{"id":23892,"date":"2012-07-18T15:28:00","date_gmt":"2012-07-18T15:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23892"},"modified":"2012-07-18T15:28:00","modified_gmt":"2012-07-18T15:28:00","slug":"silencio-e-simplicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/silencio-e-simplicidade\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancio e simplicidade"},"content":{"rendered":"<p>Todos os anos, principalmente na Quaresma\/P\u00e1scoa e no ver\u00e3o, milhares de jovens \u2013 e tamb\u00e9m adultos \u2013 rumam \u00e0 comunidade ecum\u00e9nica de Taiz\u00e9, para uma semana de sil\u00eancio e espiritualidade. A comunidade religiosa de Taiz\u00e9 surgiu em 1940, no contexto da II Guerra Mundial. O irm\u00e3o Roger, fundador da comunidade, deu in\u00edcio a uma \u201cpar\u00e1bola de comunh\u00e3o\u201d, com o objetivo de ser um sinal ecum\u00e9nico no meio da divis\u00e3o entre crist\u00e3os. Ap\u00f3s a sua morte violenta, em 2005, durante a ora\u00e7\u00e3o da noite, na igreja da Reconcilia\u00e7\u00e3o, sucedeu-lhe o irm\u00e3o Alois, de origem alem\u00e3, que ele tinha designado alguns anos antes, e que \u00e9 o atual prior da comunidade e figura de refer\u00eancia para centenas de milhares de jovens que se deslocam \u00e0 pequena localidade francesa ou participam nas iniciativas promovidas pelos monges, na chamada \u2018Peregrina\u00e7\u00e3o de Confian\u00e7a atrav\u00e9s da Terra\u2019. O atual prior da Comunidade de Taiz\u00e9 fala da import\u00e2ncia da dimens\u00e3o espiritual, vivida no sil\u00eancio e na simplicidade, como motor de transforma\u00e7\u00e3o para um mundo em crise. Entrevista realizada pela Ag\u00eancia Ecclesia.<\/p>\n<p>Que import\u00e2ncia tem uma proposta espiritual crist\u00e3, como \u00e9 feita em Taiz\u00e9, por exemplo, para as pessoas de hoje?<\/p>\n<p>Irm\u00e3o Alois \u2013 H\u00e1 hoje em dia uma sede espiritual, ou seja, muitos jovens questionam-se sobre  o sentido das suas vidas.<\/p>\n<p>As dificuldades tornam-se maiores: dificuldades para completar os estudos, encontrar um emprego, construir o futuro. Isso faz com que esta quest\u00e3o do sentido da vida se torne mais forte. Penso que \u00e9 aqui que temos de estar perto dos jovens, aqui em Taiz\u00e9.<\/p>\n<p>Os monges da comunidade t\u00eam a possibilidade de encontrar-se com pessoas de todo o mundo. \u00c9 percet\u00edvel essa sede de espiritualidade?<\/p>\n<p> Muitas vezes, ap\u00f3s uma semana aqui, os jovens, quando lhes perguntamos o que foi mais importante, respondem-nos que foi o sil\u00eancio. Isso \u00e9 surpreendente, porque os jovens fogem do sil\u00eancio, h\u00e1 sempre muita m\u00fasica, uma atividade, uma mensagem no smartphone. Aqui descobrem o sil\u00eancio, que \u00e9 importante parar, e isso \u00e9 para todos os jovens: europeus, africanos, asi\u00e1ticos, latino-americanos.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos, por outro lado, tr\u00eas momentos de ora\u00e7\u00e3o di\u00e1rios, na igreja, rezando em conjunto com os jovens e toda a comunidade, que incluem um longo momento de sil\u00eancio. Acredito que os jovens gostam muito disso.<\/p>\n<p>A Quaresma [\u00e9poca em que a comunidade \u00e9 mais procurada, a par das semanas de ver\u00e3o] pode ser um tempo privilegiado para encontrar aquilo que \u00e9 essencial na vida de cada um?<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante, para n\u00f3s, que a Quaresma n\u00e3o seja um tempo de tristeza, de lamenta\u00e7\u00e3o sobre n\u00f3s pr\u00f3prios ou sobre o mundo, mas que descubramos, pelo contr\u00e1rio, uma fonte da alegria e ent\u00e3o possamos voltar-nos para Deus. Cristo apela \u00e0 convers\u00e3o, quer dizer, a voltar-se para Deus e acreditar na Boa Nova, n\u00e3o voltar-se sobre si pr\u00f3prio, unicamente sobre as falhas, sobre o que n\u00e3o est\u00e1 bem no mundo. Isso \u00e9 muito importante, mas n\u00e3o basta.<\/p>\n<p>Neste sentido, s\u00e3o necess\u00e1rias ajudas exteriores. J\u00e1 falei do sil\u00eancio, fazer sil\u00eancio simplesmente para dar lugar a Deus, ou seja, simplesmente, colocar os nossos anseios e dificuldades em segundo plano e criar como que um espa\u00e7o interior onde Deus pode vir e ser acolhido.