{"id":23712,"date":"2012-04-04T16:51:00","date_gmt":"2012-04-04T16:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23712"},"modified":"2012-04-04T16:51:00","modified_gmt":"2012-04-04T16:51:00","slug":"a-pascoa-e-sempre-paga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-pascoa-e-sempre-paga\/","title":{"rendered":"A P\u00e1scoa \u00e9 sempre \u00abpag\u00e3\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Mesmo com nuvens negras, \u00e9 sempre um dia bonito. E ningu\u00e9m acompanha a cruz engalanada sem sentir o cheiro a vida, a amizade, a saudade e a alegria.<\/p>\n<p>Pag\u00e3o \u00e9 o habitante do \u00abpagus\u00bb \u2013 \u00abaldeia\u00bb, em latim, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura citadina. O long\u00ednquo radical indo-europeu \u2013 \u00abpak\u00bb \u2013 tem o sentido de \u00abmarco de terreno\u00bb, de uni\u00e3o, estabilidade e for\u00e7a, como se v\u00ea nos termos derivados \u00abpau\u00bb, \u00abpacto\u00bb, \u00abpaz\u00bb \u2013 e \u00abp\u00e1gina\u00bb: esse campo lavrado em esquadria, delimitado por \u00abpaus\u00bb, e a que se assemelha uma folha escrita com as linhas como sulcos. <\/p>\n<p>A P\u00e1scoa \u00e9 sempre pag\u00e3<\/p>\n<p>Porque nasce do campo, <\/p>\n<p>com a for\u00e7a da primavera.<\/p>\n<p>Porque cheira ao sol que brilha na chuva <\/p>\n<p>E transforma a terra <\/p>\n<p>em \u00abp\u00e1ginas\u00bb cultivadas<\/p>\n<p>Donde nascem os grandes livros <\/p>\n<p>e pensamentos<\/p>\n<p>E as cidades onde se firmam <\/p>\n<p>os \u00abpactos\u00bb num acto de \u00abpaz\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 a P\u00e1scoa dos \u00abdisc\u00edpulos de Ema\u00fas\u00bb:<\/p>\n<p>Afastavam-se de Jerusal\u00e9m <\/p>\n<p>lembrando esperan\u00e7as perdidas.<\/p>\n<p>D\u00f3i muito ver partir <\/p>\n<p>quem caminha connosco de bra\u00e7o dado\u2026<\/p>\n<p>Mas guardavam de Jesus <\/p>\n<p>uma imagem luminosa<\/p>\n<p>Porque o seu agir e falar <\/p>\n<p>apontavam para o futuro<\/p>\n<p>Para melhor vida nas gera\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p>que ajudamos a crescer <\/p>\n<p>Lembrando a mulher que <\/p>\n<p>pelas dores de parto,<\/p>\n<p>Exulta de alegria <\/p>\n<p>por ter gerado uma vida nova (Jo\u00e3o 16,21).<\/p>\n<p>Confusos como todos os disc\u00edpulos<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguiam abrir as \u00abp\u00e1ginas\u00bb <\/p>\n<p>da vida e das Escrituras <\/p>\n<p>Onde veriam germinar <\/p>\n<p>a \u00e1rvore do \u00abreino de Deus\u00bb <\/p>\n<p>Sempre frondosa <\/p>\n<p>junto \u00e0 \u00abfonte da \u00e1gua viva\u00bb.<\/p>\n<p>Quando as souberam ler?<\/p>\n<p>\u2013 Pela simpatia de um desconhecido viajante\u2026<\/p>\n<p>Quem seria o simp\u00e1tico viajante (Lucas 24,17), o fugidio jardineiro (Jo\u00e3o 20,15), o amigo da praia (Jo\u00e3o 21,5), o pacificador das nossas escolhas (Jo\u00e3o 21,17), o instigador das nossas respostas (Jo\u00e3o 20,25)?<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte de Jesus, cada evangelho trata \u00e0 sua maneira o tempo e o espa\u00e7o em que v\u00e1rios disc\u00edpulos tiveram a experi\u00eancia de que aquele Jesus dilacerado at\u00e9 \u00e0 morte \u00abn\u00e3o se encontra entre os mortos\u00bb mas j\u00e1 vive a vida de Deus (ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o s\u00e3o duas maneiras de descrever a mesma \u00abrealidade\u00bb). Por isso, e porque na sua simplicidade se revelavam pessoas dignas de serem levadas a s\u00e9rio, n\u00e3o podiam tra\u00e7ar de Jesus uma imagem definida, mas sem o confundir com um fantasma ou morto-vivo. Tiveram a experi\u00eancia de que este mundo passageiro tem uma dimens\u00e3o n\u00e3o passageira; de que a tristeza e a morte s\u00e3o vencidas pela vida e alegria; e que podemos, desde j\u00e1, acompanhar festivamente \u00aba cruz engalanada\u00bb como quem vai pelos caminhos mais ou menos \u00abpag\u00e3os\u00bb, anunciando que estamos todos convidados para um banquete com um Pai \u00absempre na for\u00e7a da idade\u00bb, onde s\u00f3 nos podemos sentir bem, \u00abcomo em nossa casa\u00bb.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23712","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23712\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}