meios cat\u00f3licos e eclesiais. <\/p>\n<p>Como m\u00e9dico, lidou e lida com a vida e com a morte. Como encara a morte? <\/p>\n<p>Como patologista fiz mais de mil aut\u00f3psias em Portugal e em Luanda. A morte \u00e9, para mim, um acontecimento natural que me n\u00e3o causa qualquer perturba\u00e7\u00e3o. Creio na vida do mundo que h\u00e1 de vir, bem diferente desta e que ser\u00e1 vivida fora do tempo. No livro, discuto este tema e at\u00e9 digo que m\u00fasica quero ouvir quando estiver a morrer. Quem quiser mesmo saber o que penso da minha morte, vai ao YouTube e procura \u201cDaniel serr\u00e3o \u2013 entrevistas\u201d. E pode ver-me e ouvir-me a falar sobre este tema com verdade e sinceridade. <\/p>\n<p>Fale-nos da sua f\u00e9. Passou por uma fase de f\u00e9 em jovem, como disse. Como reencontrou a f\u00e9? Que pessoas de f\u00e9 o marcaram ao longo da vida? <\/p>\n<p>Penso que uma crise de f\u00e9 na adolesc\u00eancia \u00e9 melhor que a hipocrisia usada para n\u00e3o ter de aturar a fam\u00edlia que pensa que ter f\u00e9 \u00e9 uma quest\u00e3o de vontade. Mas n\u00e3o \u00e9, \u00e9 uma intui\u00e7\u00e3o que um dia acontece precisamente a quem n\u00e3o acredita numa Transcend\u00eancia, em algo que est\u00e1 para al\u00e9m da nossa vida e da nossa presen\u00e7a ocasional no mundo. A f\u00e9 foi, para mim, uma ilumina\u00e7\u00e3o s\u00fabita; mas depois deu-me, e d\u00e1-me ainda hoje, muito trabalho para a manter acesa em mim. A autoconsci\u00eancia, que \u00e9 onde o esp\u00edrito transcendente \u201chabita\u201d, tem de ser visitada muitas vezes e esta visita \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o profunda e silenciosa. <\/p>\n<p>As figuras que mais me influenciaram pela sua f\u00e9 n\u00e3o foram os te\u00f3ricos mas os que viverem ou vivem a sua f\u00e9 no contacto com os irm\u00e3os amando-os. N\u00e3o S. Tom\u00e1s, de Aquino, mas S. Francisco, de Assis. N\u00e3o Santa Teresa, de \u00c1vila, mas a outra Teresa, de Calcut\u00e1. Um judeu, Jesus, revolucionou o mundo e \u201cn\u00e3o sabia nada de finan\u00e7as, nem consta que tivesse biblioteca\u201d, segundo Pessoa. <\/p>\n<p>Como na diocese de Aveiro estamos pastoralmente centrados na fam\u00edlia, tenho de lhe colocar esta quest\u00e3o: Que valor d\u00e1 \u00e0 fam\u00edlia? <\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 o local onde a aspira\u00e7\u00e3o de viver em felicidade pode ser atingida. Fui pai de seis filhos e sou av\u00f4 de dez netos e todos somos fam\u00edlia e temos consci\u00eancia disso. A fam\u00edlia n\u00e3o pode ser uma estrutura de poder mas tem de ser uma estrutura de servi\u00e7o; servi\u00e7o m\u00fatuo de um por todos e todos por um. <\/p>\n<p>O cimento que d\u00e1 coes\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia \u00e9 o amor de uns pelos outros e a norma pr\u00e1tica de estar sempre preparado para perdoar as \u201cofensas\u201d como Deus tamb\u00e9m nos perdoa. O que mais me d\u00f3i \u00e9 ver membros da mesma fam\u00edlia a odiarem-se, \u00e0s vezes por coisas materiais que nada valem. <\/p>\n<p>Neste outono da vida, como s\u00e3o os seus dias? Parece que o ritmo continua acelerado&#8230; <\/p>\n<p>S\u00e3o de atividade muito intensa e constante porque o outono ainda n\u00e3o chegou. Quem desejar saber com pormenor o que me ocupou desde 1 de janeiro at\u00e9 hoje, vai a www.danielserrao.com. Encontra, logo na primeira p\u00e1gina, um calend\u00e1rio que vem desde janeiro; clica nos dias sombreados e fica a saber por onde andei a falar sobre os temas da vida e da \u00e9tica da vida, principalmente. <\/p>\n<p>Tem algum segredo para manter a vitalidade e agilidade f\u00edsica e mental? <\/p>\n<p>A boa sa\u00fade na idade s\u00e9nior ganha-se nos sub-21 como costumo dizer. Os h\u00e1bitos de vida saud\u00e1vel, desde a adolesc\u00eancia, quando cada um come\u00e7a a decidir sobre si pr\u00f3prio, s\u00e3o o passaporte para uma velhice saud\u00e1vel, independente e ativa. Infelizmente, em Portugal, muitos desperdi\u00e7aram essa possibilidade na sua juventude e estragaram a velhice. Devemos ajudar os jovens a perceberem que a boa sa\u00fade na grande idade ganha-se com bons crit\u00e9rios de vida na pequena idade. Se conseguirmos seduzi-los, eles ser\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o portuguesa com mais centen\u00e1rios. Este \u00e9 o segredo. <\/p>\n<p>Gostos de Daniel Serr\u00e3o <\/p>\n<p>Um lema de vida <\/p>\n<p>Nenhuma dificuldade \u00e9 superior \u00e0 nossa vontade de a vencer. <\/p>\n<p>Livros marcantes <\/p>\n<p>\u201cNiels Lyhne &#8211; entre a vida e o sonho\u201d, de J.P. Jacobsen, na adolesc\u00eancia; e \u201cOs Incur\u00e1veis\u201d , de Agustina Bessa-Lu\u00eds, na vida adulta. <\/p>\n<p>M\u00fasica preferida <\/p>\n<p>M\u00fasica cl\u00e1ssica at\u00e9 G. Mahler; e jazz, em especial o Sax tenor e algum piano. <\/p>\n<p>Um grande filme <\/p>\n<p>\u201cO Doutor Jivago\u201d, visto em Luanda, em cinema aberto ao ar livre, no segundo dia da minha chegada, mobilizado, e sem cinco dos meus seis filhos. Mas, felizmente, com uma mulher de coragem que me acompanhou. <\/p>\n<p>Cidade que gosta de visitar <\/p>\n<p>Paris, sempre. Para ver Van Gogh no Quai d\u2019Orsay. E Aveiro, \u201ccidade onde ent\u00e3o vivi coisas que terei pudor de contar seja a quem for\u201d (Jos\u00e9 R\u00e9gio). <\/p>\n<p>Passatempos? <\/p>\n<p>N\u00e3o tenho tempo para ver passar o tempo. Trabalho mental e fisicamente (ando seis quil\u00f3metros, a p\u00e9, todos os dias), constantemente. Quando deixar de o fazer realizo um sonho: arrumar o caos dos meus livros e ler os que ainda est\u00e3o virgens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai ser apresentado amanh\u00e3, 29 de mar\u00e7o, com a presen\u00e7a de Daniel Serr\u00e3o, o livro \u201cAqui diante de mim\u201d, uma entrevista de vida realizada por Henrique Manuel S. Pereira ao m\u00e9dico que nasceu em Vila Real, h\u00e1 82 anos, estudou em Aveiro e desenvolveu grande parte da sua vida profissional no Porto, onde reside. Conhecido [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-23709","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23709"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23709\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}