{"id":23798,"date":"2012-06-14T09:30:00","date_gmt":"2012-06-14T09:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23798"},"modified":"2012-06-14T09:30:00","modified_gmt":"2012-06-14T09:30:00","slug":"francisco-e-jacinta-para-os-dias-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/francisco-e-jacinta-para-os-dias-de-hoje\/","title":{"rendered":"Francisco e Jacinta para os dias de hoje"},"content":{"rendered":"<p>No contexto da peregrina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, no domingo passado, a Ag\u00eancia Ecclesia falou com a Irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho, vice-postuladora da Causa dos Pastorinhos, que deu conta do esfor\u00e7o cont\u00ednuo da organiza\u00e7\u00e3o em apresentar a vida dos beatos Francisco e Jacinta. \u00c2ngela Coelho, religiosa Congrega\u00e7\u00e3o das Servas de Nossa Senhora de F\u00e1tima, \u00e9 tamb\u00e9m professora de Teologia no Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro (ISCRA).<\/p>\n<p>Como \u00e9 que a mensagem dos pastorinhos Jacinta e Francisco chega \u00e0s crian\u00e7as do s\u00e9culo XXI?<\/p>\n<p>Irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho &#8211; Os pastorinhos, que foram crian\u00e7as do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, t\u00eam bastante a dizer \u00e0s crian\u00e7as do s\u00e9culo XXI. Ainda que com 100 anos de diferen\u00e7a, a natureza humana essencialmente n\u00e3o vai mudando. O ser humano \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar na rela\u00e7\u00e3o com Deus. O maravilhoso da Jacinta e do Francisco \u00e9 que s\u00e3o crian\u00e7as que nunca deixaram de ser crian\u00e7as. Foram sempre fi\u00e9is \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>As apari\u00e7\u00f5es n\u00e3o mudaram a sua forma estrutural de ser. Continuaram a ser crian\u00e7as porque morreram crian\u00e7as e por isso, continuam a ser exemplos muito pr\u00f3ximos nos dias de hoje. Gostavam de brincar, gostavam da fam\u00edlia, gostavam de estar uns com os outros. O que aconteceu de novo nas suas vidas s\u00e3o as apari\u00e7\u00f5es do Anjo que potencializaram caracter\u00edsticas pr\u00f3prias: a abertura ao transcendente, a Deus, \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com Jesus e Nossa Senhora; a disponibilidade para o que Deus vai fazendo deles e a confian\u00e7a. Os pastorinhos ensinam-nos isto &#8211; a confiar e a n\u00e3o nos fecharmos a uma rela\u00e7\u00e3o com Deus. Com ora\u00e7\u00f5es simples, com ofertas \u00e0 sua medida mas que revelam uma abertura a Deus e \u00e0 transcend\u00eancia.<\/p>\n<p>Que import\u00e2ncia tem a peregrina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as no contexto da mensagem de F\u00e1tima?<\/p>\n<p>Est\u00e1 a tornar-se numa das maiores peregrina\u00e7\u00f5es no Santu\u00e1rio. Maio, outubro e agosto eram meses fortes e agora a peregrina\u00e7\u00e3o do 10 de junho das crian\u00e7as est\u00e1 a tornar-se numa das maiores.<\/p>\n<p>H\u00e1 toda uma adapta\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o e das atividades \u00e0s crian\u00e7as para que elas entendam, desde os gestos \u00e0 pr\u00f3pria oferta que levam para casa.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m importante porque com as crian\u00e7as v\u00eam os adultos, os pais e os av\u00f3s, os catequistas e tios. O Santu\u00e1rio fica colorido e evidencia-se a viv\u00eancia da fam\u00edlia. Penso que se est\u00e1 a tornar importante por isso, pela presen\u00e7a das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Creio que uma crian\u00e7a que em pequena vem a F\u00e1tima, nunca mais o esquece. Por muito que a sua vida na juventude e idade adulta a afaste de Deus, fica esta semente.<\/p>\n<p>O que \u00e9 que as crian\u00e7as veem? Os beatos, Jacinta e Francisco, ou o Santu\u00e1rio em si?<\/p>\n<p>Penso que veem as duas coisas. Por uma quest\u00e3o pr\u00e1tica \u00e9 no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima que se encontram os restos mortais dos pastorinhos. O espa\u00e7o acolhe a cust\u00f3dia da Capelinha, que \u00e9 o grande tesouro do Santu\u00e1rio, com a imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima, mas tamb\u00e9m a cust\u00f3dia dos beatos que est\u00e3o l\u00e1 sepultados.<\/p>\n<p>O Santu\u00e1rio sempre teve a preocupa\u00e7\u00e3o de ir transmitindo a figura do Francisco e da Jacinta, enquanto exemplos concretos com que as crian\u00e7as se podem relacionar. Os c\u00e2nticos, os presentes est\u00e3o tamb\u00e9m relacionados com os pastorinhos &#8211; porque eram crian\u00e7as como eles.<\/p>\n<p>Para uma crian\u00e7a desta idade \u00e9 dif\u00edcil perceber, no abstrato, que h\u00e1 uma mensagem. O que \u00e9 f\u00e1cil perceber \u00e9 que houve um menino Francisco, como eles, que gostava de um Jesus escondido e que eles podem aprender nas suas par\u00f3quias a fazer companhia ao Jesus escondido, por exemplo antes da missa. \u00c9 f\u00e1cil perceber que houve uma menina Jacinta que gostava muito de Nossa Senhora e que por isso, rezava todos os dias o ter\u00e7o. Eles tamb\u00e9m o podem fazer.