{"id":24018,"date":"2012-11-14T16:22:00","date_gmt":"2012-11-14T16:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24018"},"modified":"2012-11-14T16:22:00","modified_gmt":"2012-11-14T16:22:00","slug":"shahabaz-bhatti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/shahabaz-bhatti\/","title":{"rendered":"Shahabaz Bhatti"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 129 <!--more--> No nosso mundo de hoje e de sempre, muita gente deu a vida por altos ideais \u00e9ticos, religiosos\u2026 S\u00e3o verdadeiros her\u00f3is de princ\u00edpios firmes, normalmente ao lado das minorias, com quem e por quem lutavam com obras e palavras. Mahatma Gandhi, Martin Luther King,  Madre Teresa de Calcut\u00e1, Dalai Lama, Nelson Mandela\u2026 Nomes que conhecemos, alguns ainda na terra, pois dar a vida n\u00e3o significa necessariamente ser assassinado e virar m\u00e1rtir. Temos grandes personagens no tempo do nazismo, como Schindler, Irena\u2026 e em qualquer \u00e9poca da hist\u00f3ria humana, na sua maioria an\u00f3nimos cujos nomes e proezas n\u00e3o ficaram registados na hist\u00f3ria mas no Cora\u00e7\u00e3o de Deus. Bhatti foi um deles. Assassinado no Paquist\u00e3o no dia 2 de mar\u00e7o de 2011. A sua biografia saiu agora, publicada pelas Paulinas. O seu rosto sorridente, de homem jovem, apareceu nos ecr\u00e3s do mundo inteiro como mais um dos muitos ministros assassinados. Mas foi um apontamento de reportagem breve, como um comercial, pois mortes assim ocorrem diariamente em todo o mundo. Mas ainda bem que n\u00e3o se deixou ficar Bhatti pela not\u00edcia breve. A sua B\u00edblia, que ele lia e meditava todos os dias de manh\u00e3, est\u00e1 solenemente exposta na Igreja de S. Bartolomeu de Roma, dedicada aos m\u00e1rtires crist\u00e3os dos s\u00e9culos XX e XXI. No seu bolso, ele trazia o Ter\u00e7o, que desfiava diariamente a Maria. E a Eucaristia residia no seu cora\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o todos os dias, no domingo, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m disse h\u00e1 dias que o que importa hoje, na Igreja, n\u00e3o \u00e9 que existam praticantes e militantes cat\u00f3licos. A Igreja precisa de almas enamoradas. S\u00e3o estas as \u00fanicas que podem mudar o mundo, j\u00e1 que ser crist\u00e3o em Portugal \u00e9 f\u00e1cil e a mediocridade atinge todos os graus da hierarquia cat\u00f3lica ocidental como doen\u00e7a grave. N\u00f3s pr\u00f3prios perseguimos as minorias, como sejam os religiosos, os de cor diferente, partido, op\u00e7\u00e3o sexual, embora nos chamemos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Em Portugal o catolicismo \u00e9 s\u00f3 maioria de nome. Mas ser como minoria, e perseguida, num pa\u00eds cheio de fundamentalistas mu\u00e7ulmanos ou hindus, com amea\u00e7as de morte a pender sobre a cabe\u00e7a, neste caso, ou uma pessoa se sente enamorada por Jesus, mais que por um ideal \u00e9tico, ou ent\u00e3o prefere converter-se \u00e0 religi\u00e3o da maioria para n\u00e3o ter problemas. Foi isso que aconteceu na Europa medieval por parte de judeus e mu\u00e7ulmanos, amea\u00e7ados pelos reis crist\u00e3os, e com os \u00edndios e negros das Am\u00e9ricas e de Africa, amea\u00e7ados pelos conquistadores crist\u00e3os. Hoje, s\u00e3o os crist\u00e3os que ou sucumbem \u00e0 press\u00e3o ou d\u00e3o a vida pela sua f\u00e9. Algu\u00e9m tamb\u00e9m disse que a Igreja est\u00e1 farta de crist\u00e3os indefinidos e de padres med\u00edocres. Ela precisa de pessoas que movam o curso da hist\u00f3ria. Bhatti era uma delas. Desde os 11 anos, apaixonado por Jesus, lutou com os meios que ia dispondo Deus no seu caminho para que pudesse professar livremente a sua f\u00e9\u2026 e foi ajudando os outros a fazer o mesmo. Como estudante, organizava e participava em manifesta\u00e7\u00f5es que reivindicavam os direitos das minorias de professarem a sua f\u00e9 e n\u00e3o s\u00f3. Muitas vezes saiu ferido em confrontos que provocaram, do lado dos manifestantes, centenas de mortos. Nunca desistiu. Lutou sempre. At\u00e9 que chegou a ministro das minorias. Lutou contra leis injustas. Aliado a movimentos cat\u00f3licos, auxiliou seu povo, mesmo a maioria mu\u00e7ulmana, num enorme terremoto que provocou milhares de v\u00edtimas. Protegia e escondia os familiares das v\u00edtimas de morte em caso de persegui\u00e7\u00e3o. Percorreu o mundo falando dos direitos que defendia. Pediu ajuda internacional. Podendo salvar a sua pele e a da sua fam\u00edlia, emigrando para o Canad\u00e1, preferiu viver na sua amada terra paquistanesa e defender os altos ideais que presidiram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds, ainda muito jovem na geografia mundial. Um dia, num discurso, ofereceu a sua vida, at\u00e9 com o poss\u00edvel derramamento de sangue, a Jesus de Nazareth, para que o Senhor o aceitasse como gr\u00e3o de trigo ca\u00eddo pela paz. <\/p>\n<p>Nada o fazia recuar. N\u00e3o se casou para ser mais livre para lutar e ajudar os muitos que o solicitavam em todo o pa\u00eds. Uniu-se aos mu\u00e7ulmanos liberais, aos hindus, aos protestantes, aos de diferentes correntes religiosas e etnias, para criar uma associa\u00e7\u00e3o que fizesse da minoria uma for\u00e7a de uni\u00e3o. O Papa recebeu-o em audi\u00eancia. E, naquele 2 de mar\u00e7o de 2011, terminada a sua leitura da B\u00edblia, na ora\u00e7\u00e3o da manh\u00e3, foi assassinado, calando-se a voz, mas deixando atr\u00e1s de si uma obra feita em t\u00e3o poucos anos e gente com vontade de lutar e dar a vida. Vale a pena ouvi-lo: \u201cEu digo que enquanto eu tiver vida, at\u00e9 ao meu \u00faltimo suspiro, continuarei a servir Jesus e esta humanidade pobre e sofredora, os crist\u00e3os, os necessitados e os pobres\u2026 Conhe\u00e7o o significado da Cruz e sigo-a\u2026 Jesus \u00e9 o centro da minha vida e quero ser o seu seguidor\u2026\u201d<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 129<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-24018","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24018\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}