{"id":23941,"date":"2012-09-19T17:25:00","date_gmt":"2012-09-19T17:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23941"},"modified":"2012-09-19T17:25:00","modified_gmt":"2012-09-19T17:25:00","slug":"o-desanimo-e-o-oleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-desanimo-e-o-oleo\/","title":{"rendered":"O des\u00e2nimo&#8230; e o \u00f3leo"},"content":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o e Ambiente <!--more--> Ap\u00f3s alguma reflex\u00e3o sobre o que escrever hoje, decidi-me por um pequeno texto que li de Filipa M. Ribeiro. Abri o email e l\u00e1 estava ele, \u00e0 minha espera:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o dou um passo fora de casa onde n\u00e3o ou\u00e7a lam\u00farias, pessimismo, onde n\u00e3o veja pessoas cabisbaixas e at\u00e9 os ricos se queixam. Troquem as lam\u00farias, pela luta, pela den\u00fancia, pela mudan\u00e7a e pela consci\u00eancia do que estava mal a n\u00edvel individual e coletivo!\u201d<\/p>\n<p>A consci\u00eancia \u201cdo que estava mal a n\u00edvel individual e coletivo\u201d e \u201ca mudan\u00e7a\u201d parecem-me essenciais. O que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de serem f\u00e1ceis.<\/p>\n<p>Bem pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na grande maioria das vezes \u00e9 bem mais confort\u00e1vel apontar o dedo do que olhar para dentro. Para mim mesmo(a).<\/p>\n<p>Olhar para mim e descubrir o que est\u00e1 menos bem, o que posso mudar, como posso mudar.<\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo, uma conversa com uma grande amiga, senhora dos seus oitenta anos, deixou-me pensativa. O tema foi \u201cculin\u00e1rio\u201d. Melhor dizendo, desenrolou-se desde a quest\u00e3o da ementa para o almo\u00e7o at\u00e9 aos riss\u00f3is e \u00e0 frigideira com o \u00f3leo usado. Terminando com a lavagem da loi\u00e7a \u2013 frigideira inclu\u00edda.<\/p>\n<p>Para \u201cdespachar o assunto\u201d, o \u00f3leo iria ser deitado \u201ccano abaixo\u201d, com a ajuda de detergente e bastante \u00e1gua quente. Afinal, \u00e9 um h\u00e1bito \u201cdesde h\u00e1 muitos anos\u201d. O \u00f3leo desaparece da vista e da cozinha. A frigideira lava-se e fica tudo pronto e arrumado.<\/p>\n<p>Bom, o que n\u00e3o fica \u201carrumado\u201d s\u00e3o as tubagens e a maquinaria por onde esse \u00f3leo vai passar at\u00e9 chegar ao seu destino final. Destino final? Mas quem \u00e9 que se lembra de pensar no destino do \u00f3leo usado para fritar os riss\u00f3is do almo\u00e7o?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9: quem \u00e9 respons\u00e1vel por gerir as esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgotos [esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1guas residuais, ou ETAR]. Estas esta\u00e7\u00f5es de tratamento recebem tudo aquilo que deitamos \u201ccano abaixo\u201d. Mas&#8230; (e \u00e9 um grande mas) estas esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o desenhadas, dimensionadas, para tratar esgotos, \u00e1guas sujas. E n\u00e3o, \u00e1guas sujas contaminadas com \u00f3leo alimentar usado \u2013 o \u00f3leo usado para fritar riss\u00f3is, croquetes, batatas, etc. Se o deitarmos pelo cano abaixo esse \u00f3leo vai contaminar o restante esgoto e dificultar o seu tratamento; forma-se uma pel\u00edcula que impede a degrada\u00e7\u00e3o, a oxida\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica. Os equipamentos instalados nas ETAR n\u00e3o funcionam de forma t\u00e3o eficiente quando o esgoto tem \u00f3leo. A quest\u00e3o pode resolver-se? Podemos recolher o \u00f3leo usado, depois de arrefecido, numa garrafa e coloc\u00e1-la num \u201cole\u00e3o\u201d \u2013 ecoponto destinado \u00e0 recolha de \u00f3leos alimentares usados? Podemos achar que isso d\u00e1 muito trabalho e n\u00e3o vale a pena? Podemos achar que o dinheiro gasto na manuten\u00e7\u00e3o e arranjo dos equipamentos, as \u201cm\u00e1quinas\u201d das ETAR, n\u00e3o \u00e9 da nossa conta? Podemos achar que sempre deit\u00e1mos o \u00f3leo pelo cano abaixo e vamos continuar a faz\u00ea-lo&#8230;? Podemos procurar fazer diferente e melhor, dando ao \u00f3leo um destino novo?<\/p>\n<p>Sim. O \u00f3leo alimentar usado \u00e9 um dos ingredientes para o fabrico de sab\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>Nota: Filipa M. Ribeiro \u00e9 jornalista e investigadora na Universidade do Porto. Em 2009 editou, em co-autoria com Lu\u00edsa Pereira, \u201cO Patrim\u00f3nio Gen\u00e9tico Portugu\u00eas. A hist\u00f3ria humana preservada nos genes\u201d, (Gradiva. Cole\u00e7\u00e3o Ci\u00eancia Aberta), http:\/\/www.gradiva.pt\/?q=C\/BOOKSSHOW\/1281.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educa\u00e7\u00e3o e Ambiente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-23941","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23941\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}