{"id":23877,"date":"2012-06-28T11:08:00","date_gmt":"2012-06-28T11:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23877"},"modified":"2012-06-28T11:08:00","modified_gmt":"2012-06-28T11:08:00","slug":"um-tema-que-toca-a-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-tema-que-toca-a-todos\/","title":{"rendered":"Um tema que toca a todos"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 vimos como o Conc\u00edlio nos trouxe reflex\u00e3o teol\u00f3gica e orienta\u00e7\u00e3o para que se possa perceber o sentido da hierarquia na Igreja. Sempre um minist\u00e9rio de servi\u00e7o ao Povo de Deus, fora de categorias de poder ou de grandeza, social ou humana. O que ent\u00e3o se disse no cap\u00edtulo III da Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja \u00e9 agora concretizado no decreto sobre o \u201cMunus Pastoral dos Bispos\u201d. O tema toca a todos os crist\u00e3os, que t\u00eam, ao seu servi\u00e7o, o bispo que preside, em nome do Senhor e a seu exemplo, \u00e0 por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus que foi lhe confiada, a sua diocese.<\/p>\n<p>O decreto, depois de sublinhar a liga\u00e7\u00e3o profunda do bispo a Jesus Cristo, o Senhor comprometido, por inteiro, na sua Obra do Pai, como Mestre da f\u00e9, Pont\u00edfice e Pastor, n\u00e3o o deixa encerrado na sua Igreja particular, mas, como membro do Col\u00e9gio Apost\u00f3lico, presidido pelo Papa, projeta-o, desde logo, para a solicitude com todas as Igrejas do mundo. O bispo \u00e9 chamado para servir toda a Igreja, servindo, no dia a dia, a sua diocese e fazendo-a abrir, sempre mais, \u00e0 comunh\u00e3o correspons\u00e1vel com a Igreja Universal. N\u00e3o se trata de uma mera comunh\u00e3o afetiva, mas efetiva e consequente. Os crist\u00e3os sentir-se-\u00e3o, assim, mais envolvidos nas alegrias e preocupa\u00e7\u00f5es do seu bispo.<\/p>\n<p>H\u00e1 causas permanentes, que movem o bispo com a sua diocese, \u00e0 partilha de pessoas e de bens, mormente no campo da evangeliza\u00e7\u00e3o, das situa\u00e7\u00f5es dolorosas provocadas por causas naturais, das persegui\u00e7\u00f5es frequentes na hist\u00f3ria da Igreja. Com tal responsabilidade do bispo, uma diocese que se fecha sobre si pr\u00f3pria n\u00e3o \u00e9 Igreja de Jesus Cristo. Uma par\u00f3quia, com muros t\u00e3o altos que a impedem de comunicar e de partilhar e se fecha sobre os seus projetos, \u00e9 uma comunidade sem qualquer dimens\u00e3o evang\u00e9lica e eclesial. Espiritual e pastoralmente, dioceses e par\u00f3quias n\u00e3o abertas \u00e0 Igreja Universal e aos seus problemas s\u00e3o corpos mortos, mesmo que promovam grandes e vistosas iniciativas no seu seio.<\/p>\n<p>Em comunh\u00e3o com o Papa, cada bispo integra o Col\u00e9gio Apost\u00f3lico e serve toda a Igreja, de modo vis\u00edvel e solene, num Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico. Um conc\u00edlio \u00e9 o encontro do Papa com todos os bispos do mundo, a fim de se tomarem decis\u00f5es para toda a Igreja, elaboradas em comunh\u00e3o apost\u00f3lica e sempre a partir da unidade da f\u00e9. <\/p>\n<p>Paulo VI, logo a seguir ao Vaticano II, constituiu os S\u00ednodos dos Bispos, com bispos delegados das Confer\u00eancias Episcopais. A\u00ed se realiza com o Papa, uma miss\u00e3o de servi\u00e7o \u00e0 Igreja Universal. Estes S\u00ednodos nunca mais deixaram de se reunir. De cada um sai depois, sob a autoridade do Papa, uma exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, documento de grande valor pastoral, que n\u00e3o envelhece nunca. Assim acontece com a exorta\u00e7\u00e3o sobre a \u201cEvangeliza\u00e7\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo\u201d, EN (1975), que vai continuar a ser luzeiro no trabalho pastoral requerido pelo Ano da F\u00e9, no prop\u00f3sito da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os bispos, como sucessores dos Ap\u00f3stolos, t\u00eam, nas suas dioceses, o \u201cpoder ordin\u00e1rio, pr\u00f3prio e imediato\u201d em tudo o necess\u00e1rio para orientar o Povo de Deus, respeitando os poucos casos que o Papa reservou a si pr\u00f3prio, mas podendo dispensar de leis da Igreja universal, sempre que assim o exija o maior bem espiritual dos crist\u00e3os da sua diocese.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os da C\u00faria Romana, apoio normal do Papa, n\u00e3o podem perder, nem esquecer esta dimens\u00e3o de universalidade, considerando-se servi\u00e7os \u00e0s Igrejas diocesanas, presididas por membros do Col\u00e9gio Apost\u00f3lico. A Igreja est\u00e1 onde est\u00e3o os crist\u00e3os com o seu bispo. Estes n\u00e3o s\u00e3o servidores do Papa, mas de Cristo, em comunh\u00e3o com o Papa. Os bispos n\u00e3o t\u00eam os cardeais da C\u00faria como seus superiores, mas como seus irm\u00e3os, e, nos campos de a\u00e7\u00e3o que lhes foram cometidos, como servidores da Igreja universal e de cada Igreja particular, em ordem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Esta parte do decreto termina com uma recomenda\u00e7\u00e3o s\u00f3 poss\u00edvel depois do Conc\u00edlio: \u201cA C\u00faria Romana ou\u00e7a com frequ\u00eancia os leigos que se distinguem pela sua virtude, ci\u00eancia e experi\u00eancia, para que tamb\u00e9m eles tenham a participa\u00e7\u00e3o que compete nas coisas da Igreja\u201d. \u00c9 mais extenso e de grande interesse o que o decreto reserva para os bispos, na rela\u00e7\u00e3o com as suas dioceses. Isso o veremos em artigos seguintes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 vimos como o Conc\u00edlio nos trouxe reflex\u00e3o teol\u00f3gica e orienta\u00e7\u00e3o para que se possa perceber o sentido da hierarquia na Igreja. Sempre um minist\u00e9rio de servi\u00e7o ao Povo de Deus, fora de categorias de poder ou de grandeza, social ou humana. 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