<\/p>\n<p>Para as crian\u00e7as, \u00e9 mais acess\u00edvel ter modelos concretos com os quais se podem relacionar. O Santu\u00e1rio de F\u00e1tima tem feito um esfor\u00e7o para apresentar estas duas dimens\u00f5es. Creio que as crian\u00e7as levam na retina a prociss\u00e3o do adeus, mas levam tamb\u00e9m o exemplo concreto dos dois beatos.<\/p>\n<p>Eram crian\u00e7as muito diferentes?<\/p>\n<p>Sim, eram crian\u00e7as muito diferentes antes das apari\u00e7\u00f5es do Anjo e depois das apari\u00e7\u00f5es essas diferen\u00e7as v\u00e3o acentuar-se. O Francisco era um menino d\u00f3cil, pac\u00edfico e que gostava de estar sozinho para contemplar a natureza. Era muito amigo da irm\u00e3. Os pastorinhos d\u00e3o-nos uma grande li\u00e7\u00e3o a n\u00edvel familiar.<\/p>\n<p>Os pastorinhos foram o que foram &#8211; e Nossa Senhora encontrou naquelas crian\u00e7as um terreno t\u00e3o bom para trabalhar &#8211; porque os pais j\u00e1 os tinham educado nos valores humanos e crist\u00e3os. A fam\u00edlia e as rela\u00e7\u00f5es eram muito estruturadas. \u00c9 um desafio \u00e0s nossas fam\u00edlias de hoje.<\/p>\n<p>O Francisco era tranquilo. A L\u00facia disse que se ele crescesse o seu pior defeito seria o \u00abn\u00e3o te rales\u00bb. N\u00e3o gostava de brigas ou lutas.<\/p>\n<p>A Jacinta era mais extrovertida, mais brincalhona, mais espont\u00e2nea. Tinha o defeito de amuar quando as coisas n\u00e3o lhe corriam bem.<\/p>\n<p>Depois das apari\u00e7\u00f5es houve uma mudan\u00e7a, sobretudo na Jacinta, no sentido de se superar a si mesma, por amor a Jesus, a Nossa Senhora e aos pecadores por quem ela ia oferecendo os seus pequenos sacrif\u00edcios &#8211; n\u00e3o amuar, n\u00e3o ficar zangada.<\/p>\n<p>O Francisco vai continuar a sua capacidade contemplativa mas agora com Deus em ora\u00e7\u00e3o. O Francisco era fascinado e centrado em Deus. Tamb\u00e9m aqui ele pode ajudar-nos, ao indicar o quanto \u00e9 fundamental para uma vida espiritual saud\u00e1vel fazer de Deus o centro da nossa vida.<\/p>\n<p>A Jacinta \u00e9 muito atraente. Ao longo dos anos que tenho falado deles dou conta que a Jacinta cativa de forma muito espont\u00e2nea. Tinha tra\u00e7os muito bonitos mas era tamb\u00e9m viva\u00e7a e as pessoas gostam dela de uma forma muito particular. Esta sua abertura transformou-se numa enorme capacidade de amar. Ela amava tudo e todos &#8211; os bons e os maus, os que via a sofrer, por exemplo o santo padre, e os que ela via que faziam sofrer, por exemplo os pobres pecadores.<\/p>\n<p>Ela tinha um cora\u00e7\u00e3o universal e assumiu o compromisso com tudo quanto viu e viveu. \u00c9 um grande exemplo para os dias de hoje.<\/p>\n<p>Tenho visto crian\u00e7as, a quem falo dos pastorinhos, com atitudes que me comovem.<\/p>\n<p>\u00c9 dessa forma que as crian\u00e7as desconstroem a ideia de penit\u00eancia, de ora\u00e7\u00e3o, de repara\u00e7\u00e3o que s\u00e3o valores centrais na mensagem de F\u00e1tima?<\/p>\n<p>Quando apresento a vida dos pastorinhos \u00e0s crian\u00e7as tento focar na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, que Jesus existe, que \u00e9 uma pessoa com quem nos podemos relacionar, que \u00e9 amigo, que est\u00e1 pr\u00f3ximo e que conta connosco. E aqui falo da ora\u00e7\u00e3o. Cada crian\u00e7a vai dando a sugest\u00e3o de como pode rezar e ouvem-se coisas muito generosas. (&#8230;)<\/p>\n<p>S\u00e3o relatos de convers\u00e3o que lhe chegam?<\/p>\n<p>Convers\u00e3o ao seu n\u00edvel. Eles n\u00e3o t\u00eam de fazer uma mudan\u00e7a de vida deixando o mal e aderindo ao bem. Mas recebo relatos de crian\u00e7as que se superam a si mesmas, que aprendem a sair de si. Isto \u00e9 fundamental. \u00c9 o princ\u00edpio do amor. Amamos quando sa\u00edmos de n\u00f3s mesmos, nos esquecemos de n\u00f3s e pensamos no outro.<\/p>\n<p>Naturalmente as crian\u00e7as gostam de ser o centro, faz parte do seu crescimento. Mas quando a crian\u00e7a aprende a sair de si e a pensar no outro, \u00e9 uma crian\u00e7a que est\u00e1 a fazer um enorme processo de convers\u00e3o no sentido correto, no voltar-se para Deus. Os pastorinhos t\u00eam sido um exemplo pr\u00e1tico para estes meninos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da peregrina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, no domingo passado, a Ag\u00eancia Ecclesia falou com a Irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho, vice-postuladora da Causa dos Pastorinhos, que deu conta do esfor\u00e7o cont\u00ednuo da organiza\u00e7\u00e3o em apresentar a vida dos beatos Francisco e Jacinta. \u00c2ngela Coelho, religiosa Congrega\u00e7\u00e3o das Servas de Nossa Senhora de F\u00e1tima, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-23798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23798\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}