{"id":24089,"date":"2012-12-12T12:03:00","date_gmt":"2012-12-12T12:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24089"},"modified":"2012-12-12T12:03:00","modified_gmt":"2012-12-12T12:03:00","slug":"dancar-ate-na-corda-bamba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dancar-ate-na-corda-bamba\/","title":{"rendered":"Dan\u00e7ar at\u00e9 na corda bamba"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Quem n\u00e3o gosta de estar alegre e de ver um rosto brilhante de alegria? A alegria \u00e9 uma virtude (palavra que significa \u00abfor\u00e7a\u00bb, proveniente do mesmo radical de \u00abviril\u00bb e de \u00abvida\u00bb). \u00c9 com esta for\u00e7a de vida que n\u00e3o desistimos \u00e0 primeira e ganhamos o jeito de dar sempre um passo mais, na direc\u00e7\u00e3o que julgamos correcta (nota: \u00absempre um passo mais\u00bb n\u00e3o \u00e9 um passo sempre a direito! A boa direc\u00e7\u00e3o exige a sabedoria de um passo de dan\u00e7a, e mesmo ent\u00e3o \u00e9 muito conveniente saber onde se p\u00f5em os p\u00e9s!).<\/p>\n<p>\u00c9 ent\u00e3o que vem mesmo a calhar a inspira\u00e7\u00e3o do profeta Sofonias: \u00abSolta gritos de alegria, povo de Israel! O Senhor, teu Deus, est\u00e1 no meio de ti como poderoso salvador! Ele dan\u00e7ar\u00e1 para ti com gritos de alegria, como nos dias de festa! (Sofonias 3,14-18). <\/p>\n<p>Este final euf\u00f3rico da profecia de Sofonias seria suficiente para o tornar c\u00e9lebre. Quase que parece o profeta do pa\u00eds das maravilhas\u2026 Por\u00e9m, nas poucas p\u00e1ginas que nos deixou (tr\u00eas breves cap\u00edtulos), \u00e9 sobretudo o profeta da calamidade pendente sobre o g\u00e9nero humano. V\u00e1rias express\u00f5es suas inspiraram directamente o famoso poema \u00abdies irae\u00bb, o \u00abdia da ira\u00bb, que s\u00f3 depois do Vaticano II deixou de fazer parte da liturgia dos fi\u00e9is defuntos \u2013 por t\u00e3o negras serem as cores com que pintava o mais natural e universal dos fen\u00f3menos: o fim dos ciclos da vida e de todos os ciclos de exist\u00eancia. <\/p>\n<p>Dos antigos profetas, foi o que mais desenvolveu o tema do \u00abdia do Senhor\u00bb \u2013 embora tenha focado especialmente o desajuste entre o Deus incompreens\u00edvel e este mundo que tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para entender\u2026 N\u00e3o admira que a \u00abmistura\u00bb pare\u00e7a explosiva e aterrorizante. No entanto, o \u00abdia do Senhor\u00bb \u00e9 fundamentalmente a experi\u00eancia de como Deus \u00e9 vivo e n\u00e3o apenas a projec\u00e7\u00e3o do nosso desejo de salva\u00e7\u00e3o \u2013 e que a nossa querida vida humana s\u00f3 ganha qualidade se Deus n\u00e3o for olhado como inimigo. <\/p>\n<p>A dimens\u00e3o religiosa permite uma vis\u00e3o global, que n\u00e3o nos deixa afogar no fatalismo.<\/p>\n<p>Jesus foi o sinal sens\u00edvel de Deus que quer a alegria para toda gente, nomeando especialmente aqueles que, devido \u00e0 m\u00e1 gest\u00e3o deste mundo, se sentem perseguidos pelos que se arrogaram o poder (estes s\u00f3 defendem os correligion\u00e1rios \u2013 e enquanto der jeito\u2026).<\/p>\n<p>O profeta verdadeiro partilha uma profunda experi\u00eancia de Deus \u2013 que precisa de ter ra\u00edzes na experi\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o humana, sentindo na pr\u00f3pria carne os problemas conjunturais. Sofonias viveu os desastres pol\u00edticos do s\u00e9c. VII a.C. e o ambiente de corrup\u00e7\u00e3o que tanto tira proveito das guerras da organiza\u00e7\u00e3o mais est\u00e1vel. <\/p>\n<p>Para garantir uma festa em que todos nos d\u00eamos bem, diz esse profeta (3,11-13) que Deus \u00abexterminar\u00e1 os orgulhosos e arrogantes\u00bb. S\u00f3 o \u00abresto\u00bb do povo \u00e9 que \u00abn\u00e3o cometer\u00e1 mais a iniquidade\u00bb, nem \u00abse achar\u00e1 mais na sua boca uma l\u00edngua enganadora\u00bb. Por sua vez, S. Jo\u00e3o Baptista (evangelho) apela a uma vida renovada, \u00abporque \u2013 grita ele enquanto baptiza \u2013 vai chegar quem \u00e9 mais forte do que eu\u00bb, com a sagacidade para avaliar as pessoas, sem preconceitos. De nada nos vale uma justi\u00e7a de fachada e palavrosa. Se queremos ser mais do que um cepo seco, temos que limpar o terreno e adub\u00e1-lo, a fim de que nas\u00e7a uma sociedade onde n\u00e3o se arranca dinheiro aos indefesos ou ingenuamente confiantes, onde se evita a viol\u00eancia e onde se sabe ajudar quem necessita (Evangelho).<\/p>\n<p>O pedacinho da carta aos Filipenses hoje proposto para reflex\u00e3o diz claramente que \u00e9 tempo de alegria porque, quase nos pr\u00f3prios termos de S. Paulo, dan\u00e7amos com Deus. At\u00e9 diz que o devemos fazer com \u00abmod\u00e9stia\u00bb \u2013 palavra que designa o \u00abmodo equilibrado\u00bb dos nossos passos. S\u00f3 com este jeito \u00e9 que a sociedade pode garantir paz e bem-estar. <\/p>\n<p>A alegria devia estar presente com particular intensidade nos momentos mais dif\u00edceis e sobretudo no momento em que parece que vamos perder tudo. Precisamos de sentir \u00e0 nossa volta uma atitude positiva, vinda das v\u00e1rias pessoas e grupos que connosco partilham a vida, que nos transmita for\u00e7a, aconchego e carinho, testemunhando que h\u00e1 raz\u00f5es para vencer qualquer medo. A esperan\u00e7a e o amor aumentam na medida em que s\u00e3o partilhados.  <\/p>\n<p>Precisamos de treinar a alegria de quem \u00abdan\u00e7a com Deus\u00bb at\u00e9 na corda bamba.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt<\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-24089","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24089"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24089\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}