{"id":23742,"date":"2012-04-18T17:05:00","date_gmt":"2012-04-18T17:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23742"},"modified":"2012-04-18T17:05:00","modified_gmt":"2012-04-18T17:05:00","slug":"pagador-de-promessas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pagador-de-promessas\/","title":{"rendered":"Pagador de promessas"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> A partir daquela P\u00e1scoa, as milen\u00e1rias hist\u00f3rias de deuses ficaram mais ultrapassadas, cheias que eram de medos, castigos e de onerosos rituais para conquistar as boas gra\u00e7as desse ser ou seres superiores, como se estes fossem \u201cdivinamente corruptos\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 antes de Cristo se procurava que Deus n\u00e3o fosse \u00abcomerci\u00e1vel\u00bb. A moedinha da vi\u00fava (Lucas 21,1-4), como notou Jesus, valia muito mais do que os chorudos donativos para dar nas vistas, sem a menor vontade de \u201cdar o corpo ao manifesto\u201d na constru\u00e7\u00e3o de um mundo com mais justi\u00e7a. <\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o dos Homens com Deus \u00e9 claro que levanta problemas. Valha-nos acreditar que Deus \u00e9 a Palavra silenciosa e amiga a acompanhar-nos do nascimento \u00e0 morte \u2013 fazendo-nos ver que a vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u00abisto\u00bb e que, se pensarmos deste modo, \u00abisto\u00bb at\u00e9 passa a ser muito melhor! <\/p>\n<p>Para bem sentir a amizade dessa Palavra, precis\u00e1mos de \u00abrepresentantes de Deus\u00bb. A ideia de Messias (central nas tr\u00eas leituras deste domingo) a\u00ed estava, concretizando a necessidade de um \u00absalvador\u00bb.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o era f\u00e1cil para os Judeus, como continua a ser dif\u00edcil hoje em dia, aceitar um salvador que n\u00e3o ponha em primeiro lugar a liberta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais opressivas. Honestamente, quem vai em lindas cerim\u00f3nias religiosas, se realizadas sob o ausp\u00edcio de poderes opressores, ou at\u00e9 de conluio com eles?<\/p>\n<p>Os primeiros disc\u00edpulos gritaram aos quatro ventos que o verdadeiro messias era mesmo aquele Jesus que fora crucificado \u2013 por n\u00e3o aceitar uma \u00abreligi\u00e3o de conveni\u00eancia\u00bb a quaisquer que fossem os interesseiros. Doravante, n\u00e3o podemos permanecer na ignor\u00e2ncia de que se abriu uma porta de comunica\u00e7\u00e3o nova com Deus, como entre filhos e pais que se adorem (1.\u00aa leitura) \u2013 e \u00abfilhos\u00bb respons\u00e1veis e capazes de \u00abprojectos de salva\u00e7\u00e3o\u00bb (2.\u00aa leitura). Por\u00e9m, a salva\u00e7\u00e3o integral do ser humano, se feita com o \u00abEsp\u00edrito de Deus\u00bb, tem que saber utilizar, cr\u00edtica e criativamente, os conhecimentos de tecnologia, direito, economia, \u00e9tica, pol\u00edtica\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 que n\u00e3o podemos descansar na esperan\u00e7a que h\u00e1-de aparecer algu\u00e9m (que n\u00e3o n\u00f3s\u2026) com a sabedoria e coragem necess\u00e1rias para p\u00f4r tudo em ordem.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida que \u00e9 mais f\u00e1cil seguir o carreirinho das leis e costumes do que desbravar, com arte, caminhos novos; e que seja o Messias a romper as sebes espinhosas e ent\u00e3o, se a paisagem for do nosso agrado, segui-lo-emos alegremente e com promessas de fidelidade\u2026<\/p>\n<p>Mas o pr\u00f3prio Messias, com todo o seu arrojo, n\u00e3o destruiu a injusti\u00e7a no mundo. \u00c9 que, bem vistas as coisas, ele n\u00e3o quer ser o \u00fanico pagador de promessas\u2026<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n<p>Sobre a palavra \u201cmessias\u201d<\/p>\n<p>A palavra \u00abMessias\u00bb prov\u00e9m directamente do aramaico, significando \u00abungido\u00bb. Ao ser ungido com \u00f3leo, o rei passava a ser \u00abo messias do Senhor\u00bb, um representante do \u00abpoder\u00bb de Deus, respons\u00e1vel pelo bem do seu povo. Em grego, ungido diz-se \u00abcristo\u00bb e David poderia ser chamado \u00abCristo de Jav\u00e9\u00bb (1 Samuel, 16, 13) \u00abFilho de Deus\u00bb (como se designaram muitos reis e imperadores) e \u00abpastor\u00bb de todo o povo. Reis, sacerdotes e profetas podiam ser os \u00abmedianeiros\u00bb de Deus. A exist\u00eancia de reis in\u00edquos e de falsos profetas e a pergunta cada vez mais angustiante sobre o sentido da vida, motivaram outro n\u00edvel de esperan\u00e7a, centrada num misterioso \u00abpr\u00edncipe da paz\u00bb \u00absalvador\u00bb. Quando este aparecesse, chegaria \u00abo fim dos tempos\u00bb imperfeitos e o come\u00e7o do \u00abreino de Deus\u00bb, ou seja dos tempos de perfeita justi\u00e7a e felicidade. \u00abJesus\u00bb, porque agiu radicalmente em sintonia com o \u00abesp\u00edrito\u00bb de Deus, ficou considerado o verdadeiro \u00abMessias\u00bb (ou \u00abCristo\u00bb) e \u00abFilho de Deus\u00bb. Outros t\u00edtulos profundamente simb\u00f3licos na cultura judaica e muito dif\u00edceis de definir se acrescentaram: \u00abFilho do Homem\u00bb, \u00abSenhor\u00bb e \u00abLogos\u00bb (\u00abPalavra\u00bb ou \u00abVerbo\u00bb). O t\u00edtulo mais importante \u00e9 o de \u00abSenhor\u00bb. Os outros t\u00edtulos designam fun\u00e7\u00f5es de media\u00e7\u00e3o, que podiam ser desempenhadas pelos reis e profetas. \u00abMessianismo\u00bb passou a ser entendido, mesmo fora do registo religioso, como a esperan\u00e7a de uma mudan\u00e7a radical no nosso mundo e a projec\u00e7\u00e3o, num futuro indeterminado, da imagem poss\u00edvel de sociedade perfeita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23742\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}