{"id":23957,"date":"2012-09-26T16:54:00","date_gmt":"2012-09-26T16:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23957"},"modified":"2012-09-26T16:54:00","modified_gmt":"2012-09-26T16:54:00","slug":"servico-de-estafetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/servico-de-estafetas\/","title":{"rendered":"Servi\u00e7o de estafetas"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Se procurasse ver um tema comum nas tr\u00eas leituras, seria o de profecia \u2013 mas no sentido profundo de ser porta-voz. \u00c9 arriscado ser porta-voz de Deus. Exige n\u00e3o ter medo nem vergonha \u2013 sem ser desavergonhado!<\/p>\n<p>Todos os profetas, incluindo Jesus, se sentiram isolados. \u00c9 dif\u00edcil compreender e aceitar o que n\u00e3o vem na linha da nossa maneira de ser. <\/p>\n<p>Nos tempos apost\u00f3licos, uma \u00abigreja\u00bb era uma comunidade crist\u00e3. E tentava-se que a rectid\u00e3o dos ju\u00edzos e comportamentos se formasse no esp\u00edrito de di\u00e1logo e de partilha, de correc\u00e7\u00e3o e de emula\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o \u00absentir com a igreja\u00bb, infelizmente, ganhou o sentido de submiss\u00e3o \u00e0 \u00abortodoxia\u00bb imposta por um grupo dominante que, como tal, de modo nenhum podia ser representativo do conjunto das \u00abigrejas\u00bb. Talvez fosse menos amb\u00edguo dizer \u00absentir em igreja\u00bb (consci\u00eancia da unidade em Deus &#8722; traduz\u00edvel na express\u00e3o \u00abcomunh\u00e3o no esp\u00edrito santo\u00bb).<\/p>\n<p>Mois\u00e9s queixava-se de ter de aguentar sozinho os problemas dos israelitas (leia-se todo o cap\u00edtulo a que pertence a 1.\u00aa leitura). Disse pois Deus a Mois\u00e9s que escolhesse setenta homens de verdadeira sabedoria e autoridade, e deu-lhes o dom da profecia. Acontece que a essa \u00abtomada de posse\u00bb n\u00e3o estiveram presentes alguns dos escolhidos. Por\u00e9m, com esc\u00e2ndalo de muitos israelitas, at\u00e9 os que faltaram receberam igualmente o mesmo dom. Aos indignados, Mois\u00e9s respondeu: &#8722; \u00abQuem dera que todo o povo do Senhor profetizasse, que o Senhor enviasse o seu esp\u00edrito sobre ele!\u00bb<\/p>\n<p>Coisa de mil e duzentos anos depois, alguns Ap\u00f3stolos foram ter com Jesus (evangelho), indignados porque havia quem estivesse a profetizar sem pertencer ao grupo. E que respondeu Jesus Cristo? &#8722; \u00abQuem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s, \u00e9 a nosso favor!\u00bb Enfim, a total aus\u00eancia de mesquinhez, de partidarismos prim\u00e1rios, de exclus\u00f5es sociais ou religiosas. Em vez disso, o olhar sereno e estimulante de um esp\u00edrito livre e alimentador da liberdade.<\/p>\n<p>Excluir algu\u00e9m \u00e9 f\u00e1cil; avaliar \u00e9 bem dif\u00edcil. Os ju\u00edzos nunca podem ser definitivos e por isso a pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem valor em simbiose com um di\u00e1logo sem mentira, corajoso, onde se enfrenta o outro e se discorda fundamentadamente, sem ferir e muito menos destruir. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o vale excluir-se a si pr\u00f3prio, por comodismo, falsa humildade ou por problemas de auto-estima.  <\/p>\n<p>Por\u00e9m, se alguma coisa est\u00e1 mal em n\u00f3s, \u00e9 nossa obriga\u00e7\u00e3o ter a coragem de reconhecer e eliminar o que est\u00e1 mal. \u00c9 vital o ambiente de \u00abfam\u00edlia\u00bb, para desabafar e encorajar. <\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria das religi\u00f5es, \u00abvida\u00bb aparece com o sentido de \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb. Quando nos queixamos de que \u00abisto n\u00e3o \u00e9 vida\u00bb, \u00e9 porque n\u00e3o sentimos salva\u00e7\u00e3o. Precisamos de nos entusiasmar com a concretiza\u00e7\u00e3o quotidiana da salva\u00e7\u00e3o da humanidade: sentir-se bem com a procura do maior bem para todos &#8722; \u00abfazer a grande fam\u00edlia\u00bb.<\/p>\n<p>O tema da justi\u00e7a \u00e9 central na B\u00edblia. S\u00e3o Tiago dirige-se cruamente \u00e0queles ricos e poderosos que n\u00e3o se importam de fomentar a injusti\u00e7a, pervertendo o poder e autoridade, colando \u00e0 mis\u00e9ria os mais humildes e pobres, calcando-lhes os direitos, \u00abassassinando o justo que n\u00e3o pode resistir\u00bb. <\/p>\n<p>O pior \u00e9 que mesmo no seio de organiza\u00e7\u00f5es religiosas, nomeadamente na Igreja cat\u00f3lica, a partir dos mais altos cargos, h\u00e1 quem prefira colar-se \u00abaos ricos e poderosos\u00bb, para fugir ao \u201cmau destino\u201d dos justos\u2026 <\/p>\n<p>A \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb designa o estado de perfei\u00e7\u00e3o do universo criado por Deus. O desenvolvimento do pensamento religioso despertou a humanidade para o investimento naqueles bens que \u00abest\u00e3o a salvo\u00bb de calamidades ou ac\u00e7\u00f5es terroristas. S\u00f3 com a seguran\u00e7a deste capital \u00e9 que \u00abesta vida\u00bb n\u00e3o ser\u00e1 de deitar fora \u2026<\/p>\n<p>A vida \u00e9 uma corrida de estafetas, em que somos porta-vozes de Deus \u2013 Ele \u00e9 \u00abo crit\u00e9rio\u00bb porque est\u00e1 acima dos nossos crit\u00e9rios, o que nos obriga a um aperfei\u00e7oamento cont\u00ednuo das nossas raz\u00f5es de pensar e agir. Cumpre-nos passar a todas as gera\u00e7\u00f5es o testemunho da justi\u00e7a, da alegria, do amor, do prazer, da for\u00e7a e do sentido da vida (mesmo e sobretudo nos cen\u00e1rios mais tristes). \u00c9 pelo esfor\u00e7o de cada estafeta que se torna cada vez mais eficiente \u00aba palavra de salva\u00e7\u00e3o\u00bb. <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-23957","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23957","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23957"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23957\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}