{"id":23743,"date":"2012-04-18T17:08:00","date_gmt":"2012-04-18T17:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23743"},"modified":"2012-04-18T17:08:00","modified_gmt":"2012-04-18T17:08:00","slug":"podem-os-cristaos-acreditar-na-reencarnacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/podem-os-cristaos-acreditar-na-reencarnacao\/","title":{"rendered":"Podem os crist\u00e3os acreditar na reencarna\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>P\u00e1scoa, Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne <!--more--> Vai-se tornando vulgar ouvir, at\u00e9 da boca de pessoas mais avisadas, afirma\u00e7\u00f5es semelhantes a esta: \u00abNa pr\u00f3xima reencarna\u00e7\u00e3o, farei isto ou aquilo\u2026\u00bb, como se se tratasse de uma convic\u00e7\u00e3o absolutamente consequente com a f\u00e9 crist\u00e3 partilhada pela maioria dos portugueses.<\/p>\n<p>Contudo, s\u00f3 por distra\u00e7\u00e3o se pode pensar assim.<\/p>\n<p>Na verdade, importa, antes de mais, observar que pode estar na origem desta confus\u00e3o que entende que a reencarna\u00e7\u00e3o seja coerente e compat\u00edvel com a f\u00e9 crist\u00e3, a afirma\u00e7\u00e3o da encarna\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus Cristo. Por\u00e9m, s\u00f3 nos termos h\u00e1 proximidade, pois falar da encarna\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 dizer que Deus assumiu a carne humana, mas tal facto operou-se uma s\u00f3 vez e de forma irrepet\u00edvel, conte\u00fado que se op\u00f5e, de imediato, \u00e0 circularidade e repetibilidade da f\u00e9 na reencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Comecemos, pois, por afirmar que a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que um mesmo princ\u00edpio espiritual possa assumir repetidas vezes uma condi\u00e7\u00e3o corporal. Em tal convic\u00e7\u00e3o, a corporeidade (o corpo) \u00e9 um elemento estranho \u00e0 pr\u00f3pria identidade. \u00c9-lhe n\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p>Ora, um dos tra\u00e7os mais marcantes da f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9, precisamente, a valoriza\u00e7\u00e3o da corporeidade, do corpo, da presen\u00e7a na Hist\u00f3ria. \u00c9, precisamente, isso que se afirma na encarna\u00e7\u00e3o de Deus. Deus encarna porque o corpo \u00e9 parte da defini\u00e7\u00e3o de cada ser humano. O corpo enquanto condi\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a junto do outro \u00e9 elemento definidor do que se \u00e9. <\/p>\n<p>Curiosamente, os que afirmam a reencarna\u00e7\u00e3o com total tranquilidade esquecem dois dados relevantes:<\/p>\n<p>&#8211; em primeiro, que a f\u00e9 na reencarna\u00e7\u00e3o nasce no contexto oriental, por influ\u00eancia, primeiro do Hindu\u00edsmo, e assumida, posteriormente, pelo Budismo. Por isso, estranha, ex\u00f3gena ao Cristianismo.<\/p>\n<p>&#8211; em segundo lugar, que um dos primeiros \u00abcombates\u00bb dos primeiros crist\u00e3os foi, precisamente, contra as correntes gn\u00f3sticas, que desvalorizavam o corpo e que lhe atribu\u00edam, inclusivamente, a responsabilidade pela origem do mal. O cristianismo combateu esta convic\u00e7\u00e3o e, atrav\u00e9s de figuras como o grande Santo Ireneu, vincou a import\u00e2ncia da valoriza\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o corp\u00f3rea de cada um. \u00c9 que, com efeito, o reconhecimento da corporeidade \u00e9 a garantia de que a liberdade tem sentido, que a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 pessoal e \u00fanica, que o amor de Deus \u00e9 por cada um e que a Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma eterna repeti\u00e7\u00e3o do mesmo, mas um caminho para a eternidade. Mais ainda, mesmo para os que possam n\u00e3o reconhecer a relev\u00e2ncia desta discuss\u00e3o teol\u00f3gica, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o da corporeidade que permite reconhecer a bondade da sexualidade humana, a virtualidade do conceito de progresso e a possibilidade de se descobrir a riqueza do mundo, atrav\u00e9s das conquistas da ci\u00eancia. \u00c9, ainda, a garantia de que o corpo \u00e9, tamb\u00e9m, um lugar \u00e9tico, pressuposto t\u00e3o importante, por exemplo, para a bio\u00e9tica, em que o corpo deve ser tratado como parte da identidade de cada um e n\u00e3o como um elemento estranho ao que se \u00e9. Tudo aspetos que a reencarna\u00e7\u00e3o desvaloriza. <\/p>\n<p>Talvez, afinal, valha a pena interrogarmo-nos, sempre, sobre o sentido das palavras para que elas n\u00e3o neguem os conceitos que por elas pretend\u00edamos transmitir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e1scoa, Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-23743","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23743"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23743\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}