{"id":23920,"date":"2012-07-25T16:30:00","date_gmt":"2012-07-25T16:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23920"},"modified":"2012-07-25T16:30:00","modified_gmt":"2012-07-25T16:30:00","slug":"o-desafio-de-um-cristianismo-relevante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-desafio-de-um-cristianismo-relevante\/","title":{"rendered":"O desafio de um cristianismo relevante"},"content":{"rendered":"<p>Por causa da crise <!--more--> Os sinos tocaram a rebate quando, em abril, um estudo revelou que, entre 1999 e 2011, a percentagem de cat\u00f3licos diminuiu de 86,9% para 79,5%. Estes dados devem fazer, certamente, refletir, na medida em que possam levar a concluir que estejamos a ser respons\u00e1veis por tornar o cristianismo irrelevante para os homens do nosso tempo. Se assim for, poder\u00e3o ser-nos pedidas contas de tal. Como pudemos contribuir para que um tesouro que deveria ser altamente cotado possa ver o seu rating de relev\u00e2ncia existencial diminu\u00eddo? <\/p>\n<p>Contudo, um outro n\u00famero mais inquietante nos deveria prender a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 que, mesmo que o n\u00famero de cat\u00f3licos revele ter diminu\u00eddo, continua a ser elevada a percentagem dos que se afirmam pertencentes a esta grande fam\u00edlia dos disc\u00edpulos de Jesus Cristo. Qualquer partido que vencesse elei\u00e7\u00f5es por uma t\u00e3o larga margem estaria dotado de carta branca para toda a reforma, inclusive constitucional, isto \u00e9, na gen\u00e9tica do Estado.<\/p>\n<p>Sendo assim, invertamos os dados e comecemos por constatar que os que se afirmam cat\u00f3licos rondar\u00e3o os 80%, num pa\u00eds em que o n\u00famero dos que se situam no limiar da pobreza estar\u00e1 na ordem dos 22%, representando mais de 2 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Como pode um pa\u00eds na sua maioria cat\u00f3lico permitir que baixem no rating da cota\u00e7\u00e3o existencial as palavras do mestre que diz que \u00abo que fizestes ao mais pequeno dos meus, a mim o fizeste?\u00bb?<\/p>\n<p>Como pode um pa\u00eds em que, nas \u00abelei\u00e7\u00f5es\u00bb di\u00e1rias de sentido e esperan\u00e7a, ganha no escrut\u00ednio a religi\u00e3o que diz que mesmo o sofrimento faz sentido, permitir que venha aumentando horrivelmente o n\u00famero dos que morrem nos hospitais, na solid\u00e3o das m\u00e1quinas que repetem rotineiramente n\u00fameros e gr\u00e1ficos?<\/p>\n<p>Como podem estes cerca de 80% de portugueses dormir descansados por n\u00e3o lhes ter, ainda, batido \u00e0 sua porta a crise, e satisfazer-se em justificar o infort\u00fanio dos demais com o desvario de cabe\u00e7a? <\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico est\u00e1 feito e refeito e h\u00e1 que aprender a sua li\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o se repita, mas a hora \u00e9 de aplicar terap\u00eautica. E a terap\u00eautica que preconizo n\u00e3o \u00e9 a da condena\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o, aguardando que a vida condene \u00e0 inani\u00e7\u00e3o os que viveram como cigarras. A hora \u00e9 da verdadeira caridade crist\u00e3 que reconhece na dor do outro a antecipa\u00e7\u00e3o da nossa condi\u00e7\u00e3o comum. O samaritano n\u00e3o esperou que o homem lhe pedisse ajuda. Fez-se seu pr\u00f3ximo. E \u00e9 esse o desafio maior do cristianismo. Porque Deus \u2013 em quem cremos \u2013 se fez nosso pr\u00f3ximo em primeiro lugar, n\u00e3o podemos ficar \u00e0 espera de que o outro nos estenda a m\u00e3o. <\/p>\n<p>Se as crises s\u00e3o desafios que interpelam, esta \u00e9 a hora. Se cada fam\u00edlia crist\u00e3 adotasse outra fam\u00edlia, n\u00e3o haveria fam\u00edlias em crise. A partilha da dificuldade diminuiria a dificuldade de todos. <\/p>\n<p>Se assim n\u00e3o for, os sinos continuar\u00e3o a tocar a rebate porque os crist\u00e3os tornaram, de facto, o cristianismo irrelevante. Sumiram-no em palavras que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o nem f\u00e9 nem obras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por causa da crise<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-23920","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23920"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23920\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}