{"id":23960,"date":"2012-09-26T17:05:00","date_gmt":"2012-09-26T17:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=23960"},"modified":"2012-09-26T17:05:00","modified_gmt":"2012-09-26T17:05:00","slug":"no-centro-da-vida-da-igreja-sempre-cristo-a-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/no-centro-da-vida-da-igreja-sempre-cristo-a-palavra\/","title":{"rendered":"No centro da vida da Igreja, sempre Cristo, a Palavra"},"content":{"rendered":"<p>Em novembro de 1965 foi publicada a constitui\u00e7\u00e3o conciliar sobre a Divina Revela\u00e7\u00e3o, com o t\u00edtulo \u201cDei Verbum\u201d ou a \u201cPalavra de Deus\u201d. N\u00e3o foi um documento pac\u00edfico e exigiu, logo no in\u00edcio, uma decis\u00e3o do Papa Jo\u00e3o XXIII, sem a qual seria dif\u00edcil avan\u00e7ar. Roma tinha preparado um esquema a seu gosto e fez tudo para o impor. Outros bispos, atentos ao que se passava na Igreja e no mundo, derrubaram os sonhos romanos, para tornar poss\u00edveis horizontes novos e urgentes na Igreja. E Jo\u00e3o XXIII decidiu. O texto dos romanos foi retirado. O documento conciliar demorou a ter a sua reda\u00e7\u00e3o final. O esquema retirado entrara na aula conciliar logo no primeiro m\u00eas.<\/p>\n<p>Foi longo o tempo em que o contacto com a Palavra de Deus, por parte do povo crist\u00e3o, foi escasso. A Igreja de Roma temia adultera\u00e7\u00f5es na B\u00edblia e dificultava as tradu\u00e7\u00f5es. Praticamente s\u00f3 tinha acesso \u00e0 B\u00edblia o clero, mesmo assim o mais erudito, porque escasseavam as tradu\u00e7\u00f5es, e a leitura, em grego ou latim, n\u00e3o era f\u00e1cil. O Conc\u00edlio encontrou o terreno preparado, porque o movimento b\u00edblico, de cariz renovador, foi ajudando a descobrir o valor da Sagrada Escritura. Pode dizer-se que o passo definitivo que levou a B\u00edblia ao Povo parte da constitui\u00e7\u00e3o conciliar.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo passado, os estudos b\u00edblicos, que j\u00e1 ent\u00e3o contavam com exegetas de grande saber e com escolas de renome, eram vistos com desconfian\u00e7a. A B\u00edblia era o livro dos protestantes, que eles interpretavam livremente. O poder eclesi\u00e1stico via nisto um perigo para os guardi\u00f5es da f\u00e9. Em 1902, criou-se uma Comiss\u00e3o B\u00edblica Pontif\u00edcia, altamente conservadora. Tomou posi\u00e7\u00f5es que, mais tarde, foram postas de parte e mesmo desautorizadas. Em 1909, Pio X criou em Roma o Instituto B\u00edblico Pontif\u00edcio, que formou gera\u00e7\u00f5es de padres para professores de Sagrada Escritura nos semin\u00e1rios e universidades. Deve-se, por\u00e9m, a Pio XII (1943), com uma sua enc\u00edclica, a abertura \u00e0s ci\u00eancias positivas e \u00e0 sua influ\u00eancia nos estudos b\u00edblicos. Logo, ent\u00e3o, se relativizaram algumas afirma\u00e7\u00f5es, sobretudo da Comiss\u00e3o B\u00edblica, at\u00e9 ent\u00e3o fechada ao contributo destas ci\u00eancias.<\/p>\n<p>O texto das inst\u00e2ncias romanas, silenciosamente preparado, segundo o estilo daquelas, foi levado \u00e0 assembleia conciliar. Pretendia, segundo os proponentes, travar os \u201cdesmandos\u201d exeg\u00e9ticos, sempre considerados perigosos. A interpreta\u00e7\u00e3o da Sagrada Escritura n\u00e3o se podia fazer, de modo correto, sem o recurso \u00e0s ci\u00eancias positivas, como recomendara Pio XII.<\/p>\n<p>O grande problema que, de in\u00edcio, se p\u00f4s \u00e0 assembleia foi o das fontes da Revela\u00e7\u00e3o Divina. Duas fontes ou uma s\u00f3? Duas fontes, a Sagrada Escritura, Antigo e Novo Testamento, por um lado, e, por outro, a Tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica? Ou apenas uma \u00fanica fonte, com dois momentos importantes, B\u00edblia e Tradi\u00e7\u00e3o, ainda que diferentes? A grande maioria conciliar foi neste sentido, uma \u00fanica fonte, doutrina que foi proposta pela Constitui\u00e7\u00e3o. A Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica e dos Padres da Igreja, como viv\u00eancia concreta da f\u00e9, fundamentada na Palavra, ela mesma enriquece o sentido da Palavra.<\/p>\n<p>Mas a afirma\u00e7\u00e3o da qual a Igreja precisa de tomar consci\u00eancia \u00e9 que Jesus Cristo, o Filho de Deus, \u00e9 Ele mesmo a plenitude da Revela\u00e7\u00e3o, que se pode explicar deste modo: \u201cA Revela\u00e7\u00e3o Divina n\u00e3o aparece na Dei Verbum, como um corpo de verdades doutrinais contidas na Escritura e ensinadas na Igreja, mas apresenta-se como a automanifesta\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, da qual Cristo constitui o ponto mais alto\u201d. Toda a Constitui\u00e7\u00e3o tem Cristo como centro: um ponto fundamental da doutrina conciliar, para que a Igreja n\u00e3o perca o sentido do que \u00e9 e do que faz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro de 1965 foi publicada a constitui\u00e7\u00e3o conciliar sobre a Divina Revela\u00e7\u00e3o, com o t\u00edtulo \u201cDei Verbum\u201d ou a \u201cPalavra de Deus\u201d. N\u00e3o foi um documento pac\u00edfico e exigiu, logo no in\u00edcio, uma decis\u00e3o do Papa Jo\u00e3o XXIII, sem a qual seria dif\u00edcil avan\u00e7ar. 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