{"id":24062,"date":"2012-11-22T10:27:00","date_gmt":"2012-11-22T10:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24062"},"modified":"2012-11-22T10:27:00","modified_gmt":"2012-11-22T10:27:00","slug":"professor-sibertin-blanc-in-memoriam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/professor-sibertin-blanc-in-memoriam\/","title":{"rendered":"Professor Sibertin-Blanc, in memoriam"},"content":{"rendered":"<p>Comunidade <!--more--> Franc\u00eas de nacionalidade, Antoine Sibertin-Blanc foi o mais portugu\u00eas dos nossos organistas. Nascido em Paris em 1930, formou-se na Escola C\u00e9sar Franck sob a orienta\u00e7\u00e3o de \u00c9douard Souberbielle (\u00d3rg\u00e3o e Improvisa\u00e7\u00e3o), estudando tamb\u00e9m com Maurice Durufl\u00e9 no Conservat\u00f3rio Nacional Superior da capital francesa. Depois de ocupar v\u00e1rios cargos de organista em Paris e no Luxemburgo, aceitou o convite de J\u00falia d\u2019Almendra \u2013 fundadora e diretora do Centro de Estudos Gregorianos &#8211; para se radicar em Portugal e assumir o cargo de professor de \u00d3rg\u00e3o nesta escola superior de m\u00fasica sacra. Exerceu essas fun\u00e7\u00f5es desde janeiro de 1961 at\u00e9 2000, ano da sua jubila\u00e7\u00e3o: primeiro, no Centro de Estudos Gregorianos (convertido no Instituto Gregoriano de Lisboa em 1976) e, ap\u00f3s a reforma do ensino art\u00edstico em 1983, na Escola Superior de M\u00fasica de Lisboa, onde foi integrado o curso superior de \u00d3rg\u00e3o do Instituto Gregoriano. <\/p>\n<p>Extraordin\u00e1rio int\u00e9rprete e improvisador, Sibertin-Blanc desenvolveu uma incans\u00e1vel atividade em Portugal e no estrangeiro; uma palavra de destaque para a sua participa\u00e7\u00e3o na audi\u00e7\u00e3o da obra integral para \u00f3rg\u00e3o de J. S. Bach, com que foi assinalada a constru\u00e7\u00e3o do grande \u00f3rg\u00e3o Flentrop da S\u00e9 de Lisboa, instrumento de que foi titular desde a sua inaugura\u00e7\u00e3o (1965). A m\u00fasica dos nossos compositores mereceu-lhe sempre a melhor aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tivesse sido o seu primeiro concerto em Portugal realizado no emblem\u00e1tico instrumento hist\u00f3rico de S. Vicente-de-Fora, no dia 27 de maio de 1961. Faria grava\u00e7\u00f5es de obras dos nossos cl\u00e1ssicos para as etiquetas discogr\u00e1ficas Erato, Arion, Columbia, EMI, Polygram e Moviplay. Al\u00e9m disso, ao nosso pa\u00eds dedicou uma das suas composi\u00e7\u00f5es \u2013 a \u201cSuite portugaise\u201d \u2013 estreada na S\u00e9 de Lisboa em 28 de mar\u00e7o de 1976, num programa inteiramente dedicado \u00e0 m\u00fasica portuguesa, antiga e moderna.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da classe de \u00d3rg\u00e3o do Centro de Estudos Gregorianos operou uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o no meio organ\u00edstico portugu\u00eas, gra\u00e7as a uma presen\u00e7a muita ativa em Lisboa de eminentes organistas franceses: Genevi\u00e8ve de la Salle, Jean Guillou, Claude Terrasse, Germaine Chagnol e, finalmente, Antoine Siberin-Blanc. Assim, apesar do florescimento da classe de \u00d3rg\u00e3o do Conservat\u00f3rio Nacional na d\u00e9cada de 50, foi no Centro de Estudos Gregorianos que se foi concentrando a esmagadora maioria dos alunos \u2013 alguns do quais completariam a sua forma\u00e7\u00e3o noutros pa\u00edses -, futuros professores que iriam ocupar os