{"id":24077,"date":"2012-12-05T16:27:00","date_gmt":"2012-12-05T16:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24077"},"modified":"2012-12-05T16:27:00","modified_gmt":"2012-12-05T16:27:00","slug":"acacio-vieira-rosa-escritor-e-jornalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/acacio-vieira-rosa-escritor-e-jornalista\/","title":{"rendered":"Ac\u00e1cio Vieira Rosa, escritor e jornalista"},"content":{"rendered":"<p>Grande amigo do primeiro bispo da diocese restaurada, Ac\u00e1cio Rosa deixou obra escrita, que s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior por causa da cegueira que o atingiu por volta dos 40 anos.<\/p>\n<p>Ac\u00e1cio Vieira Rosa nasceu no lugar de Verdemilho, no dia 5 de janeiro de 1871, e faleceu no mesmo lugar, \u00e0s portas da cidade de Aveiro, no dia em 20 de fevereiro de 1955.<\/p>\n<p>Em Verdemilho, ao lado da estrada que liga a EN109 ao Largo Ac\u00e1cio Vieira Rosa (onde se ergue a sede da Junta de Freguesia de Aradas e a Igreja de S. Pedro), ainda se mant\u00e9m de p\u00e9 o casario cor-de-rosa da Quinta de S. Tom\u00e9, com a sua capela privativa que tem este ap\u00f3stolo por patrono, meia escondida pelo arvoredo, onde Ac\u00e1cio Vieira Rosa viveu toda a sua vida, e que hoje \u00e9 habitada pela sua filha, D.\u00aa Armanda Rosa.<\/p>\n<p>Companheiro de estudos, no liceu e no semin\u00e1rio, de D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, de quem ficou amigo \u00edntimo, Ac\u00e1cio Vieira Rosa n\u00e3o concluiu o percurso de seminarista, optando por uma vida profissional no funcionalismo p\u00fablico, tendo trabalhado no Governo Civil de Aveiro.<\/p>\n<p>Em simult\u00e2neo, Ac\u00e1cio Vieira Rosa exerceu uma intensa atividade na \u00e1rea da escrita, como escritor, com algumas obras editadas, e sobretudo como jornalista, pelo que manteve correspond\u00eancia com importantes figuras pol\u00edticas e intelectuais dos \u00faltimos anos da monarquia, tanto portuguesas como espanholas, como real\u00e7a a sua filha, Armanda Rosa.<\/p>\n<p>O primeiro livro publicado por Ac\u00e1cio Vieira Rosa, intitulado \u201cA Nossa Independ\u00eancia e o Iberismo\u201d, surgiu em 1893, quando tinha somente 22 anos de idade, mostrando a sua veia de polemista ideologicamente pr\u00f3ximo da monarquia. No ano seguinte, iniciou a publica\u00e7\u00e3o do seu jornal \u201cVitalidade\u201d, que se manteve at\u00e9 1911. A publica\u00e7\u00e3o desempenhou papel decisivo na luta pol\u00edtica entre regeneradores-liberais e republicanos, tendo ficado c\u00e9lebres as suas contendas com Homem Cristo, outro ilustre jornalista e polemista aveirense, com quem mais tarde, j\u00e1 cego, se reconciliou num encontro casual em sua casa.<\/p>\n<p>Como mon\u00e1rquico, Ac\u00e1cio Vieira Rosa sempre aproveitou as p\u00e1ginas do seu jornal em defesa da monarquia em oposi\u00e7\u00e3o ao regime republicano. No entanto, devido ao \u201cfundamentalismo\u201d republicano imposto ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 5 de outubro de 1910, que implantou a Rep\u00fablica e destronou a Monarquia, Ac\u00e1cio Vieira Rosa, por ser funcion\u00e1rio p\u00fablico, foi obrigado a aderir formalmente ao regime republicano, facto que acabou por se repercutir no seu jornal e ditou o seu encerramento em 1911.