{"id":23938,"date":"2012-09-19T17:09:00","date_gmt":"2012-09-19T17:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23938"},"modified":"2012-09-19T17:09:00","modified_gmt":"2012-09-19T17:09:00","slug":"de-onde-vem-as-guerras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/de-onde-vem-as-guerras\/","title":{"rendered":"&#8220;De onde v\u00eam as guerras?&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> \u00c9 a pergunta ret\u00f3rica da 2.\u00aa leitura, que aponta todos os dedos \u00e0 inveja \u2013 em parceria com a vaidade. <\/p>\n<p>A eleg\u00e2ncia do texto, em grego apurado, o estilo do pensamento e dos princ\u00edpios \u00e9ticos, o pouco relevo dado \u00e0 pessoa de Jesus, s\u00e3o algumas das principais raz\u00f5es que levam a excluir a hip\u00f3tese de um ap\u00f3stolo como autor. Nunca poderia ser \u00abTiago o Maior\u00bb, o c\u00e9lebre padroeiro de Espanha, m\u00e1rtir pouco depois de Cristo, no ano 42; nem \u00abTiago o Menor\u00bb (m\u00e1rtir no ano 62), chefe da comunidade de Jerusal\u00e9m, figura controversa mas de extrema import\u00e2ncia no encontro entre judeus e crist\u00e3os e na elabora\u00e7\u00e3o das primeiras linhas mestras do cristianismo. Provavelmente foi escrita, por volta do ano 80, por um disc\u00edpulo de Tiago o Menor, indubitavelmente culto. <\/p>\n<p>O autor revela bom conhecimento do modo de vida das primeiras comunidades crist\u00e3s e \u00e9 bom exemplo do esfor\u00e7o de aproxima\u00e7\u00e3o entre diferentes experi\u00eancias religiosas, evidenciando aquilo que \u00e9 comum a crist\u00e3os e judeus. As violentas diatribes contra os \u00abricos e poderosos\u00bb, bem como a preocupa\u00e7\u00e3o por que a f\u00e9 se manifeste na vida quotidiana e seja incentivada por cerim\u00f3nias de culto com dignidade, revelam a exist\u00eancia de graves abusos no dom\u00ednio das rela\u00e7\u00f5es humanas. A rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e obras faz pendor, conscientemente, a uma interpreta\u00e7\u00e3o do pensamento de S. Paulo, como se a f\u00e9 n\u00e3o precisasse de ser provada pelas obras.<\/p>\n<p>\u00abGuerra\u00bb prov\u00e9m do indo-europeu \u00abwers\u00bb (\u00abconfus\u00e3o\u00bb) &#8722; donde o ingl\u00eas \u00abwar\u00bb (guerra)  e \u00abworse\u00bb (pior). Guerra e racionalidade n\u00e3o s\u00e3o aliados. Somos racionais ao ponderar o bem e o mal, o trigo e o joio, sempre presentes em cada ser humano. S\u00f3 assim saberemos o que desejar e como desejar: tanto os fins como os meios t\u00eam que ser racionalmente defens\u00e1veis.<\/p>\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa caracter\u00edstica, mas n\u00e3o justifica a guerra. Uma pessoa saud\u00e1vel est\u00e1 \u00abprogramada\u00bb para a mudan\u00e7a \u2013 para sentir cada vez mais prazer na vida; afirma sem timidez: \u00abainda tem que ser melhor!\u00bb Mas fundamenta a opini\u00e3o e d\u00e1 o corpo ao manifesto.<\/p>\n<p>\u00abQuerer mais\u00bb leva a uma natural e cont\u00ednua consolida\u00e7\u00e3o do nosso valor. \u00c9 natural querer ser rico e poderoso, o que n\u00e3o impede a dedica\u00e7\u00e3o ao bem comum: o livro de Ben Sira (31,8-11) \u00e9 bem expl\u00edcito: \u00abBem-aventurado o rico, que p\u00f4de fazer o mal e n\u00e3o o fez; Quem \u00e9 ele, para que o louvemos? Os seus bens est\u00e3o firmes no Senhor e o povo proclamar\u00e1 os seus benef\u00edcios\u00bb.<\/p>\n<p>Quando Jesus (evangelho) deu conta de que os seus disc\u00edpulos discutiam qual deles seria o mais importante, chamou uma crian\u00e7a e disse: \u00abQuem quiser ser o primeiro fa\u00e7a-se o servo de todos\u00bb. Para \u00abentrar no reino\u00bb, temos que \u00abser como crian\u00e7as\u00bb (Marcos 10,15). <\/p>\n<p>O evangelista usa o termo grego \u00abpaid\u00edon\u00bb (do indo-europeu \u00abpau\u00bb ou \u00abpou\u00bb, raiz de \u00abpouco\u00bb e \u00abpobre\u00bb), que tanto significa crian\u00e7a como servo e escravo: s\u00e3o os desprotegidos socialmente, os que nada podem reclamar, e que chegam a sujeitar-se \u00e0s piores condi\u00e7\u00f5es para n\u00e3o serem aniquilados. <\/p>\n<p>Portanto, quem acolhe uma \u00abcrian\u00e7a\u00bb \u00e9 (deveria ser) motivado pelo prazer de fazer o bem. E quem \u00ab\u00e9 como crian\u00e7a\u00bb revela a capacidade de escutar e aprender. <\/p>\n<p>Jesus Cristo deu exemplo de que a sua pr\u00f3pria vida estava ao dispor dos outros \u2013 e que era capaz de viver como um \u00abpobre\u00bb que n\u00e3o consegue resistir a quem abusa do poder (Isa\u00edas 53,7-8). Nem os ap\u00f3stolos conseguiam entender como ele podia considerar tal coisa como \u00abuma prova de sucesso\u00bb. (E foi ou n\u00e3o foi?)<\/p>\n<p>Mas \u00abdar a vida\u00bb por Deus, por Jesus Cristo ou por valores, n\u00e3o pode significar morrer e muito menos matar-se. \u00abDeus n\u00e3o quer a morte\u00bb (Livro da Sabedoria 1,13): s\u00f3 \u00abos \u00edmpios\u00bb \u00e9 que se drogam com a riqueza e o poder, e sentem-se levados a desprezar a vida dos outros, oprimindo sobretudo aqueles que n\u00e3o querem praticar o mal (1.\u00aa leitura). <\/p>\n<p>Mais vida \u2013 este \u00e9 que deve ser o grande crit\u00e9rio de sucesso. A maior satisfa\u00e7\u00e3o, o maior sucesso de cada um de n\u00f3s, \u00e9 ver que a nossa vida faz germinar mais vida e n\u00e3o destrui\u00e7\u00e3o. Foi isto \u2013 \u00abviver\u00bb \u2013 que Jesus Cristo nos ensinou.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23938","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}