<\/p>\n<p>Exteriormente, penso que a simplicidade \u00e9 muito importante. Isso \u00e9 algo, ali\u00e1s, que os jovens dizem muitas vezes, ap\u00f3s uma semana aqui, que gostaram muito da simplicidade. \u00c9 verdade que os acolhemos em condi\u00e7\u00f5es muito simples, no alojamento, na alimenta\u00e7\u00e3o, mas eles descobrem uma alegria nessa simplicidade, porque ela cria solidariedade: todos vivem nas mesmas condi\u00e7\u00f5es \u2013 os europeus que v\u00eam de pa\u00edses mais ricos ou pessoas que chegam de muito longe, como da Ucr\u00e2nia ou da Bielorr\u00fassia, que vivem dificuldades materiais ainda maiores do que no Ocidente; pessoas de outros continentes, que chegam de situa\u00e7\u00f5es verdadeiramente marcadas por grande pobreza. (\u2026) Este valor da simplicidade, numa Europa em crise, liga-se ao caminho \u2018Para uma nova solidariedade\u2019 que \u00e9 a sua proposta para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, 2012-2015.<\/p>\n<p>A crise que atravessamos na Europa, como diz, com um desemprego muito grande, sobretudo entre os jovens, \u00e9 muito, muito grave. \u00c9 triste que agora muitos jovens pensem em emigrar para procurar um futuro noutro lugar.<\/p>\n<p>Esta grave crise for\u00e7a-nos a uma solidariedade maior, a pensar como podemos partilhar as nossas riquezas materiais. \u00c9 muito bonito que haja na Igreja pessoas que vivem sinais muito claros disso: em Espanha, um bispo anunciou que vai renunciar de parte do seu sal\u00e1rio, porque \u00e9 preciso viver a solidariedade com quem tem menos.<\/p>\n<p>Todos temos de aprender, no futuro, a viver com menos riquezas materiais, tamb\u00e9m na Europa, e procurar mais a nossa realiza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, nas rela\u00e7\u00f5es de solidariedade com os outros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deste conceito, o termo \u2018confian\u00e7a\u2019 tem uma import\u00e2ncia muito grande na reflex\u00e3o e nas propostas da comunidade.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mica que atravessamos exige uma solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f3mica e t\u00e9cnica. Isso \u00e9 importante, com certeza, mas a resposta deve ser mais profunda e \u00e9 precisamente a confian\u00e7a: nenhum ser humano, nenhuma sociedade pode viver sem confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Nas nossas sociedades, temos de estar atentos para que esta dificuldade, esta crise econ\u00f3mica que vivemos n\u00e3o nos conduzam \u00e0 desconfian\u00e7a e ao medo, mas saibamos viver verdadeiramente a confian\u00e7a.<\/p>\n<p>A esse respeito, n\u00f3s, os crist\u00e3os, podemos procurar muito concretamente nas nossas comunidades, nos grupos de jovens, nas par\u00f3quias, como aprofundar a confian\u00e7a e como ela nos leva a uma partilha, tamb\u00e9m material.<\/p>\n<p> Que refer\u00eancias tem na sua viv\u00eancia desta espiritualidade?<\/p>\n<p>As refer\u00eancias s\u00e3o pessoas e, em primeiro lugar, o irm\u00e3o Roger, que me marcou pessoalmente, que nos marcou enquanto comunidade, sobretudo quanto \u00e0 maneira de viver em conjunto. \u00c9 precisamente uma comunidade que procura viver com o m\u00ednimo de estruturas e regulamentos poss\u00edveis, mas que vive sobretudo da confian\u00e7a que temos de ter uns nos outros e na confian\u00e7a em Deus.<\/p>\n<p>No final da sua vida, o irm\u00e3o Roger falava muitas vezes na confian\u00e7a e n\u00e3o era uma palavra f\u00e1cil para ele, era um combate interior: confiar em Deus nas prova\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m, porque ele atravessou grandes dificuldades na sua vida. N\u00f3s queremos seguir este caminho que o irm\u00e3o Roger abriu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos, principalmente na Quaresma\/P\u00e1scoa e no ver\u00e3o, milhares de jovens \u2013 e tamb\u00e9m adultos \u2013 rumam \u00e0 comunidade ecum\u00e9nica de Taiz\u00e9, para uma semana de sil\u00eancio e espiritualidade. A comunidade religiosa de Taiz\u00e9 surgiu em 1940, no contexto da II Guerra Mundial. 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