{"id":24019,"date":"2012-11-14T16:23:00","date_gmt":"2012-11-14T16:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24019"},"modified":"2012-11-14T16:23:00","modified_gmt":"2012-11-14T16:23:00","slug":"e-depois-de-amanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-depois-de-amanha\/","title":{"rendered":"E depois de amanh\u00e3?"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvorede Zaqueu <!--more--> Filmes, romances, trabalhos e ensaios cient\u00edficos&#8230; para al\u00e9m de uma forte tradi\u00e7\u00e3o em muitas religi\u00f5es (como \u00e9 o caso do judeo-cristianismo) testemunham a pergunta e ang\u00fastia da humanidade perante a vida e a morte, as cat\u00e1strofes naturais e pol\u00edticas, as guerras religiosas e queda de civiliza\u00e7\u00f5es, o desabar daquilo que parecia constituir o esteio seguro de todos os nossos projectos.<\/p>\n<p>Com esta consci\u00eancia de que todas as coisas s\u00e3o ef\u00e9meras, e de que o pr\u00f3prio universo, com a sua estabilidade aparente, est\u00e1 sujeito \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que se tenha  formado a \u00abliteratura apocal\u00edptica\u00bb (do grego \u00abapocalipse\u00bb, \u00abrevela\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abdesvelamento\u00bb). Com estilo grandioso e imagens riqu\u00edssimas, impregnadas de elementos mitol\u00f3gicos, encontra-se nas culturas mais diversas.<\/p>\n<p>Os textos apocal\u00edpticos do judeo-cristianismo (continuados pelo islamismo) centram-se nos temas do Ju\u00edzo final e da Salva\u00e7\u00e3o, e apresentam o Reino de Deus e o Novo Mundo como transfigura\u00e7\u00e3o do Universo, onde a pr\u00f3pria morte ser\u00e1 dominada. Ter\u00e1 pois um final feliz o \u00abcombate\u00bb entre as for\u00e7as misteriosas do Bem e do Mal, da Vida e da Morte, apesar de os \u00abfilhos da luz\u00bb (aqueles que n\u00e3o precisam de esconder os seus prop\u00f3sitos) terem que sofrer se n\u00e3o quiserem desistir perante os \u00abfilhos das trevas\u00bb. E a morte \u00e9 a passagem n\u00e3o para um estado de vida inferior, mas sim de vida claramente pr\u00f3xima do que podemos entender por Luz, Alegria, Bem-estar.<\/p>\n<p>O apogeu da literatura apocal\u00edptica situa-se entre os anos 200 antes de Cristo e 200 depois de Cristo. O Livro de Daniel  (1.\u00aa leitura) \u00e9 escrito cerca de 164 a.C, e o evangelho de Marcos (3.\u00aa leitura) cerca de 70 d.C.. <\/p>\n<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o do final do ciclo lit\u00fargico, os textos dominicais manifestam cada vez mais pendor apocal\u00edptico, que hoje guarda sobretudo o significado de que a hist\u00f3ria da humanidade n\u00e3o \u00e9 estagna\u00e7\u00e3o nem voltar ao mesmo, mas sim uma caminhada para o mundo como ele deve ser.<\/p>\n<p>O livro de Daniel pretende infundir coragem naqueles que sofrem pela justi\u00e7a, apelando para a f\u00e9 numa vida eterna. A ideia de ressurrei\u00e7\u00e3o aparece na convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o desaparecemos mas voltamos a \u00absurgir\u00bb (sem fazer especula\u00e7\u00f5es sobre o \u00abcomo\u00bb desta nova aventura). Sentimo-nos mais em casa, se n\u00e3o deixarmos a morte e a eternidade na rua. Eliminamos assim uma grande parte da nossa ang\u00fastia, justamente porque a admitimos \u00e0 mesa, conversando com ela.  \u00c9 t\u00e3o bom sentir que o nosso calend\u00e1rio nunca ser\u00e1 rasgado de vez, mas que mesmo \u00abdepois de amanh\u00e3\u00bb, \u00abos que tiverem levado os outros aos caminhos da justi\u00e7a brilhar\u00e3o como estrelas com um esplendor eterno\u00bb! (1.\u00aa leitura).<\/p>\n<p>No texto do evangelho, pouco claro e que deve muito ao Livro de Daniel, Jesus fala da vinda do \u00abFilho do homem\u00bb, um conceito que continua a dar dores de cabe\u00e7a aos especialistas e agu\u00e7a a \u00abcuriosidade apocal\u00edptica\u00bb de toda a gente. <\/p>\n<p>Pode-se dizer que Jesus utiliza \u00abfilho do homem\u00bb como express\u00e3o que tanto sugere como esconde a origem divina da sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o aramaico, l\u00edngua original de Jesus, seria at\u00e9 mais exacto o sentido de \u00abfilho de homem\u00bb como o de membro da esp\u00e9cie humana. Ao longo da B\u00edblia, \u00e9 frequente a admira\u00e7\u00e3o de como o ser humano, um ser t\u00e3o fraco, \u00e9 de tal modo amado por Deus e eleito por Ele como rei de toda a cria\u00e7\u00e3o. Assim reza o Salmo 8, 5: \u00abQue \u00e9 o homem para que dele te recordes, o filho de homem para que dele tenhas cuidado? Quase fizeste dele um ser divino, de gl\u00f3ria e de honra o coroaste. Deste-lhe dom\u00ednio sobre as obras das tuas m\u00e3os, tudo submeteste a seus p\u00e9s\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 bom ouvir coisas t\u00e3o bonitas a nosso respeito? Mas que fazemos n\u00f3s desse poder que nos foi dado?<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvorede Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-24019","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24019\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}