{"id":23889,"date":"2012-07-04T15:58:00","date_gmt":"2012-07-04T15:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23889"},"modified":"2012-07-04T15:58:00","modified_gmt":"2012-07-04T15:58:00","slug":"quarto-tempo-contemplar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quarto-tempo-contemplar\/","title":{"rendered":"Quarto tempo: contemplar"},"content":{"rendered":"<p>Lectio Divina &#8211; 6 <!--more--> Paulo VI dizia que a contempla\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 aquele esfor\u00e7o de fixar o olhar e o cora\u00e7\u00e3o em Deus\u201d. No contexto da leitura orante da Palavra de Deus, a contempla\u00e7\u00e3o adquire algumas especificidades porque fruto de uma caminhada orante j\u00e1 feita; n\u00e3o \u00e9 algo que surge do exterior, mas \u00e9 o ponto de chegada de um itiner\u00e1rio e ao mesmo tempo o ponto de partida para a vida. <\/p>\n<p>O objeto da contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 Deus na sua bondade e no seu amor que se manifesta ao Homem e o envolve. Neste sentido, n\u00e3o \u00e9 tanto um resultado de t\u00e9cnicas ou esfor\u00e7os asc\u00e9ticos como acontece em outras correntes orantes e de outras religi\u00f5es, mas \u00e9 antes dom da ora\u00e7\u00e3o dentro de n\u00f3s. Este dom da ora\u00e7\u00e3o torna-nos capazes de fixar o olhar e o cora\u00e7\u00e3o em Deus e de aprender a pensar segundo Deus (cf. Mt 16,23). Esta \u00e9 a grande especificidade da contempla\u00e7\u00e3o no itiner\u00e1rio da leitura orante da Palavra, olhar Deus no seu amor de olhar a vida a partir do olhar de Deus. <\/p>\n<p>Olhando desta forma este tempo da lectio divina, a contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 ponto de chegada, mas abre-se ent\u00e3o a um novo in\u00edcio que resulta do facto de olhar para a vida segundo o olhar de Deus. Neste percurso j\u00e1 nos coloc\u00e1mos diante de Deus, escut\u00e1mos e lemos a Palavra, estud\u00e1mo-la e compreendemos o seu significado; \u201crumin\u00e1mos\u201d meditando a Sua presen\u00e7a viva em n\u00f3s e apresent\u00e1mos tudo isto em ora\u00e7\u00e3o diante de Deus como projeto para a nossa pr\u00f3pria vida. Agora, a contempla\u00e7\u00e3o como acolhimento do olhar de Deus sobre o mundo manifesta-se como olhar sobre a vida, os acontecimentos e a sua hist\u00f3ria, o caminho da comunidade, etc. Santo Agostinho exprimiu bem este sentido de contempla\u00e7\u00e3o dizendo que Deus restitui-nos o olhar da contempla\u00e7\u00e3o e assim ajuda-nos a decifrar o mundo e a transform\u00e1-lo para que seja novamente uma revela\u00e7\u00e3o de Deus. <\/p>\n<p>A contempla\u00e7\u00e3o assim entendida neste itiner\u00e1rio \u00e9 o contr\u00e1rio da atitude de quem se retira do mundo para poder contemplar Deus. A contempla\u00e7\u00e3o na leitura orante \u00e9 antes o acolhimento do olhar de Deus para se imergir no mundo e a\u00ed descobrir e saborear a presen\u00e7a ativa e criativa da Palavra de Deus, comprometendo-nos com o processo de transforma\u00e7\u00e3o que a Palavra por meio de n\u00f3s provoca na hist\u00f3ria. A contempla\u00e7\u00e3o, em resumo, \u00e9 o resultado da leitura que fica no nosso olhar e que nos ajuda a discernir o mundo de um modo novo.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de indica\u00e7\u00f5es por n\u00f3s dadas nos \u00faltimos tempos, n\u00e3o existem t\u00e9cnicas para alcan\u00e7ar a contempla\u00e7\u00e3o, mas apenas a pr\u00e1tica da leitura orante nos vai dando a capacidade e a disponibilidade deste acolhimento e deste dom de Deus em n\u00f3s. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Alves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lectio Divina &#8211; 6<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23889","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23889\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}