{"id":24120,"date":"2013-01-16T16:11:00","date_gmt":"2013-01-16T16:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=24120"},"modified":"2013-01-16T16:11:00","modified_gmt":"2013-01-16T16:11:00","slug":"ha-problemas-novos-mas-nao-necessitamos-de-um-novo-concilio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-problemas-novos-mas-nao-necessitamos-de-um-novo-concilio\/","title":{"rendered":"&#8220;H\u00e1 problemas novos mas n\u00e3o necessitamos de um novo conc\u00edlio&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Correio do Vouga &#8211; Qual a maior trai\u00e7\u00e3o \u2013 ou lacuna, para usar uma palavra menos forte \u2013 da Igreja atual ao Conc\u00edlio?<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino &#8211; O fato de muitas coisas continuarem como se o Conc\u00edlio n\u00e3o tivesse existido ou como tendo sido apenas um acontecimento do passado. Deste modo, se vai ficando pelos aspetos superficiais, deixando de lado o apelo de convers\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o que o Conc\u00edlio comporta.<\/p>\n<p>Para a maior parte das pessoas, como escreve na \u201cCommunio\u201d, o bispo \u00e9 sempre \u201co que manda na Igreja, o que manda nos padres\u201d. Mas o que \u00e9 o bispo, afinal?<\/p>\n<p>O bispo \u00e9 um crist\u00e3o por Deus chamado ao minist\u00e9rio ordenado e, tal como Cristo, se sente cada dia enviado, como servidor, a todos os filhos de Deus e membros do seu Povo, para que todos \u201ctenham vida e vida em abund\u00e2ncia\u201d. \u00c9 um crist\u00e3o que sente cada dia, ao vivo, as exig\u00eancias da evangeliza\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o de que todos conhe\u00e7am Jesus Cristo, o Salvador e por Ele ordena a sua vida e a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o ao aparato episcopal (os t\u00edtulos, as armas ou bras\u00f5es, os objetos de ouro\u2026) e afirma que \u201cao anel e ao b\u00e1culo, quanto mais simples mais significativos (\u2026) juntaram-se outros adere\u00e7os de saber alheio e profano, como o solid\u00e9u e a mitra, a que se teve de acabar por dar sentido crist\u00e3o\u201d. Faz lembrar o Abb\u00e9 Pierre, que escreveu \u201cSonho que libertem os nossos bispos da mitra\u201d, quando viu alguns bispos se riam de um bispo baixo, \u201ccom uma mitra quase t\u00e3o alta como ele\u201d. <\/p>\n<p>\u00c9 preciso libertar os bispos da mitra?<\/p>\n<p>Se a mitra significa singularidade e poder \u00e0 maneira humana, \u00e9 preciso que o bispo se liberte dela como sinal de que o seu poder \u00e9 sagrado e se exprime em servi\u00e7o. H\u00e1 t\u00edtulos e s\u00edmbolos episcopais que continuam marcados por tradi\u00e7\u00f5es que nada tiveram a ver com o Evangelho e a miss\u00e3o apost\u00f3lica. Que maior t\u00edtulo para o bispo que cham\u00e1-lo de \u201cirm\u00e3o\u201d, como Santo Agostinho quis para si pr\u00f3prio como bispo?<\/p>\n<p>O seu artigo centra-se no episcopado. Se escrevesse um texto sobre os leigos, que pontos real\u00e7aria para que se cumpra o Conc\u00edlio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 identidade e miss\u00e3o laical?<\/p>\n<p>Proclamaria, a gosto e a contra gosto, como S. Le\u00e3o Magno: \u201cReconhece, crist\u00e3o, a tua dignidade\u201d. Do reconhecimento desta tudo passa a ter sentido. Muitos leigos crist\u00e3os ainda a\u00ed n\u00e3o chegaram e vivem, sem culpa pr\u00f3pria, presos pelas categorias humanas e sociais de \u201c clero, nobreza e povo\u201d que o Conc\u00edlio quis ultrapassar e destruir. <\/p>\n<p>Para muitos, a mudan\u00e7a mais significativa do Conc\u00edlio foi o fim das missas em latim. Hoje, em alguns setores, h\u00e1 leigos e padres que querem o regresso do latim segundo o ritual pr\u00e9-Vaticano II, ali\u00e1s permitido pelo Papa. Como avalia este regresso?