<\/p>\n<p>Com pouco mais de 40 anos de idade, Ac\u00e1cio Vieira Rosa foi v\u00edtima de uma cegueira galopante, doen\u00e7a que o deixou completamente cego e o obrigou a p\u00f4r fim a uma carreira liter\u00e1ria promissora. Mesmo assim, a filha, Armanda Rosa, lembra-se de ver o pai sentado junto \u00e0 grande mesa da sala, que lhe servia tamb\u00e9m de escrit\u00f3rio, a ditar para algu\u00e9m que ia escrevendo, tentando contornar, desse modo, os obst\u00e1culos que a cegueira lhe punha \u00e0 sua veia liter\u00e1ria. <\/p>\n<p>Amante das flores e dos trabalhos hort\u00edcolas<\/p>\n<p>Apesar da intensa vida profissional e da atividade liter\u00e1ria e jornal\u00edstica, que desenvolvia em paralelo com as fun\u00e7\u00f5es no Governo Civil, Ac\u00e1cio Vieira Rosa foi sempre um homem simples, como refere a filha. \u201cO meu pai, quando chegava a casa, vindo do Governo Civil, mudava de roupa e ia para o quintal da casa, trabalhar na horta ou no jardim. Ele gostava imenso do jardim, onde tinha sempre canteiros com muitas flores, em especial rosas e violetas, que tratavam com muito prazer. Mas tamb\u00e9m gostava da trabalhar na horta. Isto, antigamente, era uma quinta. T\u00ednhamos a capela, que ainda hoje est\u00e1 ao lado da casa, dedicada a S. Tom\u00e9, porque o meu pai era tamb\u00e9m muito religioso\u201d, afirma Armanda Rosa.<\/p>\n<p>Amizade com D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal<\/p>\n<p>Ac\u00e1cio Vieira Rosa foi amigo \u00edntimo do aveirense D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, o primeiro Bispo de Aveiro ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o da Diocese. A amizade iniciara-se nos tempos em que ambos eram estudantes.<\/p>\n<p>Como padre, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal celebrou na capela de S. Tom\u00e9. Mais tarde, voltou como bispo.<\/p>\n<p>Em 1915, no livro \u201cPescando uma p\u00e9rola. Bispo de Angola e Congo\u201d, Ac\u00e1cio Vieira Rosa tece um enorme elogio ao seu amigo bispo, que fora nomeado para os territ\u00f3rios e povos de Angola e Congo.<\/p>\n<p>\u00c9 com orgulho que Armanda Rosa afirma: \u201cO senhor bispo sempre foi muito amigo do meu pai e da nossa fam\u00edlia. Ele tratava-nos por tu, tanto a mim como \u00e0 minha irm\u00e3 e aos meus dois irm\u00e3os. O senhor bispo era uma pessoa muito boa e muito nossa amiga\u201d.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Livros de Ac\u00e1cio Vieira Rosa <\/p>\n<p>na Biblioteca de Aveiro   <\/p>\n<p>Na Biblioteca Municipal de Aveiro h\u00e1 alguns livros da autoria de Ac\u00e1cio Vieira Rosa, ou com pref\u00e1cio \/ introdu\u00e7\u00e3o da sua pena.<\/p>\n<p>Entre eles, destacam-se \u201cImpress\u00f5es a vuela pluma\u201d (Porto, Imprensa Moderna,1893), \u201cPescando uma p\u00e9rola Bispo de Angola e Congo\u201d (Aveiro, Typ. Silva Editora, 1915), \u201cA nossa Independ\u00eancia e o Iberismo\u201d (Lisboa, s.n.,1893).<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda exemplares do jornal \u201cA vitalidade\u201d, propriedade de Francisco Ant\u00f3nio Meirelles e dirigido por Ac\u00e1cio Vieira Rosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grande amigo do primeiro bispo da diocese restaurada, Ac\u00e1cio Rosa deixou obra escrita, que s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior por causa da cegueira que o atingiu por volta dos 40 anos. 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