{"id":24118,"date":"2013-01-09T18:07:00","date_gmt":"2013-01-09T18:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24118"},"modified":"2013-01-09T18:07:00","modified_gmt":"2013-01-09T18:07:00","slug":"365-oportunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/365-oportunidades\/","title":{"rendered":"365 oportunidades"},"content":{"rendered":"<p>JO\u00c3O AGUIAR CAMPOS<\/p>\n<p>Padre. Jornalista<\/p>\n<p>1. Foi por acaso, numa partilha de rede social, que cheguei ao desenho da crian\u00e7a, sentada a meia encosta, ao lado do seu fiel cachorrinho.<\/p>\n<p>Num di\u00e1logo que s\u00f3 a imagina\u00e7\u00e3o pode assegurar, ela pergunta: \u00abQue nos trar\u00e1 o ano que vem?\u00bb. O cachorrinho, de orelhas arrebitadas e c\u00e9rebro vivo, responde prontamente: \u00ab365 oportunidades\u00bb.<\/p>\n<p>Confesso n\u00e3o saber se, na surpresa de uma quest\u00e3o igual, eu daria igual resposta. Admito mesmo um discurso redondo, evocando previs\u00f5es de Agenda, evolu\u00e7\u00f5es desenhadas por uma s\u00e9rie de indicadores ou progn\u00f3sticos de consultores reais ou fict\u00edcios, etc, etc. Falar de 365 oportunidades porventura n\u00e3o me ocorreria. E constato-o com pena!<\/p>\n<p>Admito, de facto, que tenho deixado alguma humidade escorrer livre pelas paredes do \u00e2nimo, refugiando-me no lugar comum do \u00abisto est\u00e1 p\u00e9ssimo\u00bb &#8211; sem me aperceber que a repeti\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a convic\u00e7\u00e3o e agrava o olhar.<\/p>\n<p>Repito uma vez e outra que \u00abDeus d\u00e1 o frio consoante a roupa\u00bb. Mas logo a seguir tirito de pessimismo, desmentindo a esquina soalheira onde poderia ver um c\u00e9u diferente.<\/p>\n<p>Na passagem de ano, tomei a decis\u00e3o de mudar. Mas j\u00e1 sei qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 contrariar o que \u00e9 tido como inevit\u00e1vel, pois isso obriga-me a ser verdadeiramente crente: a acreditar em mim, nos outros e n\u2019Aquele que nunca falta com a Sua gra\u00e7a. Obriga-me a valorizar pessoas e atitudes que tenho desvalorizado, subalternizando ao mesmo tempo algumas das prioridades at\u00e9 agora estabelecidas.<\/p>\n<p>Mas vale a pena enfrentar o desafio que, na express\u00e3o de Whitney Junior, \u201cexiste para tornar as coisas melhores\u201d.<\/p>\n<p>2. Olhar os dias que temos por diante como oportunidade implica virtude. Realmente, a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a s\u00e3o exigentes e, como diria S. Jos\u00e9maria Escriv\u00e1, muito distintas de uma atitude melosa e quietista, segundo a qual ao fim e ao cabo tudo dar\u00e1 certo&#8230; N\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados merece-os apenas quem \u00e9 rigoroso e esfor\u00e7ado. Quem sabe conviver com as l\u00e1grimas e n\u00e3o fecha os olhos ao rosto desfigurado do seu tempo.<\/p>\n<p>A passividade nada pode esperar legitimamente e, sobretudo, nada faz acontecer, se excluirmos o desastre&#8230; Tudo o mais pressup\u00f5e compromisso e trabalho permanente para tornar efetivas as pequenas esperan\u00e7as e abrir a porta \u00e0 grande esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Trata-se, citando Bento XVI, de um modo de ser, que se adquire mediante esfor\u00e7ada e cont\u00ednua aprendizagem. Sem desist\u00eancia, ainda que pela vida pessoal ou pelo momento hist\u00f3rico, aparentemente nada mais haja a esperar (Spes salvi, 35).<\/p>\n<p>Penso ser de Gustave Thibon a ideia de que as gra\u00e7as est\u00e3o presas ao c\u00e9u por um cabelo. A vontade \u00e9 a tesoura que, facilmente, o corta. Decisivo \u00e9 saber quanto queremos o que queremos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JO\u00c3O AGUIAR CAMPOS Padre. Jornalista 1. 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