{"id":23714,"date":"2012-04-04T16:53:00","date_gmt":"2012-04-04T16:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23714"},"modified":"2012-04-04T16:53:00","modified_gmt":"2012-04-04T16:53:00","slug":"la-liturgia-a-musica-e-serva-os-ministros-do-canto-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/la-liturgia-a-musica-e-serva-os-ministros-do-canto-tambem\/","title":{"rendered":"La Liturgia a m\u00fasica \u00e9 serva, os ministros do canto tamb\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>JO\u00c3O GAMBOA<\/p>\n<p>1. \u201cA Igreja n\u00e3o existe para si mesma, n\u00e3o \u00e9 o ponto de chegada, mas deve apontar para al\u00e9m de si, para o alto, acima de n\u00f3s\u201d. Isto disse o Papa Bento XVI na homilia da Missa de 18 de fevereiro de 2012, em que nomeou novos cardeais, entre eles o portugu\u00eas D. Manuel Monteiro de Castro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a m\u00fasica na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 serva \u2013 serva da Palavra, serva da Liturgia, serva da Assembleia, serva da Igreja. E como o fim da Liturgia \u00e9 o louvor de Deus e a santifica\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, a m\u00fasica lit\u00fargica \u00e9 o meio mais adequado e perfeito, \u00e9 o meio mais eficaz para a assembleia celebrante bendizer o seu Deus e Senhor, e, na medida em que o faz, alcan\u00e7ar a sua santifica\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O canto lit\u00fargico, portanto, n\u00e3o \u00e9 ponto de chegada e n\u00e3o existe para si mesmo; a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 ministerial, \u00e9 de servi\u00e7o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o da Igreja, \u00e0 express\u00e3o e viv\u00eancia da f\u00e9 do Povo de Deus. A sua voca\u00e7\u00e3o \u00e9 exprimir e dar forma \u00e0 atitude interior de cada crente e de toda a assembleia, no sentido de expressar a Deus a adora\u00e7\u00e3o, a convers\u00e3o, a f\u00e9, o louvor, a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, a s\u00faplica, a medita\u00e7\u00e3o, a comunh\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>O mesmo acontece com os ministros do canto: o coro, o organista, o salmista, os cantores, o diretor do canto. Apagando-se e abstraindo totalmente de si, mas cantando, tocando e dirigindo com arte e com alma, eles est\u00e3o a servir, a despertar, a apoiar e a guiar a assembleia no seu louvor a Deus, na sua festa da f\u00e9, na sua festa de Jesus Cristo. <\/p>\n<p>\u00c9 grande e bela, \u00e9 santa, portanto, a fun\u00e7\u00e3o de cantar na Liturgia. Por isso o diretor do coro escolhe, com outros, e prepara os c\u00e2nticos antecipadamente e ensaia o coro com entusiasmo e compet\u00eancia. Por isso os cantores s\u00e3o ass\u00edduos e pontuais, no ensaio e na celebra\u00e7\u00e3o, e assumem e vivem o minist\u00e9rio do canto com f\u00e9 e com alegria, sabendo que este trabalho \u00e9 indispens\u00e1vel e \u00e9 sagrado. Por isso todos cuidam da sua forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica, espiritual e t\u00e9cnica, para que o seu desempenho seja mais consciente e consistente, para que seja mais seguro. <\/p>\n<p>A m\u00fasica na Liturgia n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma; bem escolhida e bem executada, ela eleva e leva o cora\u00e7\u00e3o de todos at\u00e9 Deus, num louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que salvam. <\/p>\n<p>E tudo isto acontecer\u00e1 tanto mais quanto o cantor for um homem e uma mulher de f\u00e9, de f\u00e9 incarnada e aut\u00eantica, a f\u00e9 da Igreja; quanto a sua atitude religiosa for de constante busca de Deus, com seriedade e humildade. Ent\u00e3o o canto \u00e9 ora\u00e7\u00e3o e express\u00e3o de f\u00e9. Ent\u00e3o o cantor canta com o cora\u00e7\u00e3o cheio de Deus; e canta bem, n\u00e3o s\u00f3 com a voz, mas tamb\u00e9m e sobretudo com o cora\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que confere valor ao louvor que brota dos l\u00e1bios, e s\u00f3 partindo do cora\u00e7\u00e3o o canto poder\u00e1 subir at\u00e9 Deus, como digna express\u00e3o do culto que Lhe \u00e9 devido (Paulo VI).