{"id":23786,"date":"2012-05-30T16:46:00","date_gmt":"2012-05-30T16:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23786"},"modified":"2012-05-30T16:46:00","modified_gmt":"2012-05-30T16:46:00","slug":"dimensoes-essenciais-da-igreja-ainda-pouco-explicadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dimensoes-essenciais-da-igreja-ainda-pouco-explicadas\/","title":{"rendered":"Dimens\u00f5es essenciais da Igreja ainda pouco explicadas"},"content":{"rendered":"<p>Vista, de fora e por muitos, a Igreja como uma sociedade clerical, n\u00e3o tem sido f\u00e1cil, como \u00e9 de direito, a integra\u00e7\u00e3o do laicado no corpo eclesial. O reconhecimento, n\u00e3o meramente formal, dos direitos e dos deveres dos leigos crist\u00e3os, obriga a propostas de forma\u00e7\u00e3o espiritual e doutrinal, muitas inexistentes, por rotina ou por falta de aten\u00e7\u00e3o a aspetos importantes. O Vaticano II, na constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja, que vimos comentando, refere dois temas de especial import\u00e2ncia, que continuam pouco explicados aos crist\u00e3os: a voca\u00e7\u00e3o de todos \u00e0 santidade e a condi\u00e7\u00e3o da Igreja que peregrina no tempo, rumo \u00e0 sua plenitude para al\u00e9m do tempo.<\/p>\n<p>Numa Igreja que \u00e9 santa, pelo Esp\u00edrito que a anima, mas sempre necessitada de convers\u00e3o e de purifica\u00e7\u00e3o, todos os seus membros s\u00e3o chamados, de igual modo, a caminhar, na sua vida di\u00e1ria e de modo consciente e livre, para adquirir, \u00e0 sua medida, a perfei\u00e7\u00e3o querida por Deus e a todos acess\u00edvel. Ser santo n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio de alguns, \u00e9 possibilidade de todos. E \u00e9 na vida do dia a dia, com os seus trabalhos e canseiras, alegrias e desgostos, \u00eaxitos e fracassos, que se vai processando o caminhar \u00e0 maneira e \u00e0 medida de Cristo. O caminho \u00e9 sempre o do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, porque sempre a caridade ser\u00e1 o v\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p> O Conc\u00edlio insiste no dever de os pastores da Igreja estimularem os crist\u00e3os, com o seu pr\u00f3prio testemunho, a fazer o caminho da santidade. E muitos andam j\u00e1 este caminho, de modo silencioso, mas consciente. De isso se apercebem outros crist\u00e3os, e mesmo n\u00e3o crist\u00e3os, mais sens\u00edveis \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. A maioria dos santos da Igreja s\u00e3o an\u00f3nimos e nunca subir\u00e3o aos altares, mas a sua mem\u00f3ria perdura para al\u00e9m do tempo. Casais, pais, oper\u00e1rios e rurais, intelectuais e pol\u00edticos, por estranho que pare\u00e7a, fazem parte da multid\u00e3o dos que testemunham, no mundo e no tempo, a santidade de Deus, como ideal das suas vidas.<\/p>\n<p>Esta caminhada, rumo a mais al\u00e9m, faz-se no seio de uma Igreja que peregrina e de uma sociedade, tamb\u00e9m ela marcada por um ideal que n\u00e3o se contenta com o que j\u00e1 se conseguiu, mas aberto a novas experi\u00eancias de bem e de amor partilhado. O crist\u00e3o, acordado e iluminado pela f\u00e9, sabe que n\u00e3o tem aqui morada permanente, que a sua condi\u00e7\u00e3o \u00e9 de peregrino, que a sua dignidade n\u00e3o se contenta apenas como transit\u00f3rio e o ef\u00e9mero. Nunca poder\u00e1 esquecer que est\u00e1 no mundo, mas n\u00e3o \u00e9 do mundo; que tem aqui uma miss\u00e3o a cumprir que lhe vem, como encargo, dos seus prim\u00f3rdios; que a sua realiza\u00e7\u00e3o pessoal se vive cultivando o seu ser e a sua dignidade na entrega a uma miss\u00e3o, com efeitos para al\u00e9m do tempo e do imediato. A Igreja confessa a sua f\u00e9 no Senhor que vir\u00e1 e clama em cada Eucaristia: \u201cVinde, Senhor Jesus!\u201d. Sente, neste grito, o est\u00edmulo a n\u00e3o se quedar no tempo, mas a saborear a atra\u00e7\u00e3o do eterno. Os santos e Maria, M\u00e3e de Jesus, estimulam, porque j\u00e1 a fizeram, esta caminhada da Igreja peregrina que busca a sua plenitude, onde ela se encontra: em Deus, origem da vida, fonte do bem, amor inesgot\u00e1vel, Pai misericordioso, no qual \u201ctodos nos movemos, existimos e somos\u201d.<\/p>\n<p>Tanto o chamamento universal \u00e0 santidade, como o peregrinar no mundo com sentido de eternidade, s\u00e3o apoio nas dificuldades, experi\u00eancia de tempo nunca perdido, sabor de alegria e paz, diferentes das que o mundo promete e d\u00e1. Tudo isto \u00e9 doutrina conciliar, a que o Povo de Deus tem direito. A pobreza de uma prega\u00e7\u00e3o rotineira nunca poder\u00e1 abrir horizontes que gerem a alegria da f\u00e9 e a certeza se sentir amado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vista, de fora e por muitos, a Igreja como uma sociedade clerical, n\u00e3o tem sido f\u00e1cil, como \u00e9 de direito, a integra\u00e7\u00e3o do laicado no corpo eclesial. 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