{"id":23921,"date":"2012-07-25T16:32:00","date_gmt":"2012-07-25T16:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23921"},"modified":"2012-07-25T16:32:00","modified_gmt":"2012-07-25T16:32:00","slug":"testemunho-que-e-apelo-permanente-a-toda-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/testemunho-que-e-apelo-permanente-a-toda-a-igreja\/","title":{"rendered":"Testemunho que \u00e9 apelo permanente a toda a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>O decreto conciliar sobre a Vida Religiosa est\u00e1 orientado no sentido da sua renova\u00e7\u00e3o. A Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja dedicara j\u00e1 um cap\u00edtulo aos religiosos, como parte privilegiada do Povo de Deus. A\u00ed se insiste que a profiss\u00e3o dos conselhos evang\u00e9licos tem o valor de \u201cum sinal que pode e deve atrair eficazmente todos os membros da Igreja a cumprirem com dilig\u00eancia os deveres da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d. Neste sentido, se pode dizer que a vida consagrada \u00e9 um dom de Deus \u00e0 Igreja, que entra na sua estrutura, n\u00e3o pela via hier\u00e1rquica ou institucional, mas carism\u00e1tica e prof\u00e9tica. \u00c9, portanto, um dom divino que se traduz como resposta a necessidades do Povo de Deus ou da comunidade humana.<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios gerais de renova\u00e7\u00e3o obrigam os institutos religiosos a regressar \u00e0 fidelidade aos fundadores, ao seu patrim\u00f3nio hist\u00f3rico e ao esfor\u00e7o necess\u00e1rio de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as, sociais e culturais, que se verificam tanto na Igreja, como na sociedade. Da\u00ed a necessidade de aprofundarem o carisma fundacional, reverem e atualizar as Constitui\u00e7\u00f5es na linha conciliar, se integrarem sempre mais na comunidade eclesial, porem ao servi\u00e7o do Povo de Deus as capacidades e compet\u00eancias dos seus membros, prestarem aten\u00e7\u00e3o aos sinais dos tempos e \u00e0s realidades sociais para melhor servirem, n\u00e3o esquecendo que tudo isto ser\u00e1 possivel e v\u00e1lido, na medida da fidelidade permanente de todos os ao essencial da profiss\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>Quem conhece a hist\u00f3ria da Igreja, tanto encontra a riqueza da vida religiosa, projetada como gra\u00e7a na vida dos crist\u00e3os e das comunidades, como encontra as limita\u00e7\u00f5es e at\u00e9 os desvios, que nela se foram introduzindo ao longo do tempo. Sem ir l\u00e1 longe, ao tempo das lutas e das rivalidades, recordo dos in\u00edcios do tempo conciliar, factos e atitudes denunciadores, a pretexto de virtude e de fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria regra, de um sentido negativo nas rela\u00e7\u00f5es pessoais e institucionais. Recordo a recusa em participar em atividades intercongregacionais, a falta de rela\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o m\u00fatua, a rea\u00e7\u00e3o negativa em rela\u00e7\u00e3o ao clero diocesano, considerado ignorante da vida religiosa, o fechamento \u00e0 vida das comunidades crist\u00e3s, resumindo muitos a sua a\u00e7\u00e3o apenas \u00e0s obras dos seus institutos\u2026 O Conc\u00edlio deu um est\u00edmulo muito forte \u00e0 mudan\u00e7a e muito se conseguiu j\u00e1.<\/p>\n<p>Muitas express\u00f5es inovadoras se verificaram, sobretudo nos institutos femininos. Esta inova\u00e7\u00e3o continua, hoje mais refletida e assimilada, porque foram perdendo for\u00e7a as resist\u00eancias de s\u00e9culos e os institutos se foram afirmando libertos de tutelas e integrados em estruturas de comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>O decreto sobre a vida consagrada \u00e9 referido fundamentalmente aos religiosos, quando, ao tempo, estavam ainda pouco definidas outras formas de consagra\u00e7\u00e3o. O decreto introduz um n\u00famero sobre os institutos seculares, para logo voltar a falar apenas dos religiosos. O C\u00f3digo do Direito Can\u00f3nico (1983) apresenta j\u00e1 a realidade eclesial de uma maneira distinta, ao falar da vida consagrada com membros religiosos (ordens e congrega\u00e7\u00f5es) e leigos (institutos seculares e outras formas associativas). Fala das novas formas de consagra\u00e7\u00e3o, recriadas no Conc\u00edlio, como a vida erem\u00edtica de cl\u00e9rigos ou leigos e a Ordem das Virgens Consagradas, leigas que vivem a sua consagra\u00e7\u00e3o, em liga\u00e7\u00e3o com o bispo, nas suas casas e profiss\u00f5es. Novidades que foram fazendo o seu caminho. \u00c9, pois, necess\u00e1rio que se retifique a linguagem, que, mesmo em pessoas respons\u00e1veis, nem sempre aparece clara.<\/p>\n<p>O decreto fala ainda da organiza\u00e7\u00e3o dos Institutos, religiosos ou seculares, para maior entre ajuda e complementaridade, forma\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p>A vida consagrada, sobretudo em alguns institutos, ocupa, por voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, a linha de fronteira, pelo seu dinamismo prof\u00e9tico e total disponibilidade para o Reino. Uma condi\u00e7\u00e3o nem sempre bem entendida. Nos tempos que correm, parece ser prefer\u00edvel calar os profetas a compreender que a miss\u00e3o destes, quando vivida a s\u00e9rio, leva a correr riscos, mas, tamb\u00e9m, a abrir caminhos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos crist\u00e3os com uma vis\u00e3o menos correta da vida religiosa. A hist\u00f3ria ampliou as suas mazelas e calou as suas grandezas. O mesmo fez a literatura e o fazem alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Para algumas fam\u00edlias crist\u00e3s, ainda \u00e9 desgra\u00e7a, sen\u00e3o mesmo trag\u00e9dia, a decis\u00e3o de uma filha que opta pelo convento. Com as pequenas comunidades, hoje mais espalhadas nas dioceses, e com a presen\u00e7a mais habitual das religiosas nas comunidades paroquiais e entre o povo, esta ideia vai-se corrigindo. Quem preside \u00e0 comunidade crist\u00e3 e tem o encargo da catequese \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens e aos pais n\u00e3o pode deixar de manifestar amor e respeito pela vida consagrada e pelas diversas formas de consagra\u00e7\u00e3o. Urge, num mundo que grita pelo uso da liberdade individual, saber apresentar a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 vida consagrada como dom de Deus e uma op\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e normal que \u00e9 uma riqueza para a Igreja e para a sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O decreto conciliar sobre a Vida Religiosa est\u00e1 orientado no sentido da sua renova\u00e7\u00e3o. A Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja dedicara j\u00e1 um cap\u00edtulo aos religiosos, como parte privilegiada do Povo de Deus. 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