nossos postos de ensino (secund\u00e1rio e superior), bem como dos elementos do clero que tinham ou viriam a ter lugares de responsabilidade nas suas dioceses ou comunidades religiosas. No primeiro caso, um lugar especial para o saudoso Joaquim Sim\u00f5es da Hora, o disc\u00edpulo de Sibertin-Blanc que, ao assumir a reg\u00eancia da classe de \u00d3rg\u00e3o no Conservat\u00f3rio Nacional em 1976, deu um passo decisivo na afirma\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio organ\u00edstico portugu\u00eas. Ocupam, igualmente, um lugar de destaque na vida organ\u00edstica portuguesa, entre outros, Ant\u00f3nio Duarte \u2013 o sucessor do Mestre na titularidade do \u00f3rg\u00e3o da S\u00e9 de Lisboa -, Jo\u00e3o Pedro Oliveira, Jo\u00e3o Vaz, Rui Paiva (disc\u00edpulo de J. Sim\u00f5es da Hora) e Jo\u00e3o Paulo Janeiro. No segundo caso, citemos, a t\u00edtulo de exemplo, os PP. Ant\u00f3nio Cartageno (Beja), Joaquim Lavajo (\u00c9vora), Jos\u00e9 Joaquim Pinto Geada (Guarda), Gruppo S\u00e9rgio (Coimbra) e M\u00e1rio Silva (OFM) e, tamb\u00e9m, Ant\u00f3nio de Sousa Fernandes (Braga) e Jo\u00e3o Salvador Morais (Lisboa), j\u00e1 falecidos.<\/p>\n<p>De facto, o curso de \u00d3rg\u00e3o regido pelo prof. Sibertin-Blanc transitou sem interrup\u00e7\u00e3o do Instituto Gregoriano para a Escola Superior de M\u00fasica de Lisboa; e foi o \u00fanico de n\u00edvel superior em Portugal at\u00e9 \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos cursos de licenciatura nas Universidades de Aveiro e \u00c9vora e na Universidade Cat\u00f3lica, j\u00e1 na fase final do s\u00e9c. XX, altura em que tamb\u00e9m regressaram a Portugal alguns organistas formados no estrangeiro.  Contemplando o panorama organ\u00edstico portugu\u00eas, deparamo-nos com uma frondosa \u00e1rvore geneal\u00f3gica do curso superior de \u00d3rg\u00e3o do Centro de Estudos Gregorianos \/ Instituto Gregoriano \/ Escola Superior de M\u00fasica de Lisboa, cuja sombra cobre Portugal de l\u00e9s-a-l\u00e9s com sucessivas gera\u00e7\u00f5es de organistas. Gra\u00e7as \u00e0 irradia\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica da escola e da inexced\u00edvel dedica\u00e7\u00e3o aos alunos, o prof. Sibertin-Blanc foi construindo, ao longo de 40 anos, a escola portuguesa de \u00d3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Portugal soube manifestar o reconhecimento a este gigante da nossa cultura organ\u00edstica na 2.\u00aa metade do s\u00e9c. XX: em 1999 Antoine Sibertin-Blanc foi agraciado pelo Presidente da Rep\u00fablica com a comenda da Ordem de Santiago da Espada, em cerim\u00f3nia realizada em Aveiro, no dia de Portugal e das Comunidades.<\/p>\n<p>Os organistas portugueses est\u00e3o de luto com a partida do seu Mestre s\u00e1bio e dedicado, amigo atento de todas as horas. Mas fica-lhes o conforto, a  certeza e o alento para prosseguirem o caminho aberto pelo labor persistente e infatig\u00e1vel de um homem que, pela sua compet\u00eancia e grandeza de alma, lhes provou que \u00e9 poss\u00edvel melhorar o panorama organ\u00edstico em Portugal.<\/p>\n<p>Domingos Peixoto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-24062","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24062","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24062"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24062\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}