{"id":23821,"date":"2012-06-14T10:42:00","date_gmt":"2012-06-14T10:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23821"},"modified":"2012-06-14T10:42:00","modified_gmt":"2012-06-14T10:42:00","slug":"devagar-se-vai-ao-longe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/devagar-se-vai-ao-longe\/","title":{"rendered":"Devagar se vai ao longe"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Tanto o evangelho como Ezequiel falam do misterioso \u00abreino de Deus\u00bb, que pouco a pouco, com retrocessos, com ang\u00fastias, sofrimentos, mas tamb\u00e9m com alegrias e com a for\u00e7a da vida que \u00e9 a for\u00e7a da esperan\u00e7a, vai juntando a humanidade inteira, sem limites nem de tempo nem de espa\u00e7o, sob o objectivo comum da justi\u00e7a perfeita. Ezequiel sublinha que este projecto seria louco, se n\u00e3o houvesse dentro de n\u00f3s o poder da for\u00e7a de Deus, que \u00abhumilha a \u00e1rvore elevada e eleva a \u00e1rvore modesta\u00bb (o \u00abreino de Deus\u00bb n\u00e3o se faz com a luta pelo poder mas com a luta pelo bem-estar de toda a humanidade \u2013 s\u00f3 assim se defendendo o bem-estar de cada qual). <\/p>\n<p>\u00c9 um projecto que se estende muito para al\u00e9m da vida individual, quer no espa\u00e7o quer no tempo. O nosso estreito \u00e2ngulo de vis\u00e3o \u00e9 que engana o ju\u00edzo que fazemos de \u00abcomo vai o mundo\u00bb. As pedras majestosas do templo de Jerusal\u00e9m podem ruir (Marcos 13, 1-2); mas aquelas \u00abpedras\u00bb com que cada ser humano marca presen\u00e7a no mundo, mesmo se parecem ignoradas, nunca mais ser\u00e3o destru\u00eddas. E devagarinho, com \u00abpedrinhas\u00bb t\u00e3o simples e fortes como breves palavras amigas, se vai solidificando a esperan\u00e7a da humanidade. S\u00f3 quando o empreendimento tiver atingido a forma madura, \u00e9 que ficar\u00e1 bem claro quem lutou pela vida ou pela morte (evangelho).<\/p>\n<p>O templo admir\u00e1vel que \u00e9 o corpo humano tanto pode abrigar uma for\u00e7a de vida como uma for\u00e7a de morte. Ao longo dos s\u00e9culos, as leis humanas pretendem apoiar as for\u00e7as de vida, apesar da for\u00e7a de morte de muitos poderosos envenenadores da humanidade. P\u00f5e-se continuamente o problema do bem e do mal, um problema que tamb\u00e9m ele vai evoluindo devagar, com retrocessos e sucessos, com mesquinhezes e com hero\u00edsmos.<\/p>\n<p>S. Paulo preocupa-se muito com o discernimento do bem e do mal. Nesta carta, provavelmente um aglomerado de duas ou mais cartas originais, mostra-se particularmente inquieto pelo surgimento de falsos profetas, \u00abenvenenadores\u00bb da evolu\u00edda sociedade de Corinto. Quem n\u00e3o gostaria de ver perfeitamente realizada a justi\u00e7a do \u00abreino de Deus\u00bb? Mas se nos cerca a ang\u00fastia perante o car\u00e1cter transit\u00f3rio desta vida a que somos lan\u00e7ados e que muitas vezes nem parece vida\u2026 valer\u00e1 a pena tanta esperan\u00e7a e tanto esfor\u00e7o? (1.\u00aa Cor\u00edntios 15,32). <\/p>\n<p>Para S. Paulo, \u00abcaminhamos \u00e0 luz da f\u00e9 e n\u00e3o da vis\u00e3o clara\u00bb (2.\u00aa leitura). A nova vida, prometida por Cristo, ser\u00e1 mesmo a plenitude do prazer de viver, sem sombras de ang\u00fastias, com todas as pessoas que amamos \u2013 com o prazer de sentir o amor de todos os seres humanos e de tudo o que d\u00e1 alegria \u00e0 nossa vida? Dentro dos limites humanos, a resposta \u00e9 a da for\u00e7a do optimismo perante a dolorosa passagem para o \u00abnovo mundo\u00bb: \u00e9 imposs\u00edvel imaginar sequer a alegria sem sombras que nos espera (1.\u00aa Cor\u00edntios 2,9; Romanos 8,18ss). N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma \u00abalegria branca\u00bb mas de uma alegria cheia de cor. \u00abUm novo c\u00e9u e uma nova terra\u00bb. O encontro com Deus em que vida, eternidade, beleza e alegria se confundem, em profundo contraste com a actual condi\u00e7\u00e3o humana. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 j\u00e1 nesta vida que temos que ir ao encontro do que nos faz a todos felizes. O bem-estar da sociedade, assente no trabalho de cada qual para o bem comum, \u00e9 uma prioridade bem vis\u00edvel noutra passagem desta carta: a comunidade de Corinto promoveu uma \u00abcolecta ecum\u00e9nica\u00bb, junto de todas as comunidades conhecidas, para socorrer as dificuldades materiais com que se debatia a comunidade de Jerusal\u00e9m. S\u00f3 que os cor\u00edntios eram bons, sobretudo, para dar ideias e ficar a ver os outros a trabalhar\u2026 (2.\u00aa Cor\u00edntios 8,10-15).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o \u00abreino de Deus\u00bb acaba sempre por ir crescendo, aproveitando o que \u00e9 novo e o que \u00e9 velho e servindo-se do \u00aberro\u00bb como uma \u00abaventura\u00bb de que se tira sabedoria. Por isso vai devagar \u2013 mas que n\u00e3o seja por ficarmos de bra\u00e7os cruzados a ver s\u00f3 os outros a trabalhar\u2026 <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23821","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23821\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}