{"id":24082,"date":"2012-12-05T16:46:00","date_gmt":"2012-12-05T16:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24082"},"modified":"2012-12-05T16:46:00","modified_gmt":"2012-12-05T16:46:00","slug":"discutir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/discutir\/","title":{"rendered":"Discutir?"},"content":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o \u00e9 di\u00e1ria: para uns, est\u00e1-se a destruir o Estado social; para outros, \u00e9 preciso reformar o Estado social. E o povo vai assistindo a esta querela est\u00e9ril, enquanto deita m\u00e3os \u00e0 obra e procura p\u00f4r de p\u00e9 e alimentar iniciativas que construam o Estado social.<\/p>\n<p>Iniciativas do poder local, institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, grupos de cidad\u00e3os, pessoas singulares, desenvolvem uma verdadeira economia social, com a manuten\u00e7\u00e3o ou mesmo cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalhos, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e cuidados de menor custo, a gera\u00e7\u00e3o de atividade e benef\u00edcios colaterais.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os paladinos dos \u201cdireitos adquiridos\u201d ignoram qualquer esp\u00e9cie de solidariedade, omitem a correla\u00e7\u00e3o de deveres, desencadeando perturba\u00e7\u00f5es empobrecedoras, dos pr\u00f3prios e de todo o pa\u00eds, confundindo o direito \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o do descontentamento com o esp\u00edrito individualista que apenas olha para o seu umbigo.<\/p>\n<p>\u00c9 fonte de esperan\u00e7a a onda de solidariedade manifestada na resposta ao Banco Alimentar contra a Fome, apesar da truculenta campanha de pervers\u00e3o das palavras. Critica-se a caridadezinha\u2026 Mas, se n\u00e3o fora a generosidade dos portugueses, muito mais fome se passaria nesta terra que \u00e9 a nossa. Poupados os preju\u00edzos causados por greves dif\u00edceis de explicar, seguramente se poderia chegar muito mais longe.<\/p>\n<p>Enternecem e comovem, a contrastar com o ego\u00edsmo de alguns, os largos milhares de volunt\u00e1rios que arrega\u00e7am as mangas, que d\u00e3o horas, dias, semanas de trabalho gracioso, para servir a causa dos mais pobres. E os milhares de cidad\u00e3os an\u00f3nimos que, no segredo das suas casas, anos a fio, cuidam desveladamente dos seus idosos e doentes, aliviando o peso da solid\u00e3o ou as dores dos corpos gastos pela doen\u00e7a. E os milhares de devotados \u00e0 causa do pr\u00f3ximo, que lideram em absoluta gratuidade centenas e centenas de institui\u00e7\u00f5es sociais, iniciativas de devolu\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da dignidade das pessoas!<\/p>\n<p>A saudade de um coletivismo, que j\u00e1 deu provas de n\u00e3o resolver os problemas da pessoa humana, est\u00e1 subjacente a muita contesta\u00e7\u00e3o. A ideia de que o Estado social tem de ser o detentor de todas as iniciativas, o empregador de todos os cidad\u00e3os, o prestador de todos os servi\u00e7os, \u00e9 a matriz, \u00e9 o paradigma indiscut\u00edvel para muitos portugueses, desresponsabilizando o indiv\u00edduo, subalternizando a iniciativa pessoal ou de grupos.<\/p>\n<p>O Estado \u00e9 depois da pessoa! E est\u00e1 ao servi\u00e7o da pessoa integral e da integralidade dos cidad\u00e3os. Tamb\u00e9m na iniciativa, ele \u00e9 depois da pessoa! Cabe-lhe fomentar, monitorizar &#8211; como se diz agora -, coordenar essa iniciativa. E tomar a responsabilidade direta da sua quota parte, de forma exemplar e estimulante. Garantir sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, promover emprego n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que prestar diretamente esses servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Vamos discutir menos e fazer mais: concertando a iniciativa pessoal ou de grupos com as presta\u00e7\u00f5es do Estado, pondo de parte preconceitos ideol\u00f3gicos ou interesses ocultos, para abrir janelas de esperan\u00e7a, para consolidar vontades de vencer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o \u00e9 di\u00e1ria: para uns, est\u00e1-se a destruir o Estado social; para outros, \u00e9 preciso reformar o Estado social. E o povo vai assistindo a esta querela est\u00e9ril, enquanto deita m\u00e3os \u00e0 obra e procura p\u00f4r de p\u00e9 e alimentar iniciativas que construam o Estado social. Iniciativas do poder local, institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-24082","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24082"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24082\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}