{"id":24061,"date":"2012-11-22T10:24:00","date_gmt":"2012-11-22T10:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24061"},"modified":"2012-11-22T10:24:00","modified_gmt":"2012-11-22T10:24:00","slug":"a-guerra-dos-mundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-guerra-dos-mundos\/","title":{"rendered":"\u00abA guerra dos mundos\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> A Solenidade de Jesus Cristo Rei nasceu num ambiente de grande instabilidade pol\u00edtica e ideol\u00f3gica. Foi institu\u00edda em 1925 pelo Papa Pio XI, que em 1937 condenou o regime totalit\u00e1rio de Hitler e Mussolini, como incompat\u00edvel com a liberdade e supremacia do \u00abReino de Cristo\u00bb. Estabeleceu v\u00e1rios acordos pol\u00edticos, que garantiram a independ\u00eancia do poder civil e neutralidade do Vaticano, com o objectivo de melhor cuidar da defesa da integridade da pessoa humana e lutar contra a pobreza e contra os inimigos da \u00abpaz verdadeira\u00bb.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m as leituras foram escritas num clima de persegui\u00e7\u00e3o e instabilidade: a persegui\u00e7\u00e3o aos Judeus que motivou \u00aba guerra dos Macabeus\u00bb (167-160 a.C) e as grandes persegui\u00e7\u00f5es de Nero at\u00e9 Domiciano, passando pela destrui\u00e7\u00e3o do Templo por Vespasiano, no ano 70 (2.\u00aa leitura e evangelho).<\/p>\n<p>Hoje em dia, n\u00e3o s\u00e3o tanto quest\u00f5es religiosas que fomentam persegui\u00e7\u00f5es: s\u00e3o lutas de poder, de vingan\u00e7a, de inveja e resultam todas elas de uma profunda falta de educa\u00e7\u00e3o religiosa ou, por outras palavras, de infantilismo cultural \u2013 v\u00edrus altamente contagioso, sobretudo quando \u00e9 espalhado por quem est\u00e1 altamente colocado nas esferas pol\u00edticas e religiosas (e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma religi\u00e3o sem telhados de vidro). Por isso se espera que os \u00abministros\u00bb (=\u00abservidores\u00bb, etimologicamente!) das Igrejas sejam exemplo da autoridade pr\u00f3pria de quem defende a \u00edntegra salva\u00e7\u00e3o de cada pessoa (e n\u00e3o s\u00f3 dos seus \u00abfi\u00e9is\u00bb, ou s\u00f3 de uma classe social ou mesmo s\u00f3 de um povo). Uma religi\u00e3o s\u00e9ria tem que ser sinal de contradi\u00e7\u00e3o perante o ego\u00edsmo, corrup\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a dos grupos detentores de poder pol\u00edtico e econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>Infelizmente, a grande import\u00e2ncia e poder terreno da \u00abIgreja de Roma\u00bb (o mais prestigioso centro do cristianismo) tornou-a muitas vezes uma \u00abpedra de trope\u00e7o\u00bb (\u00abesc\u00e2ndalo\u00bb) e n\u00e3o um grito e exemplo contra a corrup\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o poder pol\u00edtico sempre teve muito interesse em se servir da religi\u00e3o para unifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e dom\u00ednio das consci\u00eancias. Assim pensou Constantino, o 1\u00ba imperador crist\u00e3o (324-337). De facto, facilitou a unifica\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio e a forma\u00e7\u00e3o da \u00abcristandade\u00bb (conjunto dos pa\u00edses e povos crist\u00e3os, que moldaram, a partir do s\u00e9c. V, os princ\u00edpios sociais e pol\u00edticos geradores da Europa como unidade cultural). Por\u00e9m muitos Papas, Bispos e te\u00f3logos n\u00e3o resistiram \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da riqueza e do poder, acabando por fomentar a vaidade, a adula\u00e7\u00e3o, o servilismo e mesmo persegui\u00e7\u00f5es e guerras. <\/p>\n<p>A 1.\u00aa leitura evoca a misteriosa figura de um ser com apar\u00eancia humana, chamado por Deus a presidir \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o perfeita do universo. Cabe \u00e0 2.\u00aa leitura reconhecer Jesus como a grande testemunha de Deus, o cumpridor fiel das exig\u00eancias dessa orienta\u00e7\u00e3o, independente (n\u00e3o \u00abacima\u00bb nem \u00ababaixo\u00bb, porque de outro n\u00edvel) de toda a soberania terrena. Estamos convidados ao verdadeiro culto que nos liga a Deus (a que aludia Jesus ao falar com a samaritana, na linha dos antigos profetas) \u2013 e que \u00e9 \u00abviver a s\u00e9rio\u00bb, tirando partido do trabalho e do lazer para multiplicar a alegria e a justi\u00e7a, garantindo um proveito aut\u00eantico para a Humanidade. <\/p>\n<p>Finalmente, o evangelista refere que Jesus se afirmou \u00abrei\u00bb \u2013 mas estranho rei: n\u00e3o joga como os pol\u00edticos \u00abc\u00e1 de baixo\u00bb porque \u00e9 rei a s\u00e9rio. Longe das vulgares formas exteriores do poder, Jesus fala de um \u00abreino\u00bb assente nas formas interiores da autoridade. <\/p>\n<p>Esta interioridade s\u00f3 \u00e9 ating\u00edvel por quem d\u00e1 tempo \u00e0 medita\u00e7\u00e3o e ao ju\u00edzo cr\u00edtico, independente de imposi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou religiosas. Uma Igreja rica de interioridade n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tem medo desta cr\u00edtica como a favorece \u2013 caso contr\u00e1rio perde credibilidade e n\u00e3o pode responder \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es do \u00abmundo\u00bb a que quer contrapor uma imagem mais perfeita.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a verdadeira \u00abguerra\u00bb dos mundos. As guerras comuns geram mais guerra e viol\u00eancia. Mas o reino de que fala Jesus n\u00e3o sustenta as guerras deste mundo, porque a sua for\u00e7a \u00e9 a da verdade (evangelho), incansavelmente procurada por todas as culturas e gera\u00e7\u00f5es, como uma confronta\u00e7\u00e3o dirigida a cada ser humano para que escolha sem fingimento a Paz.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-24061","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24061\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}