<\/p>\n<p>Se os cantores estiverem cheios de Deus e o coro cantar assim, a assembleia s\u00f3 beneficia e entra tamb\u00e9m, naturalmente, nessa grande atitude de ora\u00e7\u00e3o e de louvor em festa ao Senhor. De facto, \u201cnada mais festivo e mais desej\u00e1vel nas a\u00e7\u00f5es sagradas do que uma assembleia, que, toda inteira, expressa a sua f\u00e9 e a sua piedade por meio do canto\u201d (MS, 19). <\/p>\n<p>2. \u00c9 extraordin\u00e1ria a influ\u00eancia do bom canto sacro e lit\u00fargico na alma daqueles que o escutam e sentem. S\u00f3 dois exemplos. <\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 o de Santo Agostinho, que viveu entre o ano 354 e 430, e foi bispo. No processo da sua convers\u00e3o (ele fora um grande dissoluto na juventude), reconhece a boa influ\u00eancia do canto sagrado. Diz ele, nas suas Confiss\u00f5es: \u201cQuando me lembro das l\u00e1grimas derramadas ao ouvir os c\u00e2nticos da Vossa Igreja \u2013 est\u00e1 a dirigir-se a Deus \u2013 nos prim\u00f3rdios da minha convers\u00e3o \u00e0 f\u00e9 (\u2026), reconhe\u00e7o de novo a grande utilidade deste costume\u201d \u2013 o costume de cantar na a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Salienta, por\u00e9m, que para isso \u00e9 preciso que os c\u00e2nticos sejam \u201centoados com suavidade e arte\u201d, \u201ccom voz l\u00edmpida e modula\u00e7\u00e3o apropriada\u201d. Confessa ainda: \u201cQuando oi\u00e7o cantar (\u2026) as santas palavras com mais piedade e ardor, sinto que o meu esp\u00edrito tamb\u00e9m vibra com devo\u00e7\u00e3o mais religiosa e ardente do que se fossem cantadas de outro modo\u201d.<\/p>\n<p>O outro testemunho \u00e9 de Paul Claudel, dramaturgo, poeta e diplomata franc\u00eas, que morreu em 1955. Na noite de Natal de 1886, com 18 anos, entrou na Bas\u00edlica de Notre Dame, em Paris, n\u00e3o por motivos de f\u00e9 mas para procurar argumentos contra os crist\u00e3os. Era a Missa da Noite de Natal. E, ao ouvir cantar o Magnificat, sofreu \u201cun soul\u00e8vement de tout son \u00eatre\u201d, uma ilumina\u00e7\u00e3o divina semelhante \u00e0 que fulminou Paulo de Tarso no caminho de Damasco. Deus atuou no seu cora\u00e7\u00e3o e, pela gra\u00e7a, conduziu-o \u00e0 convers\u00e3o. A partir de ent\u00e3o, dedicou toda a sua vida e sobretudo a sua obra liter\u00e1ria \u00e0 maior gl\u00f3ria de Deus. E Deus est\u00e1 presente nela, de uma maneira ou de outra.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o o mesmo testemunho dois escritores dos nossos dias. A brasileira Ad\u00e9lia Prado comenta que, em algumas celebra\u00e7\u00f5es, sai-se da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar. Diz ela: \u201cO canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones alt\u00edssimos, n\u00e3o facilitam a ora\u00e7\u00e3o, mas impedem o espa\u00e7o de sil\u00eancio, de serenidade contemplativa\u201d. E o portuense M\u00e1rio Cl\u00e1udio, por seu lado (Correio do Vouga, n.\u00ba 4014, 22 de fevereiro de 2012, p. 3), diz que \u201cNos tempos recentes, entrou a m\u00fasica de p\u00e9ssima qualidade na Igreja Cat\u00f3lica, que era a Igreja da grande m\u00fasica europeia. Consequ\u00eancia do Vaticano II? Dizem-me que n\u00e3o. H\u00e1, \u00e9 certo, uma tenta\u00e7\u00e3o do facilitismo, do feio, do grotesco. (\u2026) Se \u00e9 para chamar os jovens, estes jovens n\u00e3o prestam para nada. (Eu acrescentaria: e quem os entret\u00e9m e engana assim ainda presta para menos!). Prefiro uma celebra\u00e7\u00e3o sem m\u00fasica a ter que sofrer aquela tortura\u201d. E remata: \u201cSe eu fosse mais novo, pela m\u00fasica e pelos textos, convertia-me aos ortodoxos\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JO\u00c3O GAMBOA 1. \u201cA Igreja n\u00e3o existe para si mesma, n\u00e3o \u00e9 o ponto de chegada, mas deve apontar para al\u00e9m de si, para o alto, acima de n\u00f3s\u201d. Isto disse o Papa Bento XVI na homilia da Missa de 18 de fevereiro de 2012, em que nomeou novos cardeais, entre eles o portugu\u00eas D. 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