<\/p>\n<p>A liturgia foi, de modo mais vis\u00edvel, o aspeto da mudan\u00e7a operada. Mas a\u00ed est\u00e1 um aspeto de ficar a meio da renova\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 dar sentido central ao louvor a Deus e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is nesse louvor. Muitos n\u00e3o entenderam assim e ficaram extasiados pelo lindo papel que embrulhava o mais rico dos presentes. O latim continua a ter sentido, n\u00e3o absoluto, nas celebra\u00e7\u00f5es com assembleias de muitas l\u00ednguas e culturas. O regresso ao latim, como objetivo necess\u00e1rio para alguns padres e leigos, denuncia uma nostalgia que se op\u00f5e ao Vaticano II e \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>No artigo que escreveu para a \u201cCommunio\u201d, como noutros publicados neste jornal, tem-se mostrado preocupado com o desconhecimento do Conc\u00edlio. Sugere, por isso, \u201ciniciativas diocesanas e nacionais que ajudem a colmatar esta falta\u201d. Pode concretizar?<\/p>\n<p>A criatividade pastoral em ordem \u00e0 miss\u00e3o da Igreja, feita com base no Evangelho e nas orienta\u00e7\u00f5es do magist\u00e9rio e tendo presente a vida concreta e a cultura emergente, \u00e9 um imperativo conciliar. Mas, enquanto o Concilio n\u00e3o chegar, de modo acess\u00edvel, ao povo crist\u00e3o, teremos sempre gente que manda ou que obedece, mas n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o conciliar. Os s\u00ednodos diocesanos s\u00e3o um caminho que permite conhecer o Concilio. No mesmo sentido, de harmonia com a realidade das pessoas, n\u00e3o faltar\u00e3o iniciativas v\u00e1lidas. O conhecimento do Concilio deve passar por todas as atividades pastorais, n\u00edveis de catequese, a\u00e7\u00e3o de caridade., quer nos conte\u00fados, quer na forma de os propor. N\u00e3o se fica a conhecer o Concilio por ordens de cima, nem por arranjos ou colagens.<\/p>\n<p>Se o Papa o consultasse sobre a realiza\u00e7\u00e3o de um novo conc\u00edlio o que lhe diria? Se lhe pedisse temas, quais proporia?<\/p>\n<p>Sinto que n\u00e3o necessitamos de um novo Conc\u00edlio, pois que no Vaticano II que pretendeu levar a Igreja \u00e0s suas fontes e \u00e0s suas origens. A\u00ed se encontra o caminho. H\u00e1 por\u00e9m, problemas novos das pessoas, das fam\u00edlias, das comunidades e da imagem da Igreja no mundo, a que a mesma Igreja n\u00e3o pode ficar indiferente. Pensemos, por exemplo, no estatuto eclesial da mulher crist\u00e3, nas fam\u00edlias desestruturadas pelo div\u00f3rcio ou pelas novas formas de coabita\u00e7\u00e3o, o problema doloroso da natalidade, que exigem, sem demora, uma palavra orientadora da Igreja. Melhor ser\u00e1 a decis\u00e3o e a sua aceita\u00e7\u00e3o se n\u00e3o for um simples ato do Papa, aconselhado pelos servi\u00e7os da C\u00faria Romana, mas uma express\u00e3o colegial e de comunh\u00e3o com os bispos que, com ele, constituem o Col\u00e9gio Apost\u00f3lico. E isto pode fazer-se sem que seja necess\u00e1rio convocar um novo Conc\u00edlio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Correio do Vouga &#8211; Qual a maior trai\u00e7\u00e3o \u2013 ou lacuna, para usar uma palavra menos forte \u2013 da Igreja atual ao Conc\u00edlio? D. Ant\u00f3nio Marcelino &#8211; O fato de muitas coisas continuarem como se o Conc\u00edlio n\u00e3o tivesse existido ou como tendo sido apenas um acontecimento do passado. 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