{"id":23908,"date":"2012-07-18T16:41:00","date_gmt":"2012-07-18T16:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23908"},"modified":"2012-07-18T16:41:00","modified_gmt":"2012-07-18T16:41:00","slug":"vocacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vocacao\/","title":{"rendered":"Voca\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 115 <!--more--> Ele e ela t\u00eam quase trinta anos. A ele conheci-o h\u00e1 mais de 25 anos. Pequenino. Num lugar pobre da serra. De uma fam\u00edlia humilde, pobre, mas muito s\u00e9ria e honesta. Exemplo das boas fam\u00edlias crist\u00e3s. Cresceu junto ao altar, na Missa que uma vez por m\u00eas se celebrava em sua casa, pois o lugar n\u00e3o tinha capela\u2026 at\u00e9 ao dia que as oito fam\u00edlias decidiram constru\u00ed-la, linda e pobre, mas muito acolhedora, at\u00e9 na paisagem envolvente, em honra da maior santa dos tempos modernos: Teresa de Lisieux.<\/p>\n<p>Cresceu, rezou muito, trabalhava sem tr\u00e9guas, obedecia a tudo. Humilde, s\u00e9rio, forte e generoso. Viajou comigo por esse mundo fora. Falar de Santa Teresinha, para ele, sobre quem ouvia desde pequenino, era o m\u00e1ximo. A sua devo\u00e7\u00e3o mais antiga! <\/p>\n<p>A ela, conheci-a h\u00e1 pouco. Talvez h\u00e1 nove anos, com a mudan\u00e7a de par\u00f3quia. De fam\u00edlia igualmente nobre, pobre e trabalhadora, cheia de reveses na vida, mas com vontade de lutar. Ajudava no altar e com tanta perfei\u00e7\u00e3o que me dava enorme seguran\u00e7a saber que ela estava na missa pela certeza de que tudo ia estar bem orientado. Mais tarde, o nosso centro social deu-lhe um posto de trabalho que espero que dure muitos anos para ela e para n\u00f3s, que s\u00f3 lucramos com a sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Um dia, por gostar tanto dos dois, embora n\u00e3o se conhecessem, pois um era da antiga par\u00f3quia, na serra, e outro destes lados da Bairrada, fomos a Israel. No meu pensamento, ofereci os dois ao Senhor, pois coisa t\u00e3o boa, pensava eu, s\u00f3 poderia ser para Ele, somente. At\u00e9 porque, o sentido do outro que necessita estava muito apurado nos dois, n\u00e3o fossem eles da Cruz Vermelha, ocupando seu tempo livre no cuidado dos demais, e tamb\u00e9m, ele, no INEM.  Ela e ele, catequistas conceituados e formados. Ela e ele, mission\u00e1rios de Maria de Schoenstatt. Ela e ele, animadores dos grupos de jovens que dirigiam. Ela e ele, na missa e nas adora\u00e7\u00f5es, por vezes longas, na Igreja\u2026 Enfim, ap\u00f3stolos. Assim, nas margens do mar de Tiber\u00edades, bem ali no local da tr\u00edplice confiss\u00e3o do amor de S. Pedro ao seu Mestre, eu desafiei os dois a ouvirem a voz do Mestre que ali chamou disc\u00edpulos a seguirem-no. E deixei-os s\u00f3s a meditar com os p\u00e9s na \u00e1gua aben\u00e7oada, enquanto eu dizia ao Senhor para \u201caproveitar\u201d a oportunidade\u2026 E l\u00e1 seguimos viagem.<\/p>\n<p>O Senhor n\u00e3o costuma fazer as coisas de repente nem por encomenda, pois a sua vontade \u00e9 que vale. Surpresa minha e de alguns que sabiam das \u201cminhas inten\u00e7\u00f5es\u201d de um ser padre e a outra religiosa, quando os vejo de m\u00e3os dadas pelas ruas de Jerusal\u00e9m! Ca\u00ed para tr\u00e1s. N\u00e3o era isso que eu pretendia. Afinal, ali, no Mar, o Senhor n\u00e3o convocava disc\u00edpulos para serem s\u00f3 Dele? N\u00e3o sei qual ser\u00e1 o futuro dos dois, pois j\u00e1 namoram h\u00e1 anos; n\u00e3o sei bem com que tempo, pois entre emprego e ajuda ao pr\u00f3ximo e trabalho na Igreja, resta-lhes pouco um para o outro, sem terceiros no meio, mas entendi o que j\u00e1 sabia: que a fam\u00edlia \u00e9 a mais nobre das voca\u00e7\u00f5es. Que de Santos pais podem sair santos sacerdotes e religiosas, embora isso nunca seja regra para o Senhor. Que o apostolado n\u00e3o implica vida sacerdotal e religiosa\u2026 E o que seria da Igreja, se n\u00e3o houvesse leigos que se dedicam at\u00e9 a apoiar os seus padres, j\u00e1 que, por vezes, somos os que menos ardor manifestamos na nossa dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo e a Deus? O que seria do padre sem o leigo fiel? Embora estes clamem por santos sacerdotes que os amem e orientem, longe do legalismo, por vezes desumano, que invade os nossos cart\u00f3rios em que a lei est\u00e1 acima do homem e n\u00e3o ao servi\u00e7o dele\u2026 E sei que o Senhor, ali, no Mar de Tiber\u00edades, come\u00e7ou nos dois uma obra boa que Ele levar\u00e1 a bom termo, como fez e faz com tantos casais maravilhosos que tamb\u00e9m s\u00e3o os nossos queridos pais. <\/p>\n<p>Voca\u00e7\u00e3o \u00e9 chamamento e n\u00e3o exclusivamente ser padre ou freira. Voca\u00e7\u00e3o \u00e9 escuta para O seguir, naquele caminho que Ele sonhou para n\u00f3s. O ardor dos dois, sob o olhar da Teresinha, levou-os a dedicarem-se \u00e0s miss\u00f5es nos combonianos, ou n\u00e3o fosse ela, a Teresinha, tamb\u00e9m padroeira das miss\u00f5es. E o irm\u00e3o dele, que eu tive a honra de batizar, \u00e9 novi\u00e7o dos mission\u00e1rios combonianos. \u00c9 caso para dizer ao Senhor que continue chamando, pois estamos convencidos de que todos os caminhos s\u00e3o v\u00e1lidos. E como Ele diz, \u201cos Meus caminhos n\u00e3o s\u00e3o os vossos\u201d. Amen.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 115<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23908","